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| Imagem retirada da web |
Maktub, quem já ouviu falar? Se foi na novela O Clone, tá valendo, porque foi de lá que eu também ouvi. Em 2001, quando passou pela primeira vez na TV, me apaixonei pela músicas, o que me levou a admirar e procurar saber mais sobre a cultura oriental (parte indiana e árabe) até hoje: experimentando algumas comidas, mais músicas, alguns livros e outras coisitas.
Apesar de ser Católica, me pego muitas vezes paquerando o esotérico. Nunca foi nada planejado, foi um presentinho ou outro que ganhei desde criança, e ao passar do tempo, por curiosidade fui adquirindo outros, que acabou em alguns incensos, tapete de yoga e uma estante, digamos, eclética: tenho imagens de anjinhos e da santinha, mas bem ao lado vem uma imagem de buda, a carranca nordestina, o gato da sorte, o daruma, uma bruxinha que a gente esconde a vassoura e por aí vai....e o pior é que muitas vezes eu me pego acreditando neles. Fora as pulseiras, terço e escapulário que não posso sair sem.
Contrariando toda a lógica e bom senso, sempre fui supersticiosa, acredito em signos (tô aprendendo o meu mapa astral ultimamente), fluxo de energia e etc. Adoro histórias de mitologia (principalmente a grega) e lendas. Hábitos e crenças que vieram de influências aqui e ali da família e que com o passar do tempo foram pioran – digo, crescendo. Sempre me divirto contando a história de que quando eu estava no terceiro ano, a professora de literatura explicou a obra “Gabriela Cravo e Canela” e passou a dica de que Gabriela usava cravo e canela para atrair os homens. Nem preciso falar que sai correndo pro shopping com uma amiga, procurando as essências de cravo e canela para fazer uma “poção” e ir pras festas de São João. Claro, também, que não deu certo e acabamos optando por comprar chiclete de canela e ver se dava pro gasto. E deu.
De uns anos para cá, ando me consolando toda vez que algo dá errado, com uma simples fórmula: não era para ser. Não era o momento certo, tudo tem a sua hora e blá blá blá. Aí lembro de outros momentos em que algo deu errado mas que lá na frente essa teoria se comprovou por tudo funcionar facilmente, e até mesmo com resultados bem melhores que a expectativa. Nesses momentos me recordo da palavra Maktub – estava escrito.
Pode soar ridículo em alguns momentos, mas tem me ajudado bastante esse pensamento. Eu vivo perdendo o ônibus, só que tem dias que eu consigo correr e pegar; em outros não, aí logo quando eu perco, eu penso: “Bom, não era para eu estar nesse ônibus, então não sou eu que vou atrapalhar o meu destino (ou anjo da guarda), né?!”
Você, caro leitor, deve estar rindo da minha cara agora – eu sei, eu também estou, mas antes que me julgues mal, eis aqui dois exemplos singelos de que isso não é uma total idiotice:
Eu sou muito estressada, e rápido fico zangada, então ontem, quando estava na parada de ônibus e o motorista fez o favor de queimar a parada e me deixar lá, você pode imaginar a minha reação, certo? Para piorar, vou detalhar mais o cenário: já passavam das 18h, eu estava saindo do trabalho exausta, nessa parada de ônibus não tem uma parada propriamente dita, então fica todo mundo em pé, no meio da poeira e com carros, motos e caminhões passando por entre a gente. Ah, e tem mais....muitas vezes, nesse horário, o ônibus costuma atrasar e passar só lá pras 18:30, e eu tava louca pra chegar em casa, comer e ver um filme. Bom, ônibus perdido, com direito a correr um pouco pra ver se ele não ia parar mais lá na frente, me vi nessa situação frustrante e já prevendo o sentimento de raiva que viria em seguida. Foi então que engatei uma série de respiração profunda e entoei o mantra: “não era pra ser, não era pra ser...., esse não era o meu ônibus”. Não passou muitos segundos, eu de repente já estava numa boa. Fiquei tão orgulhosa de mim. Ah, e logo logo passou outro, vazio e com janelas melhores – pude ler meu livro tranquila e com ventinho na cara.
