sábado, 29 de novembro de 2014

Crônicas...Tem um lapisai?



Tem um lapisai?


Desde criança eu gosto de crônicas, meu primeiro contato com elas foi com o livro “Um país chamado infância”, de Moacyr Scliar. Achei incrível e não queria mais parar de ler, li muitas, e desde sempre o meu autor preferido é o grande Luís Fernando Veríssimo.

Uma vez, um par de anos atrás, li uma do Fernando Sabino chamada Albertine Disparue, que nem de longe é a melhor que eu já li, mas com um trecho que me chamou a atenção :


“– Você sabe escrever?

– Sei sim senhor – balbuciou ela.

– Veja se tem um lápis aí na gaveta.

– Não tem não senhor.

– Como não tem? Pus um lápis aí agora mesmo!

Ela abaixou a cabeça, levou um dedo à boca, ficou pensando.

– O que é lapisai? perguntou Finalmente.”


Sete letrinhas, lapisai, mas depois dessa eu nunca mais consegui ouvir alguém perguntar: “Tem um lápis aí?” sem lembrar dessa frase. Não faço ideia do resto do texto, mas essa piadinha do autor marcou bastante, e toda vez que ouço a frase não consigo evitar um sorriso.

Outra marcante foi essa, “Jenesequá : Uma Parábola”, agora do Veríssimo :

"Tenho tudo o que o dinheiro pode comprar", disse o milionário, "mas me falta não sei o quê."
Rudi cruzou as pernas, puxou o friso impecável das calças entre dois dedos manicurados e sentenciou:
"Já sei. Lhe falta je ne sais quoi."
ISSO.
O milionário pulou da cadeira. Rudi acertara na mosca. Ainda de pé, o milionário gritou outra vez:
"Isso! É exatamente o que me falta. Jenesequá. Eu quero que você me ajude a consegui-lo. Pago qualquer preço pelo jenesequá." 


 

Ás vezes quando sinto falta de um adjetivo, já sei o que usar : Jenesequá. rsrs





 


Como não poderia faltar, vou encerrar o papo de hoje com uma crônica em homenagem as professoras, que é uma das minhas preferidas :

PEÇA INFANTIL

A professora começa a se arrepender de ter concordado (“Você é a única que tem temperamento para isto”) em dirigir a peça quando uma das fadinhas anuncia que precisa fazer xixi. É como um sinal. Todas as fadinhas decidem que precisam, urgentemente fazer xixi.

-Está bem, mas só as fadinhas – diz a professora. – E uma de cada vez!

Mas as fadinhas vão em bando para o banheiro.
 

-Uma de cada vez! Uma de cada vez! E você, onde é que pensa que vai?

-Ao banheiro.

-Não vai não.

-Mas tia...

-Em primeiro lugar, o banheiro já está cheio. Em segundo lugar, você não é fadinha, é caçador. Volte para o seu lugar.

Um pirata chega atrasado e com a notícia de que sua mãe não conseguiu terminar a capa. Serve uma toalha?

-Não. Você vai ser o único de capa branca. É melhor tirar o tapa-olho ficar de anão. Vai ser um pouco engraçado, oito anões, mas tudo bem. Por que você está chorando?

-Eu não quero ser anão.

- Então fica de lavrador.

-Posso ficar com o tapa-olho?

-Pode. Um lavrador de tapa-olho. Tudo bem.

-Tia, onde é que eu fico?

É uma margarida.

A professora se dá conta de que as margaridas estão desorganizadas.

-Atenção, margaridas! Todas ali. Você não. Você coelhinho.

-Mas o meu nome é Margarida.

-Não interessa! Desculpe, a tia não quis gritar com você. Atenção, coelhinhos. Todos comigo. Margaridas ali, coelhinhos aqui. Lavradores daquele lado, árvores atrás. Árvore, tira o dedo do nariz. Onde é que estão as fadinhas? Que xixi mais demorado.

-Eu vou chamar.

-Fique onde está, lavrador. Uma das margaridas vai chamá-las.

-Já vou.

-Você não, Margarida! Você é coelhinho. Uma das margaridas. Você. Vá chamar as fadinhas. Piratas, fiquem quietos.

-Tia, o que é que eu sou? Eu esqueci o que eu sou.

-Você é o Sol. Fica ali que depois a tia... Piratas, por favor!

As fadinhas começam a voltar. Com problemas. Muitas se enredaram nos seus véus e não conseguem arruma-los. Ajudam-se mutuamente, mas no seu nervosismo só pioram a confusão.

