quinta-feira, 9 de abril de 2015

Bienal ♥




Ratinha de crônica que sou, mais uma vez me senti inspirada pelas palavras de Luís Fernando Veríssimo. Dessa vez, foi por uma crônica que li um dia desses chamada : A Feira, que fala um pouquinho sobre a feira do livro de Porto Alegre. É bem simples, mas me despertou para escrever sobre um tema que eu já queria e não sabia.

No shopping da minha cidade, apareceu uns dias atrás, uma pequena feira de livros. Na verdade, era um único grande estande, daquelas que sempre marcam ponto nas Bienais – com livros a partir de R$1,00 – que variam desde os clássicos aos livros infantis; daquelas que tem muita coisa que você não tem o menor interesse em ler, mas se passarmos um filtro, achamos uns baitas livros por uns 10 dinheiros.

Estava eu numa ressaca triste, mais vagando do que andando pelo shopping , quando vi a tal feira – que por sinal eu não fazia ideia que tava tendo – parece que tudo se evaporou, e só o que vi na minha frente foram os livros! Enquanto grande parte do meu cérebro estava numa missão importantíssima : focado na busca por um livro bom ao mesmo tempo em que escaneava todas (ou quase) as estantes - para não passar batido por nada e sem gastar tanto tempo;  o resto da mente não parava de recordar das maravilhosas feiras do livro que já visitei.

Na minha cidade, também conhecida como Marabá, nunca tivemos uma boa livraria. De vez em quando eu ia numa pequenininha - Cruzeiro do Sul - que tinha o acervo bem reduzido, mas você podia chegar lá e encomendar o livro que queria. Outra opção era em uma farmácia, Big Ben, que tem de tudo um pouco - adorava ir p lá ouvir CD’s e cobiçar minhas futuras leituras. Não posso comparar a uma autêntica livraria, mas quebrou bastante o galho; foi lá que comprei meu primeiro Harry Potter (2001), e outras tantas boas lembranças.

De uns tempos pra cá algumas livrarias fecharam as portas, inclusive uma que era a minha esperança de novos tempos, a Nobel ; acabou que os marabaenses continuam dependendo de farmácias e lojas de departamento para continuarem suas leituras. Felizmente, as compras pela internet estão cada vez mais fáceis, e ao longo do ano temos muitas oportunidades de comprar com frete grátis , além de aproveitar quando viajamos para atualizar o acervo literário.

Voltando às feiras do livro, já tiveram algumas aqui em Marabá ; eu gostava pelo passeio, mas não me lembro das ofertas serem tãaao boas assim. Em 2003, tive a oportunidade de estar em Recife sem ser nas férias, aí consegui ir pela primeira vez na Feira do Livro. O susto foi enorme ao ver o Centro de Convenções tomado por estandes de livros, de todos os preços. Pelas experiências anteriores, confesso que não esperava grandes coisas e nem levei dinheiro pra comprar nada. Saí com as mãos vazias, porém completamente apaixonada.

A Bienal parece um mundo aparte, um mundo dos sonhos para quem é apaixonado por livros; e apesar de muitas manterem os preços padrões, têm – ufa! – muitas ofertas. Na temporada que passei morando em Recife, fui umas duas vezes mais, e meti o pé na jaca. Sabe a Becky Bloom?!Pois é, fiz igual a ela, só que na versão livros. O exagero foi tal, que até hoje tenho livros que não li. Eu sei, um pecado, mas prometo que irei lê-los ! Já até comecei a fazer isto.

 


Toda vez que chego num lugar desses, minha mente dá TILT. Pareço criança em uma loja de brinquedos, escolhendo o presente de Natal. Fico louca para conseguir olhar tudo, o máximo de estandes que eu puder, num desespero mudo para encontrar o livro perfeito, e ainda por cima com um ótimo preço. É claro que essa estratégia não dá muito certo. Sempre acabo estourando o orçamento logo de cara, bem rápido fico exausta e já começo a achar tudo repetitivo e que já vi o suficiente. Nunca consegui passar duas horas nesses tipos de feiras; gasto tudo, inclusive minhas energias, logo no começo.

Não falo isso com uma conotação ruim, nessa última feira que fui em Marabá, me lembrei dessas loucuras com uma grande saudade. Até aqueles que não gostam de ler, muito provavelmente irão adorar uma Bienal de livros. Nesses eventos sempre têm uma série de eventos paralelos – palestras, autores convidados, grandes editoras e lojas que levam várias dinâmicas; milhares de livros diferentes : didáticos, romances, infantis, livros que mais parecem brinquedos, infanto-juvenis, cordéis, livros de edições simples e mais baratas até as mais sofisticadas, com capas que mais se parecem com obras de arte.

Não me levem à mal por enfatizar tanto a questão do preço, mas é uma das coisas que mais me impressionam nas feiras de livros - além de toda a grandiosidade de um evento voltado para a arte das letras. Os preços dos livros é algo que muitos brasileiros gostam de usar como desculpa para não ler; é uma desculpa bem esfarrapada, mas eles não deixam de ter razão em achar o preço meio salgado – se você quer uma edição legal, com um bom acabamento, os preços são altos ; só quando queremos algo mais simples, importando apenas o conteúdo, até dá para encontrar um preço bem mais acessível, entretanto, não são todos os livros que tem essas edições. Geralmente, livros de bolso são mais baratos – alguns são feitos com um papel bem simples, outros não, mas sempre mantendo as dimensões pequenas. São os chamados Pocket Books.

 

Antes só se encontravam essas versões de bolso - em português - para os livros clássicos, hoje em dia é um pouco mais amplo, até Sidney Sheldon podemos encontrar. A grande maioria ainda não está disponível nessas versões de custo menor, principalmente aqueles de maiores vendas, como as sagas infanto – juvenis da moda, ou algum grande lançamento nacional ; não encontramos o pocket book desses. Uma estratégia que alguns podem usar, é o de comprar esses livros populares (quando são estrangeiros), na versão de bolso e no idioma original. Funciona! Já vi várias vezes nas livrarias a versão traduzida, com uma capa bonitinha custando R$40,00 e poucos, e a importada, em formato pocket book, por R$15,00. As grandes livrarias vendem esses livros importados com um preço justo, sem explorar nós, pobres-leitores-de-orçamento-apertado.

 

Leio bastante pelo computador, mas o livro para mim é sagrado. Como li nesta crônica de Veríssimo, eles têm cheiro e volume. Podemos carregá-los de lá pra cá; e aos que gostam, pode-se rabiscar à vontade; morder, beijar, amassar; criar a sua própria mania para virar a página…fazendo com que ainda seja sim, um ótimo investimento comprar essas coisinhas de papel que tanto encantam e fascinam a gente.