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| Beijing Road - Guangzhou, China |
Nihao
Em junho, realizei uma viagem de negócios para a República da China, como intérprete da empresa em que eu trabalho, em uma verdadeira maratona que envolveu 8 cidades em 15 dias, viagens de avião, trens, visitas a fábricas.... muita coisa aconteceu, e vou fazer um apanhado das coisas mais legais que vivi por lá.
IDA
A maratona começou ao sair de Marabá e gastar algumas (muitas) horas em aeroportos : Belém, São Paulo (GRU), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e finalmente a nossa primeira cidade, Taipei (Taiwan).
Aparentemente foram três dias de viagem, só que na realidade não é tanto assim. Para (não) entender a questão do tempo, eu saí na sexta (hora local) e cheguei lá no domingo (hora local), mas na verdade a diferença de tempo são de apenas 11 horas, no caso da China estando no futuro. A viagem aparenta ser mais longa, porque tem a espera na conexão e cada vez mais vamos, literalmente, perdendo tempo para o fuso horário. Na viagem de volta a viagem é para o passado, então ganhamos todo esse tempo de volta e por isso no “mesmo” dia em que saímos, chegamos. : )
Toda a República Chinesa segue o horário de Pequim, o que inclui Taiwan e Hong Kong, que são regiões independentes, pero no mucho. Tecnicamente, tudo é China, mas as três regiões têm moedas diferentes: Taiwan – Dólar Taiwanês TWD, que equivale a multiplicar o valor por 0,10 para dar o valor em real; Hong Kong – Dólar de Hong Kong HKD, que aproximadamente é só dividir por 2 para saber quanto fica em real, o mesmo para a moeda chinesa – Yuan CNY (nome oficial), e popularmente conhecida por Renminbi RMB. Outra diferença inicial é que os três tem solicitações diferentes para a entrada no país: Hong Kong não pede visto de brasileiros, e para Taiwan e China (Mainland, como eles chamam o território principal) foram vistos diferentes.
Durante o voo principal GRU-DXB-TPE, viajei pela companhia Emirates, no A380, o maior avião do mundo, com direito ao desenho do time do Real Madrid e o escudo pintados na lataria. Foi uma grata surpresa saber o tanto de coisa que dá pra fazer durante a viagem, se não tivermos cuidado, nem lembramos de ler o livro que levamos. O serviço de bordo é ótimo, a comida gostosa e farta, e nas tv’s individuais dá para ouvir música árabe, indiana e as ocidentais, além de videoclipes novos e antigos; seriados; muitos filmes e o melhor de tudo: temos acesso wi-fi grátis, dá para mandar mensagens e até fotos para qualquer lugar! Também temos acesso a três câmeras do lado de fora do avião, uma atrás, outra embaixo e uma na frente. No avião já dá pra começar a gastar o Inglês – apesar de que alguns comissários falam Português também, e a maioria dos filmes novos não tem legenda em port, nem são dublados.
DUBAI – Emirados Árabes Unidos
Ao chegar no aeroporto de Dubai, na ida, me encantei com a estrutura e beleza do terminal B e já me animei com as lojas, mas apesar de nossa moeda ser mais valorizada que o Dirham AED deles, os preços são bem parecidos com os praticados no Brasil. Aconselho a não deixar para comprar nada na volta, pois no meu caso, fiquei em outro terminal (C), que tinha lojas mais simples e com menos opções (pelo menos tive a impressão de que os preços eram melhores nesse segundo terminal). Uma coisa que percebi ao conhecer os terminais B e C, e que voltarei a mencionar ao longo do texto, foram as diferenças entre manter o tradicional vivo, e abrir as portas para o ocidente. Explico:
O terminal B tem tudo o que esperamos de Dubai, muita modernidade, luxo, grandes marcas, tecnologia, e uma grande arquitetura. Passei horas agradáveis andando por ali. Detalhe, era noite, quase madrugada.
Enquanto que no terminal C, encontrei uma outra cara de Dubai, um pouco menos com a cara dos prédios luxuosos que vemos na TV, e mais parecido com um mundo árabe, com desertos e oásis. Lá, por exemplo, tinha palmeiras na decoração, e um painel enorme retratando cavalos correndo no deserto; para completar, estava amanhecendo quando cheguei, daí a luz solar estava dando um aspecto amarelado ao ambiente – contrastando com o ar lustrado e engomadinho do outro terminal. Adicionando, senti o ar bem seco, o que desagradou bastante a minha asma, e gentilmente me lembrou que eu estava no meio do Deserto da Arábia.
As lojas vendem lâmpadas do gênio e camelos, mas ao mesmo tempo maquiagens Chanel, fones de ouvido e pacotes de M&M. É engraçado como podemos comprar artigos tão únicos da região, mas ao mesmo tempo tem pacotes de leite Ninho pra vender e shampoos Pantene.
Em ambos os terminais vi pessoas de diversas culturas, incluindo muitos indianos e árabes com os seus trajes típicos. Notei que os banheiros masculino e feminino estavam um tanto mais afastados do que o costume; notei que tinham salas de oração separadas para homens e mulheres e em um determinado local, também tinham salas de esperas com esse tipo de divisão. No entanto no saguão, vida normal, todo mundo junto, e o melhor, sem diferença de tratamento por parte dos locais comigo.
TAIPEI – TAIWAN
Em Taiwan, a primeira impressão foi desapontante, pois de uma cidade que eu só ouvi falar em modernidade, achei o salão de desembarque muito simples (principalmente depois do impacto de Dubai), e na verdade, com um forte cheiro de mofo. O nosso transfer foi feito em uma espécie de ônibus-van modelo antigo, mas conservada, e para completar, a paisagem até o hotel foi de uma longa estrada com vários prédios tipo “caixão”, monocromáticos, e com a maior pinta comunista. Me lembrei muito de uma cena no filme que vi recentemente: Tudo Por Uma Esmeralda (1984) quando a mocinha desembarca na Colômbia.
Bom, nem precisa falar que essa primeira imagem foi totalmente derrubada a partir do momento em que pisei no hotel e comecei a conhecer a cidade. Taipei é bem moderninha, tem muito prédio lindo; dá pra se virar tranquilo com o Inglês (detalhe importantíssimo); é cheio de fast-food, tem até supermercado Carrefour! E quanto ao aeroporto, na viagem de volta, a impressão foi totalmente superada pelo lindo saguão de entrada e principalmente os portões de embarque temáticos – pra completar, o nosso transfer da volta foi em uma Mercedes, com direito a chofer. A entrada e a saída do país não poderia ter sido mais diferente.
COMPRAS
Como falei, a moeda taiwanesa é bem desvalorizada com relação ao real, por exemplo, R$100,00 ficaria em torno de $1.000,00 TWD, mas em compensação se você vai comprar algo que custa 100 conto no Brasil, lá vai custar...1.000TWD! Ou seja, trocando 6 por meia dúzia. Como não rola os preços de banana tão sonhados, nem mesmo nos eletrônicos, o bom mesmo é comprar coisas locais, que não se acha pelo mundo. Uma amiga minha de lá me falou a opinião dela sobre esse assunto: ela acha que o mercado de lá não é tão grande, por isso, apesar dos produtos muitas vezes serem produzidos lá, não tem um preço baixo; já no Brasil, em São Paulo por exemplo, devido ao grande mercado, eles podem baixar o preço e deixar iguais aos praticados no país de origem do produto.
