quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A tal da “mana”

Foto: Rao Godinho/Divulgação. In: http://www.diarioonline.com.br/entretenimento/cultura/noticia-396777-fotografia-para-celebrar-mulher-paraense.html

Andei assistindo a atual novela da globo, que está tentando mostrar um pouco da cultura paraense e confesso que não me senti totalmente representada. Mesmo assim, gostando ou não, sempre é bom ter essa divulgação para o Pará deixar de ser tão estrangeiro para o próprio brasileiro.

Quero hoje falar um pouco desse estado, mas não adianta vir aqui falar que o paraense fala muito “égua” – o que é nada mais do que a verdade; falar das comidas típicas ou apontar as diferenças entre a fala e a cultura nas diversas regiões do estado. Essas informações são fáceis de encontrar pela internet. Hoje vou falar mesmo é das manas.

Mana, diminutivo de irmã, é como nós gostamos de nos referir umas às outras, na relação entre amigas, ou até mesmo se dirigindo à outra mulher desconhecida. Homens também chamam as mulheres de mana, e olha que às vezes nos dirigimos até mesmo aos homens, usando o tal do “mana”.

A mana é a típica paraense. Se você, mulher paraense, não se identificar com as características que eu vou comentar a seguir, não se preocupe! Essa é uma visão generalizada, que pode ainda não fazer parte da sua realidade, mas também pode um dia vir a ser, ou não.... enfim, fica calma mana, que nem toda mana é igual mesmo...

A paraense é antes de tudo, uma feminista! Vou explicar melhor: nós manas, somos independentes, alto astral, desbocadas, falamos sacanagem, gostamos de beber – na verdade, fazemos parte da galera da golada (muitas vezes fazendo até mais propaganda do que realmente bebendo), se der vontade, a paraense vai lá e puxa o homem quando quer dançar aquele brega marcante; faz o que quer, sem muitos pudores e receios do que os outros irão comentar. A mana estuda, trabalha e é cheia de sonhos, que independe do que o companheiro (a) quer para o futuro dela. A mana, às vezes faz merda e gasta o dinheiro que era pra trocar os óculos em cachaças ("Eu vou é beber esse dinheiro!"), mas o que ela não faz é deixar de ser livre e se divertir muito – principalmente com as outras manas.

Exemplos de mulheres trabalhadoras podemos ver no Brasil inteirinho – de Norte à Sul, assim como por todo o mundo. Só que hoje vou jogar uma luz só nas brasileiras que cresceram sob o calor de 41° (na sombra) do Pará; que parecem ainda conservar o sangue ancestral das guerreiras indígenas, que botavam moral e faziam de tudo um pouco em suas famílias, tal como fazemos hoje em dia.

Muita gente considera o Pará como uma terra atrasada. Em alguns aspectos, isso até que é verdade em alguns aspectos, mas é só viajarmos um pouquinho para percebermos o quanto pensamos diferente, ao encontramos outras mulheres, ainda não-manas, que apesar de toda sua força, continuam vivendo sob regras e desmandos machistas.

A mana sempre está na luta para se posicionar no mundo e mostrar do que ela é capaz. Vivemos em uma sociedade, que não aguenta mais o machismo, que clama por novos ares e menos injustiças. Filmes, novelas, séries, livros, programas de TV....os exemplos não param, em todo lugar, midiático ou não, vemos o clamor das mulheres, manas, guerreiras, por apenas, igualdade.

Fonte: ‘‘Icoaraci Da Depressão.’’ (Facebook)