-Borboletas, ajudem aqui – pede a professora.

Mas as borboletas não ouvem. As borboletas estão etéreas. As borboletas fazem poses, fazem esvoaçar seus próprios véus e não ligam para o mundo. A professora, com a ajuda de um coelhinho amigo, de uma árvore e de um camponês, desembaraça os véus das fadinhas.

-Piratas, parem. O próximo que der um pontapé vai ser anão.

Desastre: quebrou uma ponta da Lua.

-Como é que você conseguiu isso? – pergunta a professora sorrindo, sentindo que o seu sorriso deve parecer demente.

-Foi ela!

A acusada é uma camponesa gorda que gosta de distribuir tapas entre os seus inferiores.

-Não tem remédio. Tira isso da cabeça e fica com os anões.

-E a minha frase?

A professora tinha esquecido. A Lua tem uma fala.

-Quem diz a frase da Lua é, deixa ver... O relógio.

-Quem?

-O relógio. Cadê o relógio?

-Ele não veio.

-O quê?

-Está com caxumba.

-Ai, meu Deus. Sol, você vai ter que falar pela Lua. Sol, está me ouvindo?

-Eu?

-Você, sim senhor. Você é o Sol. Você sabe a fala da LUA??

-Me deu uma dor de barriga.

-Essa não é a frase da Lua.

-Me deu mesmo, tia. Tenho que ir embora.

-Está bem, está bem. Quem diz a frase da Lua é você.

-Mas eu sou caçador.

-Eu sei que você é caçador! Mas diz a frase da Lua! E não quero discussão!

-Mas eu não sei a frase da Lua.

-Piratas, parem!

-Piratas, parem. Certo.

-Eu não estava falando com você. Piratas, de uma vez por todas...

A camponesa gorda resolve tomar a justiça nas mãos e dá um croque num pirata. A classe é unida e avança contra a camponesa, que recua, derrubando uma árvore. As borboletas esvoaçam. Os coelhinhos estão em polvorosa. A professora grita:
 

-Parem! Parem! A cortina vai abrir. Todos a seus lugares. Vai começar.

-Mas, tia e a frase da Lua?

-“Boa noite, Sol.”

-Boa noite.

-Eu não estou falando com você!

-Eu não sou mais o Sol?

-É. Mas eu estava dizendo a frase da Lua. “Boa noite, Sol.”

-Boa noite, Sol. Boa noite, Sol. Não vou esquecer. Boa noite, Sol...

-Atenção, todo mundo! Piratas e anões nos bastidores. Quem fizer um barulho antes de entrar em cena, eu esgoela. Coelhinhos nos seus lugares. Árvores, para trás. Fadinhas, aqui. Borboletas, esperem a deixa. Margaridas no chão.

Todos se preparam.

-Você não, Margarida! Você é coelhinho!

Abre o pano.


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Escrita e a falta de objetividade

Hoje resolvi mostrar para vocês um tópico em que eu provo que a matemática e a língua podem se relacionar muito bem obrigado. Duvida?

Não sei se já deu para notar, mas eu sofro de um mal (ou não), de falta de objetividade na hora de escrever( e de falar também)

Muito dificilmente consigo ir direto ao ponto. Eu tenho a sensação terrível de que o outro só conseguirá compreender o meu ponto de vista, se ele tiver uma introdução, desenvolvimento e só então uma conclusão da história. Sem poupar detalhes, claro.

Se uma jarra de leite cai no chão e quebra, eu acho ainda pior ser obrigada a dizer simplesmente: “Caiu,quebrou.” . Impossível para mim. Eu tenho que explicar que eu estava na cozinha, fazendo tal coisa, aí o telefone tocou, tive que atender, o fio do telefone enrolou....a mão bateu no copo...e por aí vai, até 10 minutos depois falar que o negócio caiu, e quebrou.

Sinto que em toda a construção de diálogo, um ponto se liga com vários outros, e o assunto vai tomando proporções enormes, e vai ficando totalmente diferente do argumento inicial. É aí que entra um raciocínio matemático brilhante:

As árvores matemáticas.


Eu sou louca por elas. Uso o tempo todo no meu dia a dia, para estudar, para conversar, para aprimorar a memória(...). Tive um contato maior com elas, durante o meu estudo na faculdade de computação, no entanto nos colégios todos já conheceram essas árvores: na matemática, biologia...



Elas são muito úteis para organizarmos os pensamentos, um ponto se liga ao outro, podendo assim sempre avançarmos sem nunca perder o “fio da meada”, voltando sempre que preciso a um ponto anterior. Não precisa de decoreba, se você entende algo fácil, descobre uma forma de memorizar e aí vai ficar difícil esquecer o resto.

