quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A mala foi uma mala



   Neste final de semana, a minha mala foi uma mala – sem alça! Não só pra minha família, mas também para a companhia aérea GOL. Ela, a mala, se recusou solenemente em voltar para Marabá. Claro, ela sabe que o seu destino seria uma sacola plástica qualquer, em cima de um guardarroupa, aguentando calor e umidade amazônica por um longo tempo. Preferiu ficar no Aeroporto Internacional do Recife, vendo o movimento, e tals.

   O problema é que na verdade, a minha mala - ou melhor, da minha mãe - não teve essa opção. Ela foi na realidade, negligenciada pela companhia aérea que erroneamente escolhemos. Esse não é um problema exclusivo das companhias aéreas brasileiras, lembro-me bem do filme “Entrando numa fria”, o final de semana já começa mal para o personagem do Ben Stiller quando a companhia aérea perde a sua mala, depois acaba trocando...só gerando problemas para ele.
                                         
                                         

  Perder umazinha do Karl Lagerfeld, ninguém quer né?!


    Conversando com amigos, e também gastando alguns minutos no aeroporto, vimos que esse problema não aconteceu só com a gente, pelo contrário, é muito comum, praticamente todo mundo já passou por uma situação dessas, ou no mínimo conhece alguém que sim. Pelo menos, estávamos em casa – há situações piores, como quando estamos no começo da viagem, ou quem vai para o interior e ainda tem que pegar outro transporte pra continuar sua viagem e chegar em casa.

   Minha mãe, na última sexta-feira, chegou de viagem depois de um tempão em férias no Recife, e nem veio com tanta bagagem assim, ela só precisou embarcar uma mala laranja, de tamanho mediano, em fim, fácil de localizar. Chegando lá, ela era a última na área de desembarque, e não tinha mais nenhuma bagagem na esteira – nossa laranjinha não estava lá.

   O funcionário, mas do que eficiente, disse com toda segurança do mundo que recebeu uma mensagem de que a bagagem tinha ficado em Recife - o pessoal esqueceu de embarca-la - e que podíamos ficar despreocupados porque no próximo voo, no sábado ao meio-dia, a nossa mala estaria aqui. Ele abriu um processo e nós fomos para casa, com um frio na barriga, e uma pulga atrás da orelha.

   Sábado, pontualíssimos, chegamos cheios de confiança no aeroporto, quando recebemos um balde de água fria. A companhia, esqueceu (de novo!) de embarcar a bagagem !! Nos asseguraram que chegaria no próximo voo, no domingo, mas, já estávamos sem paciência alguma, não acreditamos neles e pedimos uma prova de que a mala ainda existia pelo menos ; nessa altura eu já até duvidava que ela estava na mesma galáxia que nós.

   Eles não bateram a tal foto. Tivemos que voltar para casa com um pedido de desculpas e uma certeza de que nada estava certo ; com confirmações vazias, tivemos que engolir guela abaixo que a bagagem ficou mais uma vez no depósito deles e que “com certeza” estaria aqui no outro dia.

   Domingo, continuando a nossa novela, não tínhamos nem coragem de pensar na hipótese de tudo não passar de uma mentira. Quem vem de férias, sempre traz souvenirs, roupas novas, e ainda mais vindo da casa da família. São objetos que tem, muitas vezes, mais valor sentimental do que monetário – já pensou o estresse de partir para os meios legais ?

   Pois é, esse sentimento ficou pior quando fomos ao meio-dia, mais uma vez ao aeroporto, e chegando lá a mala não estava.

   Desculpem-me, não estou sendo repetitiva por descaso meu, é que eles mais uma vez esqueceram de colocar, uma simples mala, em uma aeronave, e embarcar de Recife – Marabá. Pronto !! Até os funcionários da GOL estavam constrangidos, e tentavam ajudar, mas o estrago já tava feito. Eu nem tinha ido dessa vez, porque me faltam nervos para essas coisas... na verdade ninguém aguentava mais essa história. Não houve nem mais espaço para raiva, já estávamos aceitando tudo que eles diziam, porque se esperneando e gritando nada saiu do lugar, o jeito era aceitar tudo numa boa.

