quarta-feira, 30 de novembro de 2016

No desenho tem casal gay, e agora?

The Loud House da Nick

Já perceberam que temos a mania de medir a vida dos outros com a nossa própria régua?! O que desejamos ou achamos certos para nós, muitas vezes pensamos que também é o certo e/ou adequado para o outro, o que claro, acaba dando errado.

Um exemplo que está em pauta por esses dias é a polêmica do aborto. Eu sou a favor da liberação do aborto, mas calma lá, eu não tenho a menor intenção de fazer um e espero, se Deus quiser, nunca precisar passar por uma dessas. Só que não é porque eu não concordo e não quero para a minha vida, que eu devo tomar a decisão por todas as outras mulheres. Sabe se lá quais condições físicas, psicológicas e até mesmo financeira, essa mulher está passando para tomar uma atitude tão extrema assim. Muitas vezes as coisas fogem ao nosso controle e inúmeras graves situações levam a mulher a cometer esse ato, então, para eu dizer: “Se não quer engravidar, que não abra as pernas”, além de mesquinho, pode sair muito longe da realidade.

Outra pauta é a do casamento gay e, linkado a ele, a questão da adoção por parte de casais homossexuais.

Aqui a história da régua volta a se cumprir, com um agravante: as pessoas temem fervorosamente serem influenciados, ou terem seus filhos influenciados ao homossexualismo ao ver, ou conviver, com um casal homo afetivo. Esses dias, presenciei um diálogo do tipo, e é interessante o quanto essa ideia ainda é comum.

Eu ando apaixonada por um desenho da Nickelodeon chamado The Loud House, que conta a história de Lincoln Loud, um garoto de 11 anos que tem dez irmãs. Todo episódio é bem divertido e bonitinho, e sempre conta com uma lição que a personagem aprende ao final. No que eu assisti esses dias, ele tava chateado porque os pais não conseguiam dar atenção para ele, pois as meninas exigem muito, aí o seu melhor amigo, Clyde McBride, chama ele para ir a sua casa, pois lá o seu pai poderia ajudá-lo no projeto de ciências que ele precisava terminar. Chegando na casa do amiguinho, eis que eu descubro: o Clyde tem dois pais.

Não sei se em episódios anteriores essa situação inusitada já tinha sido comentada, mas neste episódio, o caso não é nem citado. Lincoln adora a atenção que recebe na casa do amigo, que é o oposto da loucura em que convive em sua casa, e ao longo da história sempre os chama de pais do Clyde: his two dads (os dois pais dele) ou Clyde’s dads (os pais do Clyde).

Na história não tem nada fora da normalidade: Clyde é uma criança bem cuidada por seus pais, e que fique claro aos medrosos de plantão, é apaixonado pela irmã mais velha do Lincoln; no episódio, o casal dá atenção e cuida de todas as irmãs Loud, mas também quando a barra fica pesada, tratam de despachar toda aquela creche de volta para a casa deles; ninguém apresenta qualquer preconceito ou desrespeito contra a família dos Mcbrides, nem os pais do Lincoln, nem as crianças.

Moral da história: o desenho não tá fazendo nenhuma lavagem cerebral. Ele só mostra uma realidade, há muito oculta pela própria sociedade. A criança não vai desejar o mesmo sexo após ver essas situações, porque isso não é uma virose que se pega no ar. Até porque ver casais do sexo oposto também não vai influenciar ninguém. Infelizmente, não sei de estudo nenhum que explica por quê uma pessoa é ou não homossexual, meu conhecimento só vai até o senso comum, no qual é fácil perceber quando alguém é gay desde pequeno, independente de quanto a sua família tenta impedir ou negar, e quando não é.