Hoje de manhã foi ainda mais legal. Como tô madrugando para ir pra academia, o horário para me arrumar pra faculdade/trabalho está corridíssimo. Aí, eis que me atraso uns minutinhos e perco logo dois ônibus (sim, eles dão para andar unidos quando querem, para a gente perder vários de uma só vez). O problema é que a minha aula acontece em um campus afastado do centro, que têm disponíveis ônibus da universidade pontualíssimos e com horários restritos, então, muito provavelmente eu iria perder ele e complicar a manhã toda. Enquanto tava na parada contando as moedinhas para ver o que eu poderia fazer
, e já esperando os piores cenários, eis que surge o inesperado: meu avô, que estava indo justamente resolver uns problemas ao lado da minha universidade, e olha que ele já tinha ido mais cedo e chegado lá perto, só que teve que voltar para pegar um objeto esquecido – para minha total sorte, esse azar dele o fez retornar e dar de cara comigo na parada de ônibus. Ganhei uma carona até a porta da minha sala, e tem mais: ainda viemos juntos na volta!
Foi minha sorte? Anjo da guarda? Bom suporte familiar? Eu não sei, mas que é um Maktub, isso é! :)
Todo esse papo é piegas, eu sei. Muita gente não acredita em nenhuma força sobrenatural ou algo do tipo, e eu entendo totalmente, mas muitas vezes penso que a religião e o esoterismo nada mais são do que isso: eles são nosso suporte, aquele pensamento em que nos agarramos no momento de aperreio, que acalma o nosso coração e que, querendo ou não, nos deixa em melhores condições para pensar friamente nas soluções. Também está ao nosso lado nos momentos de alegria! Momentos frustrantes ou decepcionantes chegam e nos colocam para baixo, e quanto a espernear, todo mundo sabe que não adianta, então é melhor mesmo seguir em frente e pensar em alternativas positivas. E afinal, de que nos adianta 100% de racionalidade?
Para quem tiver interesse, apesar de limitado o meu conhecimento oriental, recomendo a leitura do livro d’ “As mil e uma noites” tradução dos manuscritos direto para o português pelo Mamede Mustafa Jarouche (4 volumes) e o livro, forte, mas lindo “Em busca de um final feliz” de Katherine Boo, que eu já escrevi sobre, aqui:
Apesar de ser Católica, me pego muitas vezes paquerando o esotérico. Nunca foi nada planejado, foi um presentinho ou outro que ganhei desde criança, e ao passar do tempo, por curiosidade fui adquirindo outros, que acabou em alguns incensos, tapete de yoga e uma estante, digamos, eclética: tenho imagens de anjinhos e da santinha, mas bem ao lado vem uma imagem de buda, a carranca nordestina, o gato da sorte, o daruma, uma bruxinha que a gente esconde a vassoura e por aí vai....e o pior é que muitas vezes eu me pego acreditando neles. Fora as pulseiras, terço e escapulário que não posso sair sem.
Contrariando toda a lógica e bom senso, sempre fui supersticiosa, acredito em signos (tô aprendendo o meu mapa astral ultimamente), fluxo de energia e etc. Adoro histórias de mitologia (principalmente a grega) e lendas. Hábitos e crenças que vieram de influências aqui e ali da família e que com o passar do tempo foram pioran – digo, crescendo. Sempre me divirto contando a história de que quando eu estava no terceiro ano, a professora de literatura explicou a obra “Gabriela Cravo e Canela” e passou a dica de que Gabriela usava cravo e canela para atrair os homens. Nem preciso falar que sai correndo pro shopping com uma amiga, procurando as essências de cravo e canela para fazer uma “poção” e ir pras festas de São João. Claro, também, que não deu certo e acabamos optando por comprar chiclete de canela e ver se dava pro gasto. E deu.