Taipei é bem moderno, você encontra muita coisa do mundo ocidental por lá, como a famosa franquia de bar americano Hooters, o 7 eleven uma franquia internacional de conveniência (que até ontem eu nunca ouvi falar) mas que parece uma praga de tantas que tem por todo lugar que andei. O shopping Taipei 101 é lindíssimo e tem um observatório de Taiwan no alto de seu prédio (preste atenção nas telas de informações que tem por lá, pois eles avisam a qualidade da visibilidade, para não dar viagem perdida); o engraçado desse shopping é que ele tem vários andares e quanto mais você sobe, mais encontra lojas enormes de grifes como Dior, Chanel e Cartier, e quanto mais desce, as lojas simplificam até chegar no primeiro piso que tem mercadinho e lojas “normais”, proporcionalmente também é a quantidade de pessoas: quanto mais alto, menos gente andando pelo shopping – acho que eles não são tão diferentes de nós, não é mesmo?!
Em frente ao Taipei 101 tem o Att 4 fun, que parece ser uma loja com muitas lojas dentro...não entendi muito bem, mas acho que podemos definir como um shopping que tem de tudo um pouco. Legal mesmo são os mercados noturnos, tem um monte pela cidade, mas acabei escolhendo o Raohe St. Night Market porque tem o templo da deusa do mar Mazu, o Templo Ciyou. O mercado é bom para comer, tem muita coisa exótica, o máximo que eu tive coragem foi de encarar uns bolinhos fritos de batata doce. Em alguns momentos o cheiro das comidas chega a ser insuportável, parece que tem alguma coisa muito errada acontecendo – segundo um taxista muito simpático, o cheiro supostamente era do Stinky Tofu (tofu fedido), e ele falou que é gostoso, mas muita gente nunca experimenta por causa do cheiro peculiar. Quando voltei para o Brasil, fui pela primeira vez no Mercado do Ver-O-Peso (Belém), e adorei sentir o fedorzinho familiar de nossas feiras – é muito estranho para mim o deles, e acredito que os chineses devem ter a mesma sensação ao visitar os nossos mercados de rua.
No templo da deusa Mazu, tive minha primeira experiência em um templo. Antes, tinham me falado que seria uma das melhores sensações do mundo, que lá transmitia muita tranquilidade e era uma experiência incrível. Não foi. Achei tudo muito lindo e riquíssimo em detalhes, com dragões e incensos, além de muita coisa que eu não pude identificar. O que foi ruim nessa visita, foi que o templo é repleto de vermelho sangue e imagens com expressões furiosas – diferente dos ambientes celestiais das Igrejas Católicas que costumo visitar. Nas Igrejas predomina as imagens piedosas, serenas, e que no máximo estão com rosto expressando sofrimento; possui vitrais, cores claras, douradas, ou um tom mais escuro dependendo do período histórico em que foram levantadas. Nelas me passa sempre um sentimento de calmaria, paz e familiaridade. No templo, tudo era muito forte, o vermelho, o dourado, as imagens. Muita fumaça de incenso, e estava tendo uma cerimônia na hora, com várias pessoas cantando e tocando um instrumento. Para aumentar minha ansiedade, eu tinha um tempo curtíssimo para absorver o máximo de informações (e quantas eram!!) possível. O sentimento de felicidade por estar finalmente conhecendo este lugar, foi um pouco prejudicado pelo medo que senti – semelhante ao que passei quando estava na Feira de Caruaru e vi no setor de venda de ervas e especiarias algumas imagens de diabo e outros símbolos sinistros.
Sobre comida, foi em Taipei que conheci minha comida favorita de toda a viagem: um pãozinho feito no vapor em uma panelinha de bambu. Preferi o sem recheio, mas o branquinho parece ser o mais tradicional, ele é recheado de carne de porco, redondinho e é a comidinha favorita do panda do filme “Kung Fu Panda”. Em geral, enjoei um pouco do cheiro das comidas, são muito fortes e toda lanchonete/restaurante parecem ter o mesmo cheiro. Os temperos são marcantes e há muita mistura de doce com salgado, como quando estava almoçando e um dos molhos era leite condensado!! Essas misturas inesperadas e o tanto de tempero e ingredientes desconhecidos me deixavam um pouco receosa em experimentar comidas que eu não fazia ideia do que eram feitas. Toda a China parece ser o paraíso dos frutos do mar, e as frutas mais comuns são as de clima tropical, como a melancia e o melão.
Fui para a cidade de Taichung na minha primeira viagem de trem bala. Em Taiwan, o trem é bem legal, eles dão água, café e até cookies. Os trens bala da China são diferentes nessa parte do serviço, mas no resto é bem parecido. Ambos são confortáveis e se parecem com um trem normal, só que a viagem é bem rápida, fazendo distâncias de uns 500 km em menos de 2h. Os trens são pontuais e na hora que ele diz que vai chegar no destino, ele chega. É bom ficar esperto para saber quando você vai descer, porque ninguém vai na sua cadeira te avisar, e nem sempre você entende (ou está disponível) os avisos em Inglês, escritos ou falados. A dica é ficar de olho no relógio e quando achar que tá próximo mostrar a passagem para alguém confirmar. Outra coisa, dependendo da hora as viagens são mais longas e eu não entendia o porquê: é que o trem faz paradas em várias cidades e dependendo da hora que você escolher, ele para mais ou menos.
Nos guias de turismo mais antigos falavam sobre ser complicado comprar passagens de trem chinês, mas não tá mais assim. Tudo pode ser comprado pela internet, e é só pegar a passagem nos guichês das estações. Você também pode trocar logo todas as suas passagens na mesma hora, pra evitar ter que toda vez pegar o ticket (como eu fiz hahaha). Na China, no trecho Guangzhou – Hong Kong, peguei um outro trem, que não é bala, e anda em uma velocidade menor, mas tem dois andares, e cabe muita gente!!Há outros trens até com leitos para viagens maiores pelo país.
Em Taichung foi onde comi meu primeiro almoço chinês, num restaurante tradicional, com direito a mesa que gira e com todos comendo juntos. Foi um verdadeiro banquete a la China, em que o pessoal de uma companhia que visitamos me apresentou diversos pratos tradicionais, incluindo o Pato à Pequim. Arrisquei comer com os “kuàizi” que é como eles chamam os palitinhos, mas acabei ficando mais com o garfo e faca mesmo. Os pratos e copos são bem pequenos: o prato tava mais para um pires e ao pedir uma coca (todo lugar tem coca-cola) para todos tomar, eu esperei uma de 2L, mas foi pedido uma de 600ml!! Bem diferente de nossos hábitos!
Antes da refeição tomamos chá – o que me acompanhou sempre pela viagem, desde o avião, toda vez era recebida em algum lugar e durantes as refeições. Acabei aumentando o hábito que eu já tinha de casa. Por lá eles tem o chá preto e o chá verde, no começo estranhei bastante o chá verde, mas acabei me adaptando e continuo tomando bastante, apesar de ainda preferir o sabor do de hortelã.
Durante essas viagens. Não vou poder ajudar meus amigos mochileiros porque não fiquei em nenhum hostel, mas vou passar o nome dos hotéis em que fiquei para quem for por lá tentar fugir das roubadas. Em Taipei fiquei e recomendo o FX Hotel, principalmente pelo melhor café da manhã de toda a viagem.
Voltando ao tópico das compras, aconselho vocês a reservarem um dinheiro para comprar coisas no aeroporto de Taipei, principalmente na área de embarque. Lá tem uma coisa mais bonita que a outra, e os portões de embarque são temáticos: tem o da Hello Kitty, o estilo sala de cinema, o religioso... dá pra ficar um tempão por lá sem enjoar. Inclusive, foi lá que descobri que em Taiwan existem aborígenes, e tem uma loja que vende produtos feitos por eles.