   Aparentemente, funcionou. Um funcionário conhecido, buscou mais a fundo as informações, e quase tiraram a tal da foto para nós, porém nem havia mais necessidade, porque confirmaram que estavam embarcando a mala naquele momento. Não restava nada para a gente, além de acreditar. E no voo da noite, finalmente, reencontramos nossa mala, batendo recorde de sujeira – dessa vez eles capricharam nos “cuidados” - felizmente, nada veio quebrado ou faltando.

 

   Agora me bateu uma dúvida, na próxima viajo abraçada com a mala, ou será que devo sair assim ??


Cenas do filme "Eurotrip"

sábado, 10 de janeiro de 2015

Minha própria Road Trip




Existe um determinado gênero de filme chamado Road Movies, que nada mais são do que os filmes de viagem. Além das paisagens lindíssimas, geralmente são boas histórias, que dão uma balançada na nossa percepção de mundo, e é por essas e outras que cada vez mais conquistam uma legião de fãs.

Os filmes de terror/suspense têm uma verdadeira adoração por esse gênero, afinal , quer cenário melhor do que uma estrada deserta, tarde da noite e sem iluminação, para aparecer todo tipo de coisa ?! É só o cliente escolher : têm com zumbis, bruxas, espíritos, psicopatas...

                             

Lembro agora de um que vi e fiquei bem impressionada na época (tenho a desculpa de que eu ainda era criança), mas que nem é isso tudo : Perseguição - A Estrada da Morte.


                              
A história é sobre dois irmãos que enquanto estão na estrada, fazem uma brincadeira com um caminhoneiro pela frequência do rádio, e digamos assim, ele não achou muita graça.

Filmes de animação também gostam do tema. Procurando Nemo, conta? hehehe

                              

O primeiro longa com esse gênero que eu assisti foi o Central do Brasil, com a diva e indicada ao Oscar, Fernanda Montenegro e do diretor Walter Salles. Uma pena que vi quando era pequena e ainda por cima na escola (com a barulheira típica de crianças), ou seja, não aproveitei muito do filme. Tenho que rever !

Na verdade, a única recordação que restou é não ir com a cara da Gwyneth Paltrow, que tirou o Oscar da Montenegro, com Shakespeare Apaixonado.

                             

O mais recente, e que eu estou doida pra ver, é o Livre com a Reese Witherspoon. Aparenta ser muito bom, tão falando até em Oscar, e é adaptado do livro homônimo de Cheryl Strayed. (Vale conferir !!)

                            

Gosto dessa vibe de colocar uma mochila nas costas e sair viajando, admiro a coragem de quem realiza isso, mas sou altamente consciente que essa aventura não combina comigo. É bonitinho nos filmes, já a realidade é bem mais crua, selvagem e (claro) recompensadora, do que mostram os filmes.

Eurotrip



Um clássico da minha adolescência, pra quem não gosta de filme “besteirol” americano, eu não indico; mas para quem quer se divertir sem levar as coisas muito a sério, recomendo e aviso : Tirem as crianças da sala!!

Duvido alguém conseguir assistir e não ter vontade de fazer mochilão pela Europa também.

Na Natureza Selvagem




Aqui a realidade é outra, dirigido por Sean Penn e roteiro adaptado do livro, este filme passa longe da comédia que eu citei acima. Baseado em fatos reais, conta a história do jovem Christopher McCandless vivido lindamente (pelo lindo) Emile Hirsch, que percorreu uma longa distância para seguir os seus ideais.

Até o momento, este é o meu filme preferido do gênero. Ótima pedida para fazer uma boa reflexão e curtir uma boa trilha sonora com belíssimas paisagens.

De Repente É Amor 



Ué, e De Repente É Amor é filme de viagem???

Saindo um pouco da linha mochila nas costas, vou indicar esse que a princípio é só mais um filme de romance, mas que pra mim tem um gostinho super especial.