De uns anos para cá, ando me consolando toda vez que algo dá errado, com uma simples fórmula: não era para ser. Não era o momento certo, tudo tem a sua hora e blá blá blá. Aí lembro de outros momentos em que algo deu errado mas que lá na frente essa teoria se comprovou por tudo funcionar facilmente, e até mesmo com resultados bem melhores que a expectativa. Nesses momentos me recordo da palavra Maktub – estava escrito.
Pode soar ridículo em alguns momentos, mas tem me ajudado bastante esse pensamento. Eu vivo perdendo o ônibus, só que tem dias que eu consigo correr e pegar; em outros não, aí logo quando eu perco, eu penso: “Bom, não era para eu estar nesse ônibus, então não sou eu que vou atrapalhar o meu destino (ou anjo da guarda), né?!”
Você, caro leitor, deve estar rindo da minha cara agora – eu sei, eu também estou, mas antes que me julgues mal, eis aqui dois exemplos singelos de que isso não é uma total idiotice:
Eu sou muito estressada, e rápido fico zangada, então ontem, quando estava na parada de ônibus e o motorista fez o favor de queimar a parada e me deixar lá, você pode imaginar a minha reação, certo? Para piorar, vou detalhar mais o cenário: já passavam das 18h, eu estava saindo do trabalho exausta, nessa parada de ônibus não tem uma parada propriamente dita, então fica todo mundo em pé, no meio da poeira e com carros, motos e caminhões passando por entre a gente. Ah, e tem mais....muitas vezes, nesse horário, o ônibus costuma atrasar e passar só lá pras 18:30, e eu tava louca pra chegar em casa, comer e ver um filme. Bom, ônibus perdido, com direito a correr um pouco pra ver se ele não ia parar mais lá na frente, me vi nessa situação frustrante e já prevendo o sentimento de raiva que viria em seguida. Foi então que engatei uma série de respiração profunda e entoei o mantra: “não era pra ser, não era pra ser...., esse não era o meu ônibus”. Não passou muitos segundos, eu de repente já estava numa boa. Fiquei tão orgulhosa de mim. Ah, e logo logo passou outro, vazio e com janelas melhores – pude ler meu livro tranquila e com ventinho na cara.
Hoje de manhã foi ainda mais legal. Como tô madrugando para ir pra academia, o horário para me arrumar pra faculdade/trabalho está corridíssimo. Aí, eis que me atraso uns minutinhos e perco logo dois ônibus (sim, eles dão para andar unidos quando querem, para a gente perder vários de uma só vez). O problema é que a minha aula acontece em um campus afastado do centro, que têm disponíveis ônibus da universidade pontualíssimos e com horários restritos, então, muito provavelmente eu iria perder ele e complicar a manhã toda. Enquanto tava na parada contando as moedinhas para ver o que eu poderia fazer
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Foi minha sorte? Anjo da guarda? Bom suporte familiar? Eu não sei, mas que é um Maktub, isso é! :)
Todo esse papo é piegas, eu sei. Muita gente não acredita em nenhuma força sobrenatural ou algo do tipo, e eu entendo totalmente, mas muitas vezes penso que a religião e o esoterismo nada mais são do que isso: eles são nosso suporte, aquele pensamento em que nos agarramos no momento de aperreio, que acalma o nosso coração e que, querendo ou não, nos deixa em melhores condições para pensar friamente nas soluções. Também está ao nosso lado nos momentos de alegria! Momentos frustrantes ou decepcionantes chegam e nos colocam para baixo, e quanto a espernear, todo mundo sabe que não adianta, então é melhor mesmo seguir em frente e pensar em alternativas positivas. E afinal, de que nos adianta 100% de racionalidade?
Para quem tiver interesse, apesar de limitado o meu conhecimento oriental, recomendo a leitura do livro d’ “As mil e uma noites” tradução dos manuscritos direto para o português pelo Mamede Mustafa Jarouche (4 volumes) e o livro, forte, mas lindo “Em busca de um final feliz” de Katherine Boo, que eu já escrevi sobre, aqui:
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