Sobre aquela história de tradicional vs. influência ocidental, em Taiwan não foi diferente com a enxurrada de lojas, restaurantes e marcas estrangeiras lutando por espaço junto com os Templos, mercados e antigos hábitos. O exemplo mais nítido foi também a minha primeira gafe da viagem: estava em um shopping de eletrônicos, que não era tão sofisticado quanto os outros citados aqui, e quando fui ao banheiro, me deparei com um desenho que lembrava um chinelo na porta do toalete. Achei engraçadinho e entrei mesmo assim. Só que lá não tinha vaso sanitário, e sim uma louça no chão, igualzinha ao do desenho na porta. Depois que usei, vi que os toaletes da frente tinham um vaso sanitário desenhado na porta, e foi quando entendi tudo! Metade dos toaletes eram de vasos e a outra metade eram de louça no chão. Nos ambientes mais modernos, não tinham as duas opções, mas em lugares mais populares eles sempre colocavam essa outra opção (muitas vezes era a única) para incluir as chinesas de hábitos mais antigos.
SHANGHAI
Depois de passar um tempo no aeroporto de Hong Kong e já me impressionar com a vista do mar e o tamanho do aeroporto, viajei para Shanghai. O primeiro trecho foi pela Hong Kong Airlines e depois pela Shanghai Airlines. Boas companhias, mas ambos os voos atrasaram bastante, coisa que não aconteceu com as companhias brasileiras, nem com a Emirates.
Pisei na cidade e já notei uma dificuldade maior na comunicação, logo de cara, como os taxistas e a recepção do hotel que não falavam Inglês, apenas palavras soltas. Fiquei no Mercure Shanghai Hongqiao Airport, o hotel é bom e fica de frente para o aeroporto desse bairro (Shanghai tem dois aero), mas a comunicação é seu ponto negativo. Alguns hotéis, como esse, não incluem café da manhã na diária e é comum isso acontecer por lá, então fique ligado, pois é diferente dos hotéis brasileiros!!
Essa cidade foi mais como um ponto de deslocamento para as outras cidades que a ela são próximas, como Yixing e Ningbo, mas ainda deu para conhecer rapidinho a área do The bund, que tem a vista para os famosos prédios modernos iluminados, e também alguns no estilo europeu. Fiquei louca com as lojinhas da Nanjing Road, porque lá tem tudo preparadinho como todo turista quer!! @@
Outro lugar bom para compras em Shanghai foi, assim como em Taipei, o aeroporto cheio de coisas lindas e “a cara” da China! Você deve estar pensando que o aeroporto não deve ser um local recomendável para compras, pelos preços altos, mas se você não está com muito tempo, ou se não pode frequentar muitos locais turísticos, acaba que lá e nas estações de trens se mostram como os melhores lugares para compras, pois eles selecionam os objetos que mais caracterizam a cidade, e com boa qualidade – achar uma loja assim pela cidade, sem ter ideia de onde está ou quais objetos especificamente está procurando, se torna uma tarefa impossível, até mesmo para os próprios chineses conseguirem recomendar: não foi um, nem dois dos meus amigos que não sabiam o conceito de souvenir.
Infelizmente, Shanghai não deixou uma primeira impressão muito boa – é muito limitante não conseguir saber mais informações por causa das barreiras linguísticas. Do pouco que pude conhecer, poderia ter aproveitado mais se tivesse em mão algumas informações básicas de funcionamento, tal como horários. Aconselho aos turistas a levarem o máximo de informação que puderem, inclusive alguns endereços em Mandarim, para escapar de situações chatas, principalmente com os famosos taxistas que não sabem Inglês, e que tem um jeitão bem estressado de se expressar; e principalmente para conseguir aproveitar o que a cidade tem de melhor. Só lembrando, não tem acesso fácil ao Google por lá!!
YIXING
Adorei conhecer Yixing, foi a menor cidade que conheci e lá a ficha que eu realmente estava na China caiu. Taipei às vezes me confundia e parecia que estava em São Paulo, ou algo parecido, mas desde que cheguei em Shanghai senti o clima mudar e realmente parecer que eu estava na Ásia. Nessas duas cidades, o ar já ficou bem mais poluído e pesado, aí tive que usar uma daquelas máscaras no final da tarde para respirar melhor. Até então, eu via as pessoas andando na rua com a máscara, e principalmente quem estava pilotando moto ou pedalando, e tinha três teorias sobre a explicação de usarem isso: poluição; doença – pegar ou transmitir; ou por frescura mesmo. Bom, a pergunta foi respondida logo logo, pois a combinação de cigarros, fábricas, automóveis, e sei-lá-mais-o-quê deixam o ar bem ruinzinho para se respirar, e tive que usar esse recurso nessas duas cidades, Yixing e Shanghai, durante o fim de tarde e noite.
Nessa cidade tive o meu segundo almoço de negócios chinês e foi ótimo. Já estava mais acostumada com a comida e pude comer mais e melhor, selecionando bem e arriscando pouco. Adorei os pasteizinhos e o macarrão (noddle) deles. Também notei que eles gostam bastante de torta floresta negra e de cheesecake, são fáceis de achar. Como num passe de mágica, comecei a comer com os “kuàizi” como uma quase profissional. É só pegar a manha e se concentrar que se torna simples comer com eles, gostei muito!
Não vá para a China esperando tomar muita coisa gelada. É claro que eles tão se adaptando ao nosso jeito, mas mesmo assim é comum você não achar gelo fácil, e nem as bebidas bem refrigeradas, no entanto eles têm de tudo: yorgut, cerveja, refri, leite, água de côco, suco...mas nem sempre é garantido que você vai tomar geladinho, como preferimos.
Segundo um amigo, Yixing tem a melhor chaleira do mundo, e gente de todo lugar compra os jogos de chá deles. Eu acabei ganhando um jogo dele, com direito a maletinha retrô, direto de um ateliê no qual a dona emite certificado de qualidade (todo em Mandarim ¬¬’) do produto dela. Não podia ter sido melhor. Ah, podia: um outro amigo, em Guangzhou, me deu uma caixa de chá chinês!!Fechou!
Como vocês podem ver, os chineses são muito hospitaleiros, me receberam super bem, levaram para conhecer a cidade, comer, e rolou até presentinhos. Mais importante que isso foi também conversar com eles, trocar histórias, rir bastante, ouvir ensinamentos, descobrir que somos muito mais parecidos do que imaginávamos, como na crença popular (que agora sei que é universal) de que todo pescador é mentiroso, e por aí vai.
Falando sobre a cidade, Yixing é daquelas típicas do interior, cheia de agricultores com os chapeis de bambu em cone, e um monte de plantação de arroz. Está cada vez mais difícil de encontrar vaso sanitário nos banheiros, predominando aquelas louças no chão. O Inglês fica cada vez mais escasso, mas dá para desenrolar com palavras soltas e muita imaginação na hora da mímica ou apontando para as coisas. Encontrei uma senhora agricultora super simpática, e pela primeira vez resolvi tirar o livrinho de Mandarim da bolsa e usá-lo, só que não contava com um detalhe: ela não sabia ler!! Conversa (mímica) vai, conversa vem, ela acabou me mostrando a horta dela e do marido, me deu um monte de tomate e ainda dei uma voltinha na motinha elétrica dela!!Foi demais! Por sorte eu tinha uns cookies na bolsa e pude retribuir um pouco da simpatia dela.
Em Yixing fiquei sabendo um pouco sobre o “Buda Sorridente” que está em todo lugar! Eu adorei a carinha feliz dele, e quando perguntei o que ele fazia, me falaram que ele deixava as pessoas felizes. É verdade! Não descansei enquanto não achei um que me fazia feliz também, e quando voltei para casa, reconheci que o buda que eu tenho desde criança é justamente ele!! Segundo a internet, ele é o Pu-Tai.