A criança-pré-adolescente-adolescente ou algo que o valha, que estiver assistindo esse desenho, deveria aprender que casais assim como os pais de Mcbride existem na vida real, e por isso ela tem que respeitar e aprender a conviver. Ela deveria aprender que o fato deles serem gays, não vai torná-los nem melhores nem piores que ninguém, e sim normais, cheios de defeitos e cheios de qualidades. A criança que é gay, quando assistir um desenho assim, vai ver que não resta para ela um futuro de tristeza e/ou revolta, e sim que ela tem a chance de construir uma família como qualquer outro. Os pais do Clyde tão lá na TV não para mostrar que é lindo gostar do mesmo sexo e levar todo mundo para a irmandade, e sim falar que eles existem e ponto.

Não é porque eu sonho em ter um marido e criar uma família, que eu tô no direito de desejar o mesmo sonho para todo mundo: “Olha, agora todos têm que ter filho; ninguém pode ser gay; blá blá....”. O gay não tem o direito de querer que todo mundo seja gay também, só porque ele é, e o mesmo acontece com os heteros. Mas, é aquela velha história, como somos todos humanos, acabamos sempre errando e medindo com a mesma porra de régua para todos, e o ciclo nunca acaba. Então, só nos resta assistir mais desenhos como estes, porque, cá entre nós, o Lincoln é muito fofo, como também as suas dez irmãs loucas.

Fica a dica: Quem quiser, assiste esse desenho em inglês, é muito show o vocabulário que eles usam, dá pra dar uma treinada boa. É só trocar o áudio na TV por assinatura, ou ver nesse link abaixo:


Família do Clyde

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Feliz Dia das Bruxas!


Oh, olha. É outubro! – Eu sei.

Outubro é o mês do Halloween!! – apesar que a comemoração é só no dia 31, que é tecnicamente novembro, mas ignoremos isso. Voltando, em outubro é celebrado no mundo todo o Halloween, que aqui no Brasil, chamamos de Dia das Bruxas, ou Dia do Saci. Ao contrário de como ocorre aqui, essa festa é muito tradicional, principalmente nos países de língua Inglesa, e como a cultura deles é muito divulgada no mundo todo, acabamos recebendo um pouco da empolgação deles por essa festa – culpa dos milhares de filmes, e episódios especiais nos desenhos e seriados norte-americanos que vemos com essa temática. E esse ano, desde agosto/setembro eu vejo os comentários entusiasmados dos gringos nas redes sociais, que não viam a hora dessa época do ano chegar.

Em geral, não há essa tradição no Brasil. Temos algumas festas temáticas ou comemorações das Escolas de Idiomas, mas, é claro, tudo bem diferente de como vemos em outros países. Fica a dica se você for convidado para uma dessas festas : não vá fantasiado, ou você vai ser tão compreendida(o) quanto a Cady em Meninas Malvadas. Fica por sua conta e risco.

Por que você está vestida tão assustadoramente?
É Halloween.

Eu sempre gostei de assistir tudo com a temática do Halloween, assisti muito, principalmente os filmes infanto-juvenis; e é nessa época do ano que aparece uma enxurrada deles na TV e no cinema, além dos filmes de terror de praxe. Já esses, não são muito a minha praia, vi muito poucos, talvez pelo fato de não me dar bem com aqueles sustos, o suspense e, principalmente, não consigo ver aquelas mortes sinistras.

Algumas vezes me reuni com amigos para vermos filmes assim. Posso soar contraditória, mas apesar desse gênero ser muito ruim, ele é ótimo para ver com um monte de gente : porque todos os elementos desses filmes que te aterrorizam, torna-se divertido quando você está em grupo. Dentre vários filmes de terror, vimos também Todo mundo em pânico (tá, isso não é terror), e alguns clássicos de suspense, como O Sexto Sentido. Na maioria das vezes eu aproveitava para assistir o que sempre quis ver, mas não tinha coragem sozinha, como o episódio de Supernatural em que aparece a Bloddy Mary (que eu me pelo de medo e fico sem poder olhar para espelho por um bom tempo). De outra vez, vi o suspense Se7en - Os Sete Crimes Capitais, que na verdade foi um verdadeiro terror – passei a semana toda bolada com algumas das mortes que vi, antes tivesse uns fantasmas e uns sustos, seria melhor. 

