Não me deixe só,
Eu tenho medo do escuro,
Eu tenho medo do inseguro,
Dos fantasmas da minha voz.
Vanessa da Mata
Assim que terminei de ministrar umas das minhas primeiras classes online, me veio essa música na cabeça. Achei curioso e me detive em sua letra. Assustada percebi que tudo tinha a ver com a sensação que tive durante a aula, não me leve a mal, elas não foram de todas ruins, mas deu um gosto amargo na boca, que demorei a identificar.
Foi o vazio. Os alunos, muito educados, desligaram suas câmeras e se emudeceram. A atitude oposta torna a classe um verdadeiro caos, como experimentei logo depois com uma turma de pequenos – o intenso movimento das câmeras, o zumbido de conversas e ruídos é de virar o estômago (possível labirintite despontando?). Então o que há de mal em uma sala silenciosa?
Simples, sua inaturalidade. Não existe turma de adolescentes silenciosos. O silêncio ali é irreal, uma turma castrada. No lugar de rostos, vejo uma tela escura tomada por nomes; no lugar de vozes, ouvimos o eco da própria voz e pensamentos. A insegurança dá picos absurdos, a voz vira fantasma, o escuro dá medo – tal qual a canção.
O encerramento dá um corte abrupto nas despedidas. Qualquer falha eletrônica impotencializa. Tudo filmado, tudo gravado, século XXI, bebê. O estômago contorce de angústia.
A carência e a solidão despertam, todos próximos, mas parecem ainda mais distantes. O que tantas mentes pensam e fazem, enquanto emudecidas tecnologicamente. E aqueles que não tem nenhum acesso, silenciados mais ainda estão.
Ora o vazio, ora parece que estou dentro de um táxi chinês: ministrando uma aula tal qual um motorista que dirige rodeado por LED’s de todas as formas – a diferença é que ele assim o faz naturalmente.
Infortúnios da vida pós-moderna, de quem reclama ainda que de barriga cheia.
Foi o vazio. Os alunos, muito educados, desligaram suas câmeras e se emudeceram. A atitude oposta torna a classe um verdadeiro caos, como experimentei logo depois com uma turma de pequenos – o intenso movimento das câmeras, o zumbido de conversas e ruídos é de virar o estômago (possível labirintite despontando?). Então o que há de mal em uma sala silenciosa?
Simples, sua inaturalidade. Não existe turma de adolescentes silenciosos. O silêncio ali é irreal, uma turma castrada. No lugar de rostos, vejo uma tela escura tomada por nomes; no lugar de vozes, ouvimos o eco da própria voz e pensamentos. A insegurança dá picos absurdos, a voz vira fantasma, o escuro dá medo – tal qual a canção.
O encerramento dá um corte abrupto nas despedidas. Qualquer falha eletrônica impotencializa. Tudo filmado, tudo gravado, século XXI, bebê. O estômago contorce de angústia.
A carência e a solidão despertam, todos próximos, mas parecem ainda mais distantes. O que tantas mentes pensam e fazem, enquanto emudecidas tecnologicamente. E aqueles que não tem nenhum acesso, silenciados mais ainda estão.
Ora o vazio, ora parece que estou dentro de um táxi chinês: ministrando uma aula tal qual um motorista que dirige rodeado por LED’s de todas as formas – a diferença é que ele assim o faz naturalmente.
Infortúnios da vida pós-moderna, de quem reclama ainda que de barriga cheia.
18/06/2020
Camila Solino
Camila Solino