Sem exemplos não dá pra entender nada :

As campanhas políticas, ou o comercial de uma loja, usam uma música da moda, ou um jingle bem chiclete, aí não tem como a gente esquecer o número do candidato ou o telefone.

No Facebook, Júnior tem a Ana de amiga, a Ana tem o João, daí o face presume que o João pode conhecer o Júnior. E por aí vai. O site de vídeos Youtube explora ainda mais esse recurso.

                                           

Olhem esse poema, conseguem ver uma árvore aí?


QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Nova reunião. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1985.

Voltando (antes que eu me perca nessa árvore que construi), eu quis nesse texto mostrar que a técnica das árvores, pode ser usado na construção de textos. Se você procura objetividade, fuja delas, mas se for como eu, que adora se estender na prosa, esse raciocínio é ótimo para encaixar tudo o que quer falar sem se perder e ainda construir um história ao mesmo tempo.

É melhor eu encerrar por aqui, se não me empolgo e já vou puxar outro assunto com os fiozinhos soltos que sempre sobram, e aí não termino nunca esse papo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Nem tão bons assim...

Da série : filmes que são melhores que os livros.

Todo mundo concorda que os livros sempre são melhores que as suas adaptações para o cinema. Eu também acho, até porque nos livros se tem muito mais liberdade para escrever; nos filmes além do limite da tecnologia e dos atores, há também a censura e faixas etárias que podam muito os filmes. Um exemplo clássico de livro melhor que o filme, é com a série "Harry Potter", que não teve toda sua genialidade transportada para os cinemas.

Eu também vi esse exemplo claro com "P.S Eu Te Amo", um livro lindo e engraçado, mas se você tiver a intenção de ver o filme, aconselho assistir primeiro e ler depois, do contrário a decepção é enorme.

Mas indo contra essa maré, eu já li dois livros que não chegam nem aos pés dos seus respectivos filmes.

O primeiro é "O Silêncio dos Inocentes".

 

Li o livro um tempinho atrás. Tenho um grande amor pelo cinema, mas nunca tinha assistido esse clássico apesar de toda minha curiosidade. Quando eu era criança, vivia nas locadoras e tinha pavor do cartaz desse filme (por causa da máscara do Hannibal), e até pouco tempo não tinha superado esse medo. Decide assistir o filme, mas primeiro teria que ler o livro, pois assim eliminava o fator surpresa, e ficaria mais tranquila assistindo o filme.

Acabou que não precisava nada disso, minha idade e os efeitos não tão assustadores (pra quem é da nova geração de efeitos especiais, claro, se eu visse na época seriam outros quinhentos) me fizeram aproveitar bastante o suspense, adorei, as atuações, tudo. Assisti mais de uma vez, e cai até na besteira de ver os outros filmes da série (péssimos por sinal, mas essa história fica pra depois).

Depois de ver o filme, vi que o livro era muito fraco. O suspense não envolveu tanto quanto no filme, e não gostei da forma como ele escreveu, ele mal descreve a personagem principal...

Anthony Hopkins e Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes, 1991.
Outro exemplo, e desse eu posso até falar melhor porque terminei de ler hoje, foi o "Elite da Tropa".

Wagner Moura em Tropa de Elite, 2007.


Passei anos sem querer assistir o filme "Tropa de Elite", achava muito violento, e olha que foi uma febre no país. Assisti inclusive o segundo nos cinemas, e ainda não tinha visto o primeiro.

Muitos anos depois, zapeando na TV, vi que tava passando o filme e resolvi assistir. Foi uma ótima experiência, passei dias refletindo sobre o filme, fiquei com um gostinho de quero mais, de querer mais para o meu país.

Já o livro não foi tão bom assim. A violência e as histórias contadas (muitas vezes revoltantes) do início do livro me deixaram estressada/nervosa, e acabei transferindo isso pro meu dia. Depois, a história que o livro conta é diferente da contada no filme, e eu tinha ido com a expectativa errada de que seriam as mesmas. É interessante, mas um pouco burocrática, falta um pouco de ação que era constante no início do livro, fora que senti falta de um final, encerrando a situação e mostrando o que aconteceu com todos.

O livro também me despertou sentimentos, só que o grande impacto eu sofri com o filme.Além do que, eu tenho o péssimo hábito de: se não gosto do final, acabo desanimando com a história toda.




domingo, 16 de novembro de 2014

Cineminha

    Ontem fui ao cinema. Esse é um dos meus programas favoritos, vou ao cinema desde que me entendo por gente. Antes era mas difícil, só dava pra ir durante as férias porque na minha cidade não tinha cinema, mas agora que temos, as coisas ficaram bem mais fáceis.

    Hoje não vou falar dessa minha paixão não, se não vou escrever 30 páginas e ainda não vai ser o suficiente. Resolvi usar esse espaço pra fazer um alerta para o pessoal. Sim, um alerta, porque eu prefiro acreditar que as pessoas realmente não percebem o tanto que incomoda o uso do celular nas salas de cinema.


    É chato e sempre incomodou a todos quando o celular toca, e a pessoa ainda por cima atende e fica conversando. Mas o problema de hoje talvez seja ainda pior.

    Ás vezes por alguma emergência, outras só pela questão de vício, as pessoas cada vez mais estão ligando o celular durante a sessão, aí acende aquela luz que incomoda todo mundo e você nem consegue mais olhar para o filme, pois a luz do aparelho fica chamando a sua atenção.


     Não tem uma vez que eu não vá ao cinema e alguém não acende aquele farol incômodo. E é sempre mais de um. O toque do celular é terrível, mas a luz parece ser ainda pior, porque nem todos são atingidos por esse foco de luz, e muitas vezes o cidadão está sentado muitas fileiras à frente, ficando difícil para a gente fazer uma reclamação. Quando é do seu lado ou na fileira da frente, dos males o menor, dá pra dar um chute na cadeira, chegar pertinho e fazer alguma reclamação “delicadamente”, mas quando tá longe muitas vez o remédio é deixar para lá.

    Ontem eu vi de tudo, além das tradicionais fotos, o pessoal ficava jogando jogo (!!), mas quando começou o filme, a maioria até que respeitou e acalmaram seus celulares. Só que ainda assim, tiveram uns que insistiram em dar uma checada teimosa nas redes sociais durante o filme.

    Mas vamos lá, problema explicado, e não é nada muito difícil de se ver hoje em dia, vou agora deixar uns pontos para os teimosos que gostam de olhar o celular durante o filme:
  • Atrapalha o outro. 
  • É constrangedor ser chamado à atenção por causa de uma besteira dessas, no meio de uma sala lotada. Evite isso, deixando o seu aparelhinho no bolso. 



     Aparelhinho é só jeito de falar mesmo, porque hoje em dia os aparelhos estão cada vez maiores e a luz ainda mais forte. Nesse ambiente escuro, que são os cinemas, (ainda bem!Já pensou ver um filme no claro?!) é pior ainda. Se quiser faça um teste em seu quarto, com as luzes apagadas e você usando o celular, dá só uma olhadinha atrás, e veja na parede o efeito que dá.

    Aparelhos celulares são maravilhosos, e basicamente todo mundo tem. Ele é uma ferramenta pra facilitar as nossas vidas, não deixe ele dominar a sua vida, e te excluir do mundo real. Respeite a sétima arte que é o cinema, e respeite ainda mais o seu colega que tá lá, querendo se divertir, curtir um filminho, e não tá nem um pouco afim de ter uma luz alta estragando tudo.









sábado, 15 de novembro de 2014

Grafite

Grafite na UNIFESSPA - CAMPUS I


Taí uma coisa que eu sempre gostei. A Grafitagem.

É uma arte linda, delicada, cheia de detalhes, mas mesmo assim pode ser apreciada em meio ao corre-corre do nosso dia a dia. Algumas são feitas sem compromisso, outras para passar uma mensagem profunda em seus traços expressivos. O que todas têm em comum? Embelezar a paisagem necessitada das cidades.

A Grafitagem tem uma irmã, ovelha negra, que é a Pichação. Pichações são feias, desrespeitosas, têm uma aparência suja e não possuem significado/objetivo algum. Pelo menos não positivo. Pode parecer estranho, mas muitos confundem essas duas, e acaba sobrando para a grafitagem, que muitas vezes,por ignorância, são má classificadas e colocadas na mesma conotação ruim.

Não me lembro de ter visto muitas grafites em Marabá, mas me chamaram muita à atenção essas nas quais eu esbarrei esses dias. Lindas. Descobri que essas abaixo são do Luhan Gaba, mas a primeira lá em cima, ainda não sei...

Por favor,autores revelem-se. E quem achar mais dessas belezas, me mostrem que eu tô louca para admirar mais.

Arte na Velha Marabá


Velha Marabá