É um filme bem simples, só que eu sou completamente apaixonada por ele. O casal é super fofo, as músicas são maravilhosas e a história deles é muito boa.

Além de se conhecerem em uma viagem, o casal em um determinado momento do filme, sem planejamento algum, pegam o carro e caem na estrada para uma viagem sem destino e absolutamente descompromissada. Se não me engano, praticamente não é uma viagem, pois eles logo logo voltam pra realidade deles, mas eu fiquei encantada pela forma como eles realizam isso : a estrada parece coisa de filme mesmo (aquela típica auto estrada americana), eles usam um carrinho velho, comem um monte de besteira, jogam conversa fora e param pra dormir no meio do nada. Quem não queria fazer uma coisa dessas com o namô?!



Crossroads

                      

Eu como uma boa adolescente dos anos 2000, assisti Crossroads – Amigas Para Sempre, com a Britney Spears (it's Britney, bitch !).

Assisti faz taaantos anos, que bateu até um medo de recomendar e pôr minha reputação em risco agora mesmo, mas não podia deixar de citá-lo. Vocês podem ter certeza que é um autêntico road movie e dá pra rolar uma nostalgia com as músicas e vendo uns rostinhos conhecidos de quando ainda eram novinhos.

A Vida Secreta De Walter Mitty

            

Esse foi o longa mais recente que vi com essa temática, e não fica atrás nem um minuto dos outros.

Continua com a proposta de belas paisagens aliado a uma história bacana, porém surpreende pelo jogo entre realidade e imaginação muito bem feito ao longo do roteiro. E também pelo ator principal ser o Ben Stiller, que sai um pouco das comédias e faz um bom papel nesse drama.

É leve, divertido, mas sem deixar de passar o seu recado. Adorei !

Transamérica
                              

Filme com uma temática beem polêmica, rendeu o Globo de Ouro para a atriz Felicity Huffman, que interpreta uma transexual que parte em uma viagem de carro com o seu recém-descoberto filho.

Vale conferir!!

Na Estrada




De cara o título entrega o tema do filme : na estrada, é na estrada mesmo! Assisti esse no embalo do Natureza Selvagem (que tinha visto à pouco tempo e me apaixonei), mas nem de longe me empolgou. É a adaptação do aclamado livro, "On the road" de Jack Kerouac, ícone da Geração Beats. Por conta de sua legião de fãs, esse foi um filme que carregou desde o começo uma grande pressão, tanto que teve seus direitos autorais passados por décadas, de mãos em mãos até chegar no corajoso Walter Salles, que ainda gastou mais um bom par de anos pra colocar ele pronto nas telas.

Em geral, gostei do filme. Talvez todas as minhas expectativas antes de assisti-lo pesaram um pouco em alguns momentos, ou a minha total ignorância da obra original, fazendo com que eu não entendesse algumas partes do filme, e em outros momentos, chegando a achá-lo ruim. Entretanto, ainda assim indico, porque assistir filmes como esse, que te provocam estranheza, te tiram do lugar comum, também é válido, pois traz para a nossa vida um novo olhar, uma nova perspectiva.

Cuidado porque sexo, drogas e álcool correm solto nesse filme, olha lá com quem vocês vão ver!!hahaha

                             

Diários de Motocicleta



Outro clássico road movie do Walter Salles, é um drama sobre a viagem de Che Guevara, ainda jovem, pela América do Sul, juntamente com o seu amigo Alberto Granado.

Aqueles que são interessados no gênero, não podem deixar de assistir.

Minha Road Trip


A minha viagem na estrada, não é como a dos filmes citados anteriormente, passa longe disso na verdade, então não espere tantas emoções a seguir.

Minha rota, é a Marabá ⇋ Recife, que eu conheço de todo jeito :

Já fiz de avião, ônibus, trem, e carro. Na nossa rota de carro, são quase 2.000 km de estrada, saindo do Pará, e cortando os estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pernambuco.

Esse ano tivemos uma grata surpresa na estrada! Pouquíssimos buracos, e em alguns trechos como o do Tocantins, podemos considerar um tapete ! Críticas apenas ao Pará, por uns 10 km da Transamazônica (sempre ela) que já melhorou muito, mas ainda é muito ruim, com estrada de chão e tudo.