Foi interessante aqui o fato de que o estrangeiro se destaca mais do que nas cidades maiores, que já tem um grande fluxo de turistas, como em Taipei, e até mesmo em Shanghai. Aqui as pessoas encaram mais, e me lembrou um pouco de uma situação engraçada, ainda em Taipei, quando entramos em um banco logo que abriu o expediente, para trocar dinheiro, e o pessoal ficou nervoso, encarou bastante e também sorriu muito. Daqui para frente essas situações são bem raras, já que trombamos com turistas de todo os tipos: muçulmanos e indianos com seus trajes típicos, brancos e loiros altos vindos de não-sei-onde, e muitos orientais com pele mais morena, cabelos mais crespos, diferenciando do padrão liso escuro dos cabelos chineses.
Sobre isso, eu não consigo mais achar todo chinês igual. Achei eles com muitas características diferentes, incluindo: comprimento e formato do rosto; dos olhos; uns mais altos, outros mais baixos e até mesmo tons de pele, mais branca ou mais amarelada. Não vi dificuldade em registrar rostos e até reconhecer depois no meio da multidão. É claro que eles não são misturados como nós, por isso a semelhança à primeira vista, mas se olharmos bem, não é tanto assim. Vi que nem todo chinês é magro, a população de gordinhos anda crescendo por aqui, mas ainda podemos considera-los um povo de magrinhos, em geral, pequenos – mas alguns dos meus amigos provaram o contrário e são altos.
NINGBO
Próxima parada: Ningbo!
Ningbo, segundo meus amigos de lá, é dona do maior porto da China, e de onde saíram os primeiros navegadores chineses para conhecerem o mundo! Assim como em Shanghai, eles tem um The bund (cais) com uma linda vista para prédios iluminados. Perto desse cais, no centro da cidade, tem uma série de ruazinhas super colorida e animada, com um barzinho colado no outro. Com karaokê, músicas ao vivo (em Inglês), cervejas do mundo todo – incluindo nossas conhecidas Corona, Budweiser, Heineken.
Aqui eu consegui melhorar meu Mandarim que consistia em apenas duas palavras: Laowai (gringo, que às vezes pode ser usado em sentido pejorativo) e Nihao (olá). Acrescentando o Kuàizi (palitinhos), agora também sei o Ganbei (tim tim) e Xièxiè (obrigado). O mais importante foi que a essa altura do campeonato, eu finalmente aprendi a realmente usar pelo menos essas, assim saí treinando e logo peguei a prática. É muito divertido falar o idioma local, eles gostam bastante, e olha que eu só ficava no “olá” e “obrigada”, mas já é suficiente para melhorar a comunicação, dava para iniciar e concluir todos os diálogos com duas palavrinhas, só bastando acrescentar algumas palavras-chaves em Inglês pelo meio e voilà, resolvido o problema quando a comunicação apertava. Pena que durou pouco, em Hong Kong e Guangzhou eles falam o cantonês, que é diferente do Mandarim. Fiquei sabendo que eles aprendem o Mandarim nas escolas e sabem falar – além dos dialetos de suas províncias. Posso falar sem medo de ser incompreendida, mas não é a mesma sensação alegre, porque eles sabem, só que não é o idioma principal, aí acabei usando cada vez menos.
Sobre idiomas, tenho duas histórias engraçadas: a primeira é que em território chinês comecei a perceber que sempre que alguém vinha me atender, eles falavam de cara “Hello”, e ficava engraçado quando eu estava em uma fila, como nos aeroportos ou estações de trem, que os atendentes cumprimentavam todos com “Nihao” e na minha vez sempre trocavam para o “Hello”, sem errar nenhuma vez. Acho que eu não consegui me misturar e passar despercebida muito bem! hahaha
Outra foi quando eu estava chegando em Ningbo, ainda no trem e morrendo de sono, aí um homem veio me perguntar se era a estação correta. Ele falou em Inglês comigo, mas por um segundo notei uma palavra familiar quando ele falou com um de seus amigos. Eu fiquei desconfiada que ele tinha falado em Português, mas o sono ainda me nublava o pensamento e desconfiei do que ouvi. Resolvi perguntar se ele falava Português (ainda usando o Inglês), e depois de sua confirmação, sorri e começamos a falar em brasileirês mesmo. É legal ouvir a língua materna no exterior, tão inusitadamente, mas logo tive que me separar do grupo de brasileiros que também estavam por lá à negócios.
Em Dubai, na volta pra casa, já no terminal em que iria pegar o voo pra sampa, fui aos poucos encontrando os brasileiros nas lojinhas, até que na frente do portão de embarque estava lotado de brasileiros, e já começava a saudade de ouvir as línguas estranhas novamente.
Ningbo é uma cidade grande, com muita coisa pra fazer, e por lá não senti o impacto da poluição do ar como nas últimas duas. Não deu para ficar o tempo que eu gostaria, mas o pouco que conheci gostei. Principalmente das amizades que por lá fiz. Foi ruim ter que me despedir.
Comi outro banquete de negócios à moda chinesa com a mesa repleta de tudo um pouco – e já bem mais acostumada aos cheiros, temperos e sabores. Encontrei com a primeira Igreja Católica da viagem, mas infelizmente estava fechada na hora.
O Hotel que fiquei aqui, na verdade é um apart-hotel, Ningbo Portman Plaza, com direito a quarto com banheira. Hotel muito agradável e bem recomendado! Este também não tem café incluso na diária (achei difícil encontrar um com), aí é legal olhar o buffet e ver se vale a pena pagar, ou se não fica melhor procurar uma das milhares de Starbucks que têm por lá. O café da manhã chinês não é tão assustador, só que também não é para todos os estômagos. Os hotéis se adaptam e colocam pães, queijos, café, yorgut....mas o típico mesmo são com comidas que eu normalmente reservaria para o almoço como: bacon, arroz, salada, carnes e vários pratos típicos. Para mim fica bem complicado colocar esse peso logo cedo no estômago, mas se a pedida for um café com um croissant, por exemplo, é fácil encontrar uma cafeteria americana nas redondezas para salvar.
Algumas vezes durante à viagem eu tentei assistir à TV chinesa, mas não curti muito a programação local. Tem filmes e telejornais, mas é incômodo ver por muito tempo sem compreender nada. A TV internacional funciona por aqui, assim como em Hong Kong, Taipei, Guangzhou...em Shanghai, que já notei ser mais fechadão, só pega TV local. Em alguns hotéis deu pra ver até mesmo HBO com áudio original e legendas em Mandarim; o que saiu um pouco dos limites foi quando eu estava em Taipei e me deparei com a propaganda da Trivago local, passando várias vezes, tal como no Brasil, é mole?! Na China (exceto Taiwan e Hong Kong) o Google é proibido, como consequência, não funciona Youtube, Gmail e outros serviços deles, além de Facebook, Twitter e Instagram. Em resumo, pega legal o Whatsapp, inclusive para chamada, mas as outras redes sociais deveriam ficar aposentadas – deveriam só, porque na prática a gente instala um VPN que essa galera volta a funcionar todinha de novo, ou é só esperar chegar em Hong Kong que por lá é liberado de novo (Taiwan também).
HONG KONG
Essa foi a cidade que mais me encantou durante toda a viagem. Me apaixonei quando estava no avião, olhei pela janela e vi o mar verde. O aeroporto, enorme e encantador, tem suas paredes de vidro, claro, para que possamos ver os seus arredores: o aeroporto fica na ilha de Lantau, e rodeado pelo mar lindíssimo da China Meridional (que faz parte do Oceano Pacífico).