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De um tempo pra cá, depois de tanto ver os anúncios de especiais de Halloween na TV, decidi sair um pouco do meu estilo e assistir alguns desses filmes e tomar um sustinho ou outro. Ano passado assisti dois:

1- Os outros (2001) – Nicole Kidman.

Os outros é um clássico do suspense. A fórmula para o sucesso do filme é a excelente atuação de Kidman, e a forma com que o roteiro e a direção conduzem a temática sobrenatural – com muito mistério e uma trama bem construída. Valeu a pena!

2- Zumbilândia (2009) – Jesse Eisenberg, Emma Stone.


Zumbilândia é uma mistura de terror com comédia, que me agradou bastante. Não é um filmaço, e provavelmente você não irá ver duas vezes, mas diverte e dá uns sustos “pacíficos”. Indico principalmente pelos atores que gosto – e desindico pelo mesmo motivo, caso você não vá com a cara deles.

Neste ano, quando iniciou outubro, comecei minha maratona, dessa vez um pouco mais ousada. Mês passado, vi tranquila um filme de terror de tubarão, Águas Rasas, e até gostei, ai me deu coragem para escolhas mais assustadoras dessa vez. Outra coisa que me impulsionou foi que resolvi ver pra depois compartilhar aqui no blog a experiência.

Escolhi quatro, sem grandes critérios : dei uma olhadinha na crítica, nos atores, e no fim pareceu que foram escolhidos a dedo, porque acabaram se complementando. 

1- Deixe-me Entrar – Let me in (2010) – Kodi Smit-McPhee; Chloë Grace Moretz.

O primeiro foi o mais especial desta seleção. Forte, sangrento, e com vários momentos assustadores, que não se limitam a sustos, pois o teor da história se encarrega disso sozinha. Ah, esqueci de falar, essa é uma história de vampiros, baseada no filme sueco de 2008 e no livro de John Ajvide Lindqvist. Há boatos que essa versão sueca é melhor, mas aprovei a produção hollywoodiana.

Fugindo um pouco de sinopses, para não tirar a graça do filme, esse longa torna-se muito mais forte (e profundo até) se você prestar atenção na triste realidade de abandono e abusos do solitário menino, como também na do pai da menina e em tudo que ele teve que passar, por tantos anos. 






2- Quando as Luzes se Apagam – Lights out (2016) – Teresa Palmer; Maria Bello.

Esse filme mantém aquele estilão de filme de terror com aparições sobrenaturais que tocam o terror em todo mundo. Para piorar, a tal só aparece no escuro, ou seja, querem que a gente assista e não consiga mais deixar luz nenhuma apagada depois.

Na real, meu medo foi maior antes de ver o filme, do que durante. O trailer acabou assustando muito mais, ainda bem. Talvez por eu ter assistido com as luzes acessas ajudou – fica a dica, então.

3- A Morte Pede Carona – The Hitcher (2007) – Sean Bean; Sophia Bush.

Esse é o clássico do psicopata que sai matando todo figurante que aparece na frente. A primeira versão é muito famosa, mas eu acabei vendo essa, que não foi tão boa assim, e fica no ar a dúvida se o problema foi da refilmagem ou se nenhum presta. Para assisti-lo, não se preocupe com dúvidas sobre que está acontecendo, pois elas não serão respondidas, agora se o seu objetivo for ver um filme de terror na estrada, então ele vai cumprir o papel direitinho. O bom é não criar expectativas e exigências. Vi na web, que esse filme tá classificado como slasher, que seria uma espécie de terror classe B com um serial killer. Ou seja, ele não é pra ser bom mesmo, e é aí que está a graça. 

4- A Hora do Pesadelo – Nightmare on Elm Street (2010) –- Rooney Mara.

Quem nunca ouviu falar do Freddy Krueger? Refilmagem do clássicos dos clássicos, mistura sobrenatural com uma história que terrivelmente poderia ser real.

Assistir esse filme é interessante por vários motivos. Primeiro pela sua alta originalidade e criatividade (quem diabos teve a ideia de criar esse monstro?!). Segundo, pela emoção de enfrentar o alto risco de ficar impressionado (a) e terminar sonhando com o dito cujo (sim, fiquei com medo). Terceiro, porque essa história pega pesado em alguns momentos. Deixa eu explicar :

Freddy é um ser sobrenatural peculiar, que só pode atacar as pessoas no mundo dos sonhos, sendo que tudo o que a pessoa sofre nesse mundo, resulta na vida real também. Os jovens da Rua Elm, estão tendo o mesmo pesadelo macabro e a tensão do filme está quando não sabemos se a cena que está ocorrendo é no sonho de alguém ou se é na realidade (dúvida que é sanada assim que Freddy mostra sua cara feia); e também quando os personagens, com medo de dormir (lógico), começam a perder esse controle e tiram pequenos cochilos a qualquer momento.

Para mim, o pior momento do filme foi com a revelação da história do Freddy e a conexão dele com esses jovens que estão sendo atacados, revelando uma história macabra de abusos, que assusta mais do que qualquer ficção.

Se você não ficar na nóia por causa dessa história das crianças ou temendo ter pesadelos com o Freddy, o filme nem assusta tanto assim; eu esperava mais! Fora que é mal feito (novidade!). Talvez, de novo, o problema está nessa versão que assisti.

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Dentre os quatro deste ano, o melhor disparado foi o Deixe-me entrar, pela maior profundidade do roteiro e atuações; muita gente pode assistir e não interpretá-lo tal como eu fiz, porque na verdade o que mais me tocou não foi a temática vampiresca, e sim tudo o que o garoto passa na escola, a negligência familiar e o que lhe reserva no futuro. Além da expressividade no olhar do ator que é impressionante. Enfim, essa historinha dele, principalmente pelo bullying sofrido na escola, me fez pensar mais no filme como um terror psicológico.

Há uns anos atrás vi um filme do gênero terror psicológico, e provavelmente não quero repetir a experiência. Foi o Menina Má.com (2005). O pior é que eu nem posso dizer que vi, na verdade. Eu estava zapeando na TV, quando vi que esse filme estava passando; reconheci os atores e me interessei para ver, antes não o tivesse feito : ele conta a história de uma adolescente que seduz e depois passa a torturar um pedófilo. Quando saquei o que estava acontecendo, tentei mudar de canal, mas não consegui me desligar do filme, e a toda hora acabava voltando e vendo uma cena pior que a outra. Entrei na internet e pesquisei sobre do que se tratava o filme, o que só piorou tudo : ela foi baseada em casos reais de jovens japonesas que atraiam empresários mais velhos, para depois assaltá-los e agredi-los. Nessa pesquisa, achei um artigo que falava sobre o filme e explicava o que era esse gênero de terror psicológico, e o quão terrível ele poderia ser com tão pouco : um silêncio opressor, e cenas violentas que não são mostradas na íntegra, muitas vezes aterroriza mais do que o sangue falso jorrando na tela. Eu senti isso na pele, e fiz ainda pior ao trocar tanto de canal e imaginar mais as cenas do que simplesmente assisti-las. Acho que terei que fazer igual como quando vi o episódio de Sobrenatural – assistir para desmonstrificar, se é que isso existe.

Assistir um filme de terror/suspense me pareceu como andar naqueles brinquedos radicais de parques : dá aflição, frio na barriga, acelera o coração. Talvez essa seja a fórmula do tamanho sucesso de público que eles têm – não precisa lá de grandes empenhos por parte de toda a produção, bastando apenas despertar alguma dessas emoções no espectador, seja ela de medo, tensão, ou no mínimo raiva e frustração por não ter sido tudo o que você esperava, tarefa essa bem mais simples do que a que os outros gêneros enfrentam quando precisam tocar os nossos corações, fazer rir, chorar, ou exigindo mais raciocínio e atenção. Mas sabe que é bom sair da zona de conforto de vez em quando?! No mínimo você checa se seu coração tá ainda forte, com os sustos, ou termina por valorizar mais os filmes que você usualmente vê, pois tá vendo que tem coisa pior?!