Tenho amigos que sentem prazer em estar na estrada, já eu, ansiosa assumida, prefiro pular pra parte em que chego logo no destino, por isso, obrigada Santos Dumont !

Só que o carro te dá a liberdade de viajar com sua própria programação e em seu ritmo : ouvindo o que quiser, curtindo acompanhado de amigos ou da família, parando aonde bem entender. Enfim, tirar fotos, conhecer alguns pontos turísticos, escolher o local que vai comer...

Falando nisso, no almoço da minha última viagem teve uma historinha engraçada.

As vésperas do Natal, em pleno domingo, paramos para almoçar numa cidade do interior do Maranhão. Na beira da pista tem um restaurante ao lado do outro, no qual um parecia um boteco, mas estava com clientes ; e o outro, mais arrumadinho, tava vazio. Entramos no mais arrumado primeiro e me arrependi de cara! Cobravam por pessoa e a comida ruim. Na hora voltei pra trás, mas meus pais ainda ficaram retidos pelo pessoal do restaurante. Prometeram até a lua pra gente ficar por lá, mas não teve jeito. Fizemos exatamente o que ele mais temia : entramos no restaurante concorrente.

Fui na frente com o meu pai no outro, e lá era self service. Apesar de ser basicamente a mesma comida que tinha no outro, (será que é o mesmo chef de cozinha?) ia ser muito melhor financeiramente pra gente. Minha mãe, que não tinha ido com a cara do botequinho, relutou em sair do primeiro restaurante, mas para o nosso alívio logo seguiu a gente. Afinal, eu já tava com medo de uma retaliação do dono do outro restaurante, e dele ter prendido a bichinha lá.

Comemos ao som de uma música horrorosa, cuidadosamente escolhida pelo DJ/churrasqueiro/dono. Tirando o fato de um monte de gente ficar olhando pra gente como se fôssemos uma atração turística, deu tudo certo, porque nos alimentamos e nós três gastamos o valor de uma pessoa, comparando com o restaurante que visitamos primeiro.

O tal DJ, além do carro com o porta-malas aberto e o som ligado, tinha um microfone, e ele enquanto virava a carne numa mão, com a outra agradecia os seus clientes e fazia a maior propaganda do seu restaurante, além de agradecer bastante a Deus e ao mundo por todo o seu sucesso e tradição.

Na hora imaginei a cara do dono da concorrência, ouvindo essa história toda.



Aí o mais engraçado aconteceu. Em frente, tinha um grupo de pessoas esperando pra atravessar a rua, que olhava pra um lado e pro outro. Mas não pense que eles estavam olhando para os carros! O que eles olhavam era de um restaurante para o outro numa indecisão terrível !! Em qual entrar ?!

Decidiram, adivinhem só?! Pelo primeiro que entramos...mas eis que volta à nossa história o nosso querido DJ, que aumentou ainda mais o seu microfone e sem cerimônia reiniciou com força total a maior propaganda do seu negócio : Que é o melhor e mais barato da região, abençoado e com um cardápio riquíssimo de lasanha, strogonoff (que já tinha acabado), lasanha de novo, e muitas outras coisas...

Em meio aos risos, vi que o pessoal da cozinha rapidamente sacou uma lasanha gigante e colocou em cima do balcão, ao mesmo tempo em que toda a turma (que entrou no outro restaurante), entrava agora aonde nós estávamos, e não se fizeram de rogado, chegaram e já pegaram um prato.

Tá aí, pense numa estratégia boa essa do tiozão, que na maior simpatia, ainda nos agradeceu pela preferência na hora em que fomos embora de seu estabelecimento e seguimos estrada.

Enfim, não importa de que forma, ou com quem a viagem é feita, ela sempre é uma grande aventura que quando feita sem obrigações, além de ser uma fonte de prazer, nos traz conhecimento, aprendizado e muita cultura. Aproveitem, sempre !

                             

Vrrrum !!