Aqui, todos os problemas de comunicação ficaram para trás (a não ser nos táxis que continuam difíceis, como nas outras cidades, e muitas vezes dependendo de já termos o endereço em Mandarim), pois Hong Kong foi colonizada pelos ingleses, o que fica marcado logo de cara pelo trânsito, que além de seguir a mão inglesa, tem os carros com o lado do motorista à direita, e os ônibus da cidade são os double-decker buses (ônibus de dois andares) típicos de Londres. Devido ao fluxo de trânsito estar em lados contrários ao do resto do mundo, nas esquinas têm avisos no chão apontando para qual lado o pedestre deve olhar antes de atravessar, em Inglês e provavelmente em cantonês (língua oficial daqui).
Fiquei no hotel Harbour Bay, de quartos pequenininhos, mas muitíssimo bem localizado na incrível área de Tsim Sha Tsui. Lá não tem café da manhã, mas tem muita coisa gostosa pra comer nos agora já familiares 7 eleven, inclusive uma espécie de bolo de rolo (simples ou de caramelo) e pãezinhos e croissants recheados. Assim que entrei no quarto, encontrei um smartphone na mesinha escrito Handy (https://www.handy.travel/) que o hotel fornecia para usarmos à vontade, com direito a chip local, internet free e guia de turismo. Enquanto eu estivesse hospedada no hotel, poderia usar o Handy nas ruas como um mapa e tudo mais.
Hong Kong é composto de uma série de ilhas, e eu gostei muito de ficar nesta, Tsim Sha Tsui, pois além de ser bem movimentada, com muita coisa pra fazer – inclusive um ótimo comércio, ainda tem uma vista incrível para a Ilha de Hong Kong, e foi ela que me fez ficar apaixonada pela cidade.
A primeira vez que vi a baía pela área das estátuas dos artistas (a Avenida das Estrelas está em reforma, mas o trecho das estátuas está aberto) e é lá que está o Bruce Lee em sua famosa pose de Kung Fu. Depois de ver o mar de seu denso verde e sua linda paisagem, continuei rodando pelo bairro e após ver tantas novidades me dei conta de que não recordava a imagem da baía e senti a urgente necessidade de vê-la novamente. Retornei, mas me dirigi a outro ponto de observação: o da Torre do Relógio. Foi lá que está uma das vistas mais bonitas que já vi na vida: o mar em primeiro plano, seguido por uma longa faixa de prédios moderníssimos, tendo como plano de fundo umas montanhas semicobertas por nuvens de chuva, que logo logo iriam cair. De tirar o fôlego.
Pela manhã, depois de me abastecer de informações na recepção do hotel, saí com o Handy na bolsa e um mapa de papel na mão e fui explorar a cidade. Eu não provia de tempo, e Hong Kong tem atrações turísticas que poderiam facilmente preencher um mês e ainda faltar tempo para os passeios. Consegui conhecer três ruas de forte comércio na região de Mong Kok, uma especialista em artigos desportivos, outra de eletrônicos e no meio o ótimo Ladies Market, uma feirinha muito legal. Quem não consegue encontrar tudo o que procura nessas três ruas, pode ainda andar por toda a região do Tsim Sha Tsui e concluir a suas compras – para se ter noção da força do comércio por lá, posso dizer que em pleno domingo às 23h ainda tinha loja aberta!!
Sobre preços, muita gente fala que Hong Kong é uma cidade super cara, mas não tive essa impressão. Outros falam que lá é uma região que as taxas de impostos são tão baixas que pode-se considerar até como livre de impostos. Vai do bolso de cada um para saber se vale a pena ou não comprar. Prezei por trazer artigos que eu pudesse identificar a cultura local, pois muitos produtos de marcas internacionais (como um adidas por exemplo), segue o preço brasileiro, inclusive o de eletrônicos.
Resolvi deixar de lado a maioria dos pontos e passeios turísticos tradicionais, e no puro improviso, de mapa em punho, subi e desci a imensa Nanjing Road (Rd. Nanjing) e pude sentir, pelo menos um pouco, da vibe da cidade. Atravessando o fluxo intenso e o comércio febril, encontrei pessoas de todos os tipos, culturas e nacionalidades (assim como em outras cidades chinesas, porém provavelmente em maior quantidade): desde uma jovem com véu e uma camiseta de banda de rock, até indianas com a marca na testa, anel no nariz e suas ricas saris. Na Nanjing Road encontrei uma Igreja Anglicana, um Templo lá próximo, e na volta uma Mesquita! Não tinha como ser mais plural.
Os táxis são engraçados na China. Quando estive em São Paulo, já achei os taxistas muito tecnológicos (até demais) com vários celulares ligados e presos no painel do carro, com aplicativos e GPS ligados. Em Taipei, essa quantidade de informação e tecnologia parece dobrar, se é que isso fosse possível. Por lá, além de vários aparelhos voltados para o motorista – e dois quais você não consegue tirar o olho, tem uma tv ligada atrás do encosto do banco do passageiro, passando umas propagandas e programas incompreensíveis. Em Shanghai, o choque: a maioria das frotas dos táxis são de Santana da Volkswagen. Santana!!! Em uma cor sem graça, um verde ou azul água sem cor. E a separação do local do motorista para o do passageiro é feito por uma armação que parece dos carros de corrida Stock Car. Em outras cidades chinesas se assemelham a esse estilo, mas sem essa divisória esquisita. Em Hong Kong, eles usam em sua maioria a frota de Toyotas Comfort!!! Comfort!! Numa cidade em que tinha uma Lamborgini topando na outra, e outras máquinas importadas – na verdade em toda a China, e acabam por usar esses táxis vintages. Até que os de Hong Kong eu gostei bastante, eles eram de um vermelho vivo, e além do que o lado do motorista fica à direita, por causa da tal mão inglesa que reina por lá, trocadilhos à parte.
Hong Kong tem uma rica tradição cinematográfica, e não sei se por vê-la retratada em alguns filmes, mas o tempo todo me vi em um filme de ficção ou aventura durante o tempo em que passei por lá. A atmosfera das ruas, apinhadas de comércio com suas fachadas e placas atrativas parecem típicas dos filmes hollywoodianos quando querem retratar a Ásia. Da vista da baia, me vi em uma refilmagem do King Kong, com suas montanhas sinistras, mar profundo, mas com prédios rasgando a paisagem selvagem (não faz sentido, mas foi o que senti, ué!)
GUANGZHOU
Guangzhou (Guandou), última parada!
Aqui encontrei umas peculiaridades locais na minha breve passagem por ela. Eles também são cantoneses, e é esse o idioma local. Antes mesmo de chegar lá, já fui alertada pelos meus amigos que por ali se comia de tudo! Segundo meu amigo local, os cantoneses podem comer de tudo: “Entre o ar e a terra, comemos tudo que está aí”, me disse ele, mais ou menos assim. Recebi também um alerta triste: Guangzhou não é tão seguro quanto o resto da China, então é bom ficar de olho nos pertences pra não ter nenhuma surpresa de um chinesinho metido a esperto. Fora o assédio de vendedores na rua insistindo terrivelmente para você comprar os produtos deles ou topar uma massagem nos pés, Guangzhou é super legal.
Fiquei no fantástico “Royal Mediterranean Hotel”, que segue o padrão luxuoso chinês, com enormes proporções: o quarto, o lobby, o restaurante etc. No quarto, outra vez tive um encontro marcado com uma gostosa banheira. “Mãe, como faz pra ter uma dessas em casa?”
Por aqui o trânsito é mais bagunçado. Tem bicicletas elétricas cruzando por todos os lados, inclusive andei na carroceria (sim, carroceria!!!) de uma delas. Show! À noite fui na famosa Beijing Road (Rd. Pequim), que conserva as pedras da rodovia original, e tem as magníficas lanternas vermelhas chinesas.
Em Shanghai, a vista dos prédios iluminados no The Bund é meio que um cartão-postal da cidade. No entanto, vi que além de Ningbo também ter um (em menor escala), ao longo do caminho de trem que fiz pela noite, passei por cidades menores que também tinham os seus prédios com luzes fortes e coloridas assim que escurecia. Ao chegar em Guangzhou e caminhar pela Beijing Road, vi a intensa iluminação do local e perguntei a um amigo o porquê dessa fascinação chinesa pelo neon nos prédios e todo esse apelo visual.
O chinês, como se era de esperar, nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, e também nunca tinha se dado conta que era tão forte assim a iluminação : para ele, os telões de LED passando imagens nas faixadas dos prédios, todo o neon, as luzes piscando, os letreiros piscando informações, é – pasmem – normal, cotidiano. Bom, para mim não é nem um pouco comum, e sim bem impressionante e diferente das noites brasileiras. Tentamos descobrir um porquê dessa iluminação “cheguei” e meio que fizemos uma teoria de que eles usam as luzes como uma forma de destaque – ora, num país em que as menores cidades tem 3 milhões de habitantes, o destaque se faz necessário para o cotidiano, para o sucesso no negócios etc.
Nessa mesma rua encontrei outro exemplo da dualidade moderno vs. tradicional que tenho encontrado pela China. Ao passar por todos os prédios modernos e seus LED’s havia um prédio ao fundo (iluminadíssimo) com a arquitetura chinesa milenar. Ao me aproximar, encontramos um templo de budas enormes na frente desse prédio. Em plena rua moderna, rodeado de comércios do século XXI, também comporta espaço para um templo de milhares de anos.
Ao todo, a China parece ter essa dualidade em diversos aspectos, no qual o moderno vem representado pela influência ocidental, se infiltrando nas tradições chinesas. A começar pelo governo, antes comunista, mas que há um tempo já abriu as portas para o capitalismo e rapidamente se espalhou (e dominou) conquistando o mundo com seus produtos, mas ao mesmo tempo recebendo o comércio exterior em suas cidades – como vemos pelas ruas espalhadas de lojas com marcas mundias (Nike, Adidas, Apple, LG, Sony); fast-food’s em todos os lugares (KFC, McDonald’s, Burguer King, Starbucks, Subway) e restaurantes de comidas de vários países (ocidentais e orientais); Coca-cola por todo lado, além de outras influências na alimentação tais como a inserção do leite de vaca, queijos, yorgut etc.
Em Taipei e Hong Kong, mais modernos e independentes, encontrei um pôster anunciando o show da cantora Ariana Grande, que está fazendo uma turnê mundial, e que inclui também os territórios chineses, oras! – apesar de que no restante da China, segundo uma amiga de Ningbo, não tem shows desses artistas internacionais, eles não vão para lá. Apesar disso, ano passado um desfile da Chanel foi realizado em Pequim, e em Ningbo vi um pôster imenso do novo filme do Tom Cruise, A Múmia, que na mesma época estreou no Brasil. E agora?! Eles tem que se decidir!
Para se aproximar do mundo ocidental, o chinês teve que se adaptar a vários novos hábitos, a começar pela própria língua, pois o Mandarim e os outros dialetos falados nas cidades e províncias são de extrema dificuldade de compreensão à um ocidental, tanto a parte escrita quanto falada, e por isso o Inglês cada vez mais é inserido na sociedade para poderem receber os turistas e realizar o comércio externo.
No interior é mais comum os prédios de arquitetura tradicional, segundo os meus amigos, e nas cidades maiores já estão bem tomados pelas novas construções, que apesar de muita tecnologia avançada, e formas inovadoras, muito se assemelha aos arranha-céus do mundo ocidental. Apesar disso, os templos e prédios milenares estão inseridos na mesma paisagem, mostrando claramente a mistura dos ambientes.
O povo chinês, se mostrou bastante receptivo, tentando sempre se comunicar, interagindo, agradando, sendo solícitos, desde funcionários até os amigos que fui visitar. Em algumas cidades, o idioma Inglês é mais comum que em outras, mas mesmo sem idioma algum existe comunicação devido ao desejo de ajudar o máximo possível. Aquela imagem de uma China fechada, cheia de segredos e de policiais de cara fechada proibindo tudo foi desmanchada em minha mente. Ainda há enormes diferenças culturais e de hábitos, claro, mas também há semelhanças que acabam por também nos aproximar.
Falam muito sobre a receptividade do brasileiro, somos realmente muito festivos e acolhedores, mas senti o mesmo acolhimento dos chineses, que foram pessoas muito queridas e que do jeitinho deles, mais reservados e contidos, tão bem me receberam.
IDA
A maratona começou ao sair de Marabá e gastar algumas (muitas) horas em aeroportos : Belém, São Paulo (GRU), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e finalmente a nossa primeira cidade, Taipei (Taiwan).
Aparentemente foram três dias de viagem, só que na realidade não é tanto assim. Para (não) entender a questão do tempo, eu saí na sexta (hora local) e cheguei lá no domingo (hora local), mas na verdade a diferença de tempo são de apenas 11 horas, no caso da China estando no futuro. A viagem aparenta ser mais longa, porque tem a espera na conexão e cada vez mais vamos, literalmente, perdendo tempo para o fuso horário. Na viagem de volta a viagem é para o passado, então ganhamos todo esse tempo de volta e por isso no “mesmo” dia em que saímos, chegamos. : )
| Horários Mundiais |
Durante o voo principal GRU-DXB-TPE, viajei pela companhia Emirates, no A380, o maior avião do mundo, com direito ao desenho do time do Real Madrid e o escudo pintados na lataria. Foi uma grata surpresa saber o tanto de coisa que dá pra fazer durante a viagem, se não tivermos cuidado, nem lembramos de ler o livro que levamos. O serviço de bordo é ótimo, a comida gostosa e farta, e nas tv’s individuais dá para ouvir música árabe, indiana e as ocidentais, além de videoclipes novos e antigos; seriados; muitos filmes e o melhor de tudo: temos acesso wi-fi grátis, dá para mandar mensagens e até fotos para qualquer lugar! Também temos acesso a três câmeras do lado de fora do avião, uma atrás, outra embaixo e uma na frente. No avião já dá pra começar a gastar o Inglês – apesar de que alguns comissários falam Português também, e a maioria dos filmes novos não tem legenda em port, nem são dublados.
| F1.: A380 customizado pelo time do Real Madrid F2.: Tela do pc de bordo com câmeras do avião e maratona Piratas do Caribe rolando |
DUBAI – Emirados Árabes Unidos
Ao chegar no aeroporto de Dubai, na ida, me encantei com a estrutura e beleza do terminal B e já me animei com as lojas, mas apesar de nossa moeda ser mais valorizada que o Dirham AED deles, os preços são bem parecidos com os praticados no Brasil. Aconselho a não deixar para comprar nada na volta, pois no meu caso, fiquei em outro terminal (C), que tinha lojas mais simples e com menos opções (pelo menos tive a impressão de que os preços eram melhores nesse segundo terminal). Uma coisa que percebi ao conhecer os terminais B e C, e que voltarei a mencionar ao longo do texto, foram as diferenças entre manter o tradicional vivo, e abrir as portas para o ocidente. Explico:
O terminal B tem tudo o que esperamos de Dubai, muita modernidade, luxo, grandes marcas, tecnologia, e uma grande arquitetura. Passei horas agradáveis andando por ali. Detalhe, era noite, quase madrugada.
| F1.: Elevadores do Terminal B. F2.: Terminal C |
Enquanto que no terminal C, encontrei uma outra cara de Dubai, um pouco menos com a cara dos prédios luxuosos que vemos na TV, e mais parecido com um mundo árabe, com desertos e oásis. Lá, por exemplo, tinha palmeiras na decoração, e um painel enorme retratando cavalos correndo no deserto; para completar, estava amanhecendo quando cheguei, daí a luz solar estava dando um aspecto amarelado ao ambiente – contrastando com o ar lustrado e engomadinho do outro terminal. Adicionando, senti o ar bem seco, o que desagradou bastante a minha asma, e gentilmente me lembrou que eu estava no meio do Deserto da Arábia.
As lojas vendem lâmpadas do gênio e camelos, mas ao mesmo tempo maquiagens Chanel, fones de ouvido e pacotes de M&M. É engraçado como podemos comprar artigos tão únicos da região, mas ao mesmo tempo tem pacotes de leite Ninho pra vender e shampoos Pantene.Em ambos os terminais vi pessoas de diversas culturas, incluindo muitos indianos e árabes com os seus trajes típicos. Notei que os banheiros masculino e feminino estavam um tanto mais afastados do que o costume; notei que tinham salas de oração separadas para homens e mulheres e em um determinado local, também tinham salas de esperas com esse tipo de divisão. No entanto no saguão, vida normal, todo mundo junto, e o melhor, sem diferença de tratamento por parte dos locais comigo.
TAIPEI – TAIWAN
Em Taiwan, a primeira impressão foi desapontante, pois de uma cidade que eu só ouvi falar em modernidade, achei o salão de desembarque muito simples (principalmente depois do impacto de Dubai), e na verdade, com um forte cheiro de mofo. O nosso transfer foi feito em uma espécie de ônibus-van modelo antigo, mas conservada, e para completar, a paisagem até o hotel foi de uma longa estrada com vários prédios tipo “caixão”, monocromáticos, e com a maior pinta comunista. Me lembrei muito de uma cena no filme que vi recentemente: Tudo Por Uma Esmeralda (1984) quando a mocinha desembarca na Colômbia.
Bom, nem precisa falar que essa primeira imagem foi totalmente derrubada a partir do momento em que pisei no hotel e comecei a conhecer a cidade. Taipei é bem moderninha, tem muito prédio lindo; dá pra se virar tranquilo com o Inglês (detalhe importantíssimo); é cheio de fast-food, tem até supermercado Carrefour! E quanto ao aeroporto, na viagem de volta, a impressão foi totalmente superada pelo lindo saguão de entrada e principalmente os portões de embarque temáticos – pra completar, o nosso transfer da volta foi em uma Mercedes, com direito a chofer. A entrada e a saída do país não poderia ter sido mais diferente.
COMPRAS
Como falei, a moeda taiwanesa é bem desvalorizada com relação ao real, por exemplo, R$100,00 ficaria em torno de $1.000,00 TWD, mas em compensação se você vai comprar algo que custa 100 conto no Brasil, lá vai custar...1.000TWD! Ou seja, trocando 6 por meia dúzia. Como não rola os preços de banana tão sonhados, nem mesmo nos eletrônicos, o bom mesmo é comprar coisas locais, que não se acha pelo mundo. Uma amiga minha de lá me falou a opinião dela sobre esse assunto: ela acha que o mercado de lá não é tão grande, por isso, apesar dos produtos muitas vezes serem produzidos lá, não tem um preço baixo; já no Brasil, em São Paulo por exemplo, devido ao grande mercado, eles podem baixar o preço e deixar iguais aos praticados no país de origem do produto.
Taipei é bem moderno, você encontra muita coisa do mundo ocidental por lá, como a famosa franquia de bar americano Hooters, o 7 eleven uma franquia internacional de conveniência (que até ontem eu nunca ouvi falar) mas que parece uma praga de tantas que tem por todo lugar que andei. O shopping Taipei 101 é lindíssimo e tem um observatório de Taiwan no alto de seu prédio (preste atenção nas telas de informações que tem por lá, pois eles avisam a qualidade da visibilidade, para não dar viagem perdida); o engraçado desse shopping é que ele tem vários andares e quanto mais você sobe, mais encontra lojas enormes de grifes como Dior, Chanel e Cartier, e quanto mais desce, as lojas simplificam até chegar no primeiro piso que tem mercadinho e lojas “normais”, proporcionalmente também é a quantidade de pessoas: quanto mais alto, menos gente andando pelo shopping – acho que eles não são tão diferentes de nós, não é mesmo?!
| Mercado Noturno |
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| Bolinho frito de batata doce |
Sobre comida, foi em Taipei que conheci minha comida favorita de toda a viagem: um pãozinho feito no vapor em uma panelinha de bambu. Preferi o sem recheio, mas o branquinho parece ser o mais tradicional, ele é recheado de carne de porco, redondinho e é a comidinha favorita do panda do filme “Kung Fu Panda”. Em geral, enjoei um pouco do cheiro das comidas, são muito fortes e toda lanchonete/restaurante parecem ter o mesmo cheiro. Os temperos são marcantes e há muita mistura de doce com salgado, como quando estava almoçando e um dos molhos era leite condensado!! Essas misturas inesperadas e o tanto de tempero e ingredientes desconhecidos me deixavam um pouco receosa em experimentar comidas que eu não fazia ideia do que eram feitas. Toda a China parece ser o paraíso dos frutos do mar, e as frutas mais comuns são as de clima tropical, como a melancia e o melão.
| Trem bala chinês |
| Trem chinês de 2 andares |
Em Taichung foi onde comi meu primeiro almoço chinês, num restaurante tradicional, com direito a mesa que gira e com todos comendo juntos. Foi um verdadeiro banquete a la China, em que o pessoal de uma companhia que visitamos me apresentou diversos pratos tradicionais, incluindo o Pato à Pequim. Arrisquei comer com os “kuàizi” que é como eles chamam os palitinhos, mas acabei ficando mais com o garfo e faca mesmo. Os pratos e copos são bem pequenos: o prato tava mais para um pires e ao pedir uma coca (todo lugar tem coca-cola) para todos tomar, eu esperei uma de 2L, mas foi pedido uma de 600ml!! Bem diferente de nossos hábitos!
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| Primeira refeição a chinesa |
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| Chá de Taiwan |
Durante essas viagens. Não vou poder ajudar meus amigos mochileiros porque não fiquei em nenhum hostel, mas vou passar o nome dos hotéis em que fiquei para quem for por lá tentar fugir das roubadas. Em Taipei fiquei e recomendo o FX Hotel, principalmente pelo melhor café da manhã de toda a viagem.
Voltando ao tópico das compras, aconselho vocês a reservarem um dinheiro para comprar coisas no aeroporto de Taipei, principalmente na área de embarque. Lá tem uma coisa mais bonita que a outra, e os portões de embarque são temáticos: tem o da Hello Kitty, o estilo sala de cinema, o religioso... dá pra ficar um tempão por lá sem enjoar. Inclusive, foi lá que descobri que em Taiwan existem aborígenes, e tem uma loja que vende produtos feitos por eles.
Sobre aquela história de tradicional vs. influência ocidental, em Taiwan não foi diferente com a enxurrada de lojas, restaurantes e marcas estrangeiras lutando por espaço junto com os Templos, mercados e antigos hábitos. O exemplo mais nítido foi também a minha primeira gafe da viagem: estava em um shopping de eletrônicos, que não era tão sofisticado quanto os outros citados aqui, e quando fui ao banheiro, me deparei com um desenho que lembrava um chinelo na porta do toalete. Achei engraçadinho e entrei mesmo assim. Só que lá não tinha vaso sanitário, e sim uma louça no chão, igualzinha ao do desenho na porta. Depois que usei, vi que os toaletes da frente tinham um vaso sanitário desenhado na porta, e foi quando entendi tudo! Metade dos toaletes eram de vasos e a outra metade eram de louça no chão. Nos ambientes mais modernos, não tinham as duas opções, mas em lugares mais populares eles sempre colocavam essa outra opção (muitas vezes era a única) para incluir as chinesas de hábitos mais antigos.
SHANGHAI
Depois de passar um tempo no aeroporto de Hong Kong e já me impressionar com a vista do mar e o tamanho do aeroporto, viajei para Shanghai. O primeiro trecho foi pela Hong Kong Airlines e depois pela Shanghai Airlines. Boas companhias, mas ambos os voos atrasaram bastante, coisa que não aconteceu com as companhias brasileiras, nem com a Emirates.
Pisei na cidade e já notei uma dificuldade maior na comunicação, logo de cara, como os taxistas e a recepção do hotel que não falavam Inglês, apenas palavras soltas. Fiquei no Mercure Shanghai Hongqiao Airport, o hotel é bom e fica de frente para o aeroporto desse bairro (Shanghai tem dois aero), mas a comunicação é seu ponto negativo. Alguns hotéis, como esse, não incluem café da manhã na diária e é comum isso acontecer por lá, então fique ligado, pois é diferente dos hotéis brasileiros!!
Essa cidade foi mais como um ponto de deslocamento para as outras cidades que a ela são próximas, como Yixing e Ningbo, mas ainda deu para conhecer rapidinho a área do The bund, que tem a vista para os famosos prédios modernos iluminados, e também alguns no estilo europeu. Fiquei louca com as lojinhas da Nanjing Road, porque lá tem tudo preparadinho como todo turista quer!! @@
Outro lugar bom para compras em Shanghai foi, assim como em Taipei, o aeroporto cheio de coisas lindas e “a cara” da China! Você deve estar pensando que o aeroporto não deve ser um local recomendável para compras, pelos preços altos, mas se você não está com muito tempo, ou se não pode frequentar muitos locais turísticos, acaba que lá e nas estações de trens se mostram como os melhores lugares para compras, pois eles selecionam os objetos que mais caracterizam a cidade, e com boa qualidade – achar uma loja assim pela cidade, sem ter ideia de onde está ou quais objetos especificamente está procurando, se torna uma tarefa impossível, até mesmo para os próprios chineses conseguirem recomendar: não foi um, nem dois dos meus amigos que não sabiam o conceito de souvenir.
| As famosas luzes de Shanghai, desligadas. |
YIXING
| Cheia de presentes na estação de trem de Yixing |
Nessa cidade tive o meu segundo almoço de negócios chinês e foi ótimo. Já estava mais acostumada com a comida e pude comer mais e melhor, selecionando bem e arriscando pouco. Adorei os pasteizinhos e o macarrão (noddle) deles. Também notei que eles gostam bastante de torta floresta negra e de cheesecake, são fáceis de achar. Como num passe de mágica, comecei a comer com os “kuàizi” como uma quase profissional. É só pegar a manha e se concentrar que se torna simples comer com eles, gostei muito!
Não vá para a China esperando tomar muita coisa gelada. É claro que eles tão se adaptando ao nosso jeito, mas mesmo assim é comum você não achar gelo fácil, e nem as bebidas bem refrigeradas, no entanto eles têm de tudo: yorgut, cerveja, refri, leite, água de côco, suco...mas nem sempre é garantido que você vai tomar geladinho, como preferimos.
Segundo um amigo, Yixing tem a melhor chaleira do mundo, e gente de todo lugar compra os jogos de chá deles. Eu acabei ganhando um jogo dele, com direito a maletinha retrô, direto de um ateliê no qual a dona emite certificado de qualidade (todo em Mandarim ¬¬’) do produto dela. Não podia ter sido melhor. Ah, podia: um outro amigo, em Guangzhou, me deu uma caixa de chá chinês!!Fechou!
Como vocês podem ver, os chineses são muito hospitaleiros, me receberam super bem, levaram para conhecer a cidade, comer, e rolou até presentinhos. Mais importante que isso foi também conversar com eles, trocar histórias, rir bastante, ouvir ensinamentos, descobrir que somos muito mais parecidos do que imaginávamos, como na crença popular (que agora sei que é universal) de que todo pescador é mentiroso, e por aí vai.
Falando sobre a cidade, Yixing é daquelas típicas do interior, cheia de agricultores com os chapeis de bambu em cone, e um monte de plantação de arroz. Está cada vez mais difícil de encontrar vaso sanitário nos banheiros, predominando aquelas louças no chão. O Inglês fica cada vez mais escasso, mas dá para desenrolar com palavras soltas e muita imaginação na hora da mímica ou apontando para as coisas. Encontrei uma senhora agricultora super simpática, e pela primeira vez resolvi tirar o livrinho de Mandarim da bolsa e usá-lo, só que não contava com um detalhe: ela não sabia ler!! Conversa (mímica) vai, conversa vem, ela acabou me mostrando a horta dela e do marido, me deu um monte de tomate e ainda dei uma voltinha na motinha elétrica dela!!Foi demais! Por sorte eu tinha uns cookies na bolsa e pude retribuir um pouco da simpatia dela.
Em Yixing fiquei sabendo um pouco sobre o “Buda Sorridente” que está em todo lugar! Eu adorei a carinha feliz dele, e quando perguntei o que ele fazia, me falaram que ele deixava as pessoas felizes. É verdade! Não descansei enquanto não achei um que me fazia feliz também, e quando voltei para casa, reconheci que o buda que eu tenho desde criança é justamente ele!! Segundo a internet, ele é o Pu-Tai.
Foi interessante aqui o fato de que o estrangeiro se destaca mais do que nas cidades maiores, que já tem um grande fluxo de turistas, como em Taipei, e até mesmo em Shanghai. Aqui as pessoas encaram mais, e me lembrou um pouco de uma situação engraçada, ainda em Taipei, quando entramos em um banco logo que abriu o expediente, para trocar dinheiro, e o pessoal ficou nervoso, encarou bastante e também sorriu muito. Daqui para frente essas situações são bem raras, já que trombamos com turistas de todo os tipos: muçulmanos e indianos com seus trajes típicos, brancos e loiros altos vindos de não-sei-onde, e muitos orientais com pele mais morena, cabelos mais crespos, diferenciando do padrão liso escuro dos cabelos chineses.
Sobre isso, eu não consigo mais achar todo chinês igual. Achei eles com muitas características diferentes, incluindo: comprimento e formato do rosto; dos olhos; uns mais altos, outros mais baixos e até mesmo tons de pele, mais branca ou mais amarelada. Não vi dificuldade em registrar rostos e até reconhecer depois no meio da multidão. É claro que eles não são misturados como nós, por isso a semelhança à primeira vista, mas se olharmos bem, não é tanto assim. Vi que nem todo chinês é magro, a população de gordinhos anda crescendo por aqui, mas ainda podemos considera-los um povo de magrinhos, em geral, pequenos – mas alguns dos meus amigos provaram o contrário e são altos.
NINGBO
Próxima parada: Ningbo!
Ningbo, segundo meus amigos de lá, é dona do maior porto da China, e de onde saíram os primeiros navegadores chineses para conhecerem o mundo! Assim como em Shanghai, eles tem um The bund (cais) com uma linda vista para prédios iluminados. Perto desse cais, no centro da cidade, tem uma série de ruazinhas super colorida e animada, com um barzinho colado no outro. Com karaokê, músicas ao vivo (em Inglês), cervejas do mundo todