sábado, 24 de outubro de 2015

Tevezinha, Tevezão!



   Eu estava em Recife no final do ano passado quando assisti ao trailer de Minúsculos: O Filme, no cinema. Me encantei na hora, mas sabia que como não estaria por lá tempo suficiente para ver, em Marabá é que não ia rolar mesmo.
   
   Os cinemas da minha cidade, acredito, tem o seguinte lema: “+ pipoca e – conteúdo”. Nada contra os filmes pipoca – blockbusters – adoro (!), mas não faz mal também conferir na tela grande uns dramas e suspenses da vida, e eu me refiro aqui aos filmes de grandes distribuidoras, que concorrem ao Oscar, não quero nem forçar tanto a barra querendo ver os filmes indie.

   Então as aventuras de uma joaninha e formiguinhas, digamos assim, não teriam a menor chance – ainda mais sendo um filme francês/belgo.

   Daí o problema não era ver Minúsculos em casa. O problema é que o que mais me encantou no trailer do filme foi o fato da produção ser em 3D, e então logo imaginei que em casa, sem os efeitos, não ia ter a menor graça.

   A primeira vez que assisti a um filme 3D nos cinemas, fiquei absolutamente apaixonada. Nada tira o brilho dos filmes sem essa tecnologia, só que uma magia a mais em alguns, caem muito bem!

   Quando assisti Enrolados (2010), senti uma mistura de alegria e tristeza. Achei a animação maravilhosa, mas não queria piscar o olho e perder nem um segundo, porque achava que era uma oportunidade única para ver todos aqueles efeitos em três dimensões, e que eu poderia até ver mil vezes o filme em casa, mas nunca conseguiria ver de novo as lanterninhas voando para fora da tela.


   Ledo engano. Em 2010, chegaram ao mercado nossas queridas televisões com uma novidade: capacidade para a tecnologia de três dimensões. Li um texto muito bom sobre isso na web:

“Televisões com 3D não são um tipo de televisão como muitas pessoas pensam. Elas são apenas TVs de alta definição que reproduzem conteúdos em 2D como todas as outras televisões. Ou seja, elas funcionam como qualquer HDTV ou TV comum. A diferença é que elas vêm com uma funcionalidade extra que permite que você também reproduza material em três dimensões .Em outras palavras, o 3D nada mais é que um recurso extra que pode vir numa HDTV. Na verdade, o 3D viveu o seu momento de auge e máximo hype em 2012. Desde o início de 2013, as marcas deixaram de investir tantos esforços de marketing ao redor dessa funcionalidade. O 3D acabou virando apenas mais um recurso estândar na maioria dos modelos de gama média para cima. E ele veio para ficar, apesar da quantidade relativamente baixa de programas, filmes e games em formato nativo disponível no mercado.Para usar esse recurso, além da TV compatível, você vai precisar de óculos especiais, um reprodutor (exemplo: Blu-ray com capacidade para reproduzir 3D) e um conteúdo (exemplo: disco Blu-ray do filme Vida de Pi (sic) em 3D). Muitas televisões atualmente fazem um grande trabalho criando efeitos tridimensionais de excelente qualidade, com imagens nítidas e bem definidas que criam uma sensação muito realista. Alguns modelos têm um desempenho parecido ao dos melhores cinemas 3D.”

   Na verdade, um computador ou apenas uma mídia portátil conectada ao seu televisor já dão conta do serviço, contanto que o conteúdo seja em 3D, é só colocar os óculos e aproveitar!

   Algumas vezes experimentei em casa um filminho em que a tela não é o limite, porém nada me encantou mais quanto assistir Minúsculos hoje. A paisagem real conseguiu se harmonizar perfeitamente com os desenhos (muito fofos por sinal) dos insetinhos – e principalmente ambos se encaixaram perfeitamente nos efeitos especiais.


   Valeu a pena esperar por este filme. O roteiro é interessantíssimo e prende a atenção, mesmo com a inexistência de falas. Tudo está nas trocas de olhares e nos sons (que não faço ideia se são reais) dos bichinhos. Essa é uma animação muito delicada, bem diferente das que estamos acostumadas a ver, sem o humor comum aos desenhos, mas ainda sim conseguindo ser uma aventura além de divertida, muito bonita.

***


    Ainda este ano, já tivemos diversas estreias de filmes 3D – Peter Pan e Perdidos em Martes são alguns dos mais recentes – e para provar que tem dessa tecnologia para todas as idades e gostos, um outro filme 3D, também francês e belgo, estreou em setembro aqui no Brasil. Ele se chama Love (2015) e foi uma das grandes polêmicas do Festival de Cannes deste ano, pois conta com uma proposta com jeitinho de piada pronta: um drama com muitas cenas de sexo, incluindo nú frontal, e tudo isso em 3D.


   Esse filme eu não assisti, mas procurando na internet pelas críticas, em sua grande maioria negativas, achei uns pontos interessantes.

   Segundo Bruno Carmelo, do site Adoro Cinema, “A propaganda em torno do filme despertou grande interesse dos jornalistas, que formaram uma fila de espera gigantesca para entrar na sala - a maior do festival até agora. Mas a sessão não produziu as reações imaginadas: apesar das cenas de sexo explícito e de alguns momentos marcantes, Love é menos chocante do que prometia, e também menos tosco do que alguns gostariam que fosse. Certos jornalistas abandonaram a sessão, outros vaiaram no final, mas o consenso aponta uma produção apenas mediana.” 

   Para um dos usuários do site “Foi muita mídia pra pouquíssimo filme. É uma história de amor que não empolga, não se emenda e não te faz se envolver com os personagens. O forte do filme, se é que pode se definir assim, é a ousadia de mostrar sexo explícito com história, com bem pouca história na verdade. Um "pornocult" como foi definido, ou seja, um péssimo pornô e um péssimo cult.” 

   Encontrei também uma crítica engraçada (e bem pesada!! Só para +18, viu?!) da Tati Bernardi. A Folha não permite copiar nem uma palavra do site, então quem quiser tem que conferir no link mesmo.
  
   Para quem tá afim de conferir um filme com efeito 3D, mas não tá muito seguro se vai fazer um bom negócio, vou deixar aqui algumas dicas. Para aproveitar ao máximo a experiência, me corta o coração dizer isso, mas... recomendo assistir dublado: as legendas atrapalham e pior ainda quando não estão bem sincronizadas ou posicionadas – o que varia entre cinemas e até mesmo entre suas diferentes salas; e também acho que os desenhos ainda conseguem ser os melhores em explorar os efeitos que essa tecnologia fornece – apesar dos grandes avanços que os filmes com atores reais alcançaram. E para checar se além do filme ser bom, qual versão entre 2D ou 3D escolher, é só dar uma pesquisada na internet pela crítica do filme – sempre quando estreia um filme com as duas opções, os críticos avisam se vale o ingresso mais caro, ou não.

   Enfim, as tevês estão vindo com tudo no mercado, cheias de paranauês para nos fornecer a melhor experiência possível, para vermos o que diabos der na telha. Para mim, nada tira a emoção de tá no cinema, seja o filme em 2D ou 3D, amo e é uma verdadeira arte. Mas como diz aquele ditado, quem não tem cão, caça com gato... e afinal, não é nada mal ter um pouquinho a mais de magia dentro da nossa telinha também, né?!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Mas e se elas não querem saber dos plaquês de 100?



O título do texto de hoje tem papel ativo na minha crônica. Então vou fazer o inverso e começar o texto discutindo ele. Mas e se elas não querem saber dos plaquês de 100?
Um dia desses cai na besteira de ouvir, num programa de TV, essa música: “Plaquê de 100” do MC Guimê. O mais previsível seria eu começar a descer o pau nessa música, mas na verdade não é isso que vou fazer. Na verdade, vou confessar baixinho que depois que eu ouvi e fiquei com a infeliz na cabeça de tal forma, que só passava depois que eu ouvia de novo; aí tive que me render e a coloquei na minha playlist – tenho esperança de ouvi-la até ela achar suficiente e resolver me deixar em paz.
Para localizar vocês nessa minha história, vejam o seguinte trecho da letra, que por sinal é o refrão:

“Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também.”


No refrão e no restante da música, fica bem explicadinho qual é o estilo de mulheres que o cantor e seus amigos procuram, e vice versa. O cantor está visivelmente preocupado em demonstrar todo o seu arsenal de carros, motos, joias, riquezas e sex appeal para atrair as mulheres, que por sua vez, estão interessadíssimas em homens desse tipo e posso subentender que esse interesse delas por eles, é estritamente financeiro – mulheres volúveis e gostosas que só pensam em tirar vantagem do pobre rapaz endinheirado.
 

       A ideia que a sociedade faz das mulheres só pensarem em dinheiro, não é exclusiva das letras de funk. Escuto esse papinho praticamente todos os dias, em diferentes ambientes, sejam eles reais ou virtuais. Na maioria das vezes vem mascarado nas piadas (“Ah... as mulheres amam homens de caráter ($$), simpáticos ($$$) e etc), em outras são mais descarados (“ São interesseiras e ponto!”), de um jeito ou de outro estão sempre presentes.

              Essa ideia generalizada, infelizmente tem um fundo de verdade; muitas meninas não se dedicam aos estudos e ao trabalho, e outras tantas na verdade, nem chegam a ter a oportunidade. Muitas vezes o ambiente em que foram criadas influencia nessa (péssima) visão distorcida de crescimento pessoal, sendo assim, não enxergam a figura masculina como um companheiro, um amigo, um amante, e sim uma forma de ganhar a vida.
                Enquanto isso, os homens estimulam essa realidade. Muitos fatores podem explicar esse fato: o contexto histórico-social em que vivem, os ideais machistas impregnados na nossa e em tantas outras culturas, dentre outros motivos que faz com que boa parte da população masculina brasileira não aceite a igualdade de gêneros – mulheres fortes, independentes [psicológica e financeiramente], bem sucedidas e inteligentes. As mulheres se tornarem “melhores” do que eles, ou serem vistas como iguais, faz cair por terra a tradicional dominação masculina que sempre imperou na história da humanidade e amedronta muitos machistas por aí. Não é à toa que eles lutam com unhas e dentes – com piadas, exclusão social, preconceito e em alguns casos, com violência física e terror psicológico– para continuarem no posto de chefe da caverna.
A realidade que falo aqui se relaciona ao pensamento machista, que eu acredito, infelizmente ainda domina o nosso país. Isso não quer dizer que o pensamento aos poucos não veem mudando e eu sei que  [amém] já tem muita gente (homens & mulheres) lutando contra esse tipo de comportamento.
           Enfim, nem tudo está perdido.
         Pela internet, há uma série de textos sobre o desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho e no ingresso nas universidades; não precisa pesquisar muito para ver textos que apontam, hoje em dia, uma maioria feminina nas universidades, superando nossa realidade anterior.





No site do INEP tem uns materiais bons sobre a educação, dentre eles um indicador educacional que fala sobre o desempenho das mulheres na educação e o consequente melhor desempenho no mercado trabalhista.


     As mulheres ocupam cada vez mais espaço na sociedade, alcançando postos que antes não conseguiam, expondo a sua opinião e abrindo para debate o que ainda nos incomoda. Elas estudam e começam a ocupar melhores e maiores espaços no trabalho. Opa, então como é que fica a situação dos que só sabem lidar com mulheres que se deixavam inferiorizar? Como os homens irão nos conquistar? Porque agora, cada vez mais mulheres, querem mais do que plaquês de 100 e dar voltinha em carrinho bonito, não é mesmo? 
     Qualquer balada que você vai, a coisa mais fácil do mundo é achar os “reis dos camarotes”, exibindo baldes com vodka que custa 20 no supermercado, mas todo mundo sabe que ele acabou de pagar quase 200 nela para tomar com suco; vejo também os garotos com o copo numa mão e o celular em outra – quando não estão de braços cruzados – enquanto tem umas 50 meninas dançando só ou tietando o cantor do barzinho, já sem esperança de ser tirada para dançar. De vez em quando aparecem umas meninas que se impressionam com relógios caros e a chave da caminhonete pendurada na calça; são do tipo embaladas à vácuo (como uma amiga minha diz haha), mas acho que em breve elas serão peças raras.

            Então, será que os rapazes vão saber lidar com essa nova geração feminina que sabe um pouquinho mais do que fazer corte e costura, tocar piano e dizer sim senhor?! Espero que sim!
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Ah sim, e como amanhã é o niver da minha mãe, vou aproveitar e dedicar esse post a ela, minha melhor amiga, leitora crítica, backup for 24/7, e a mãe mais badass que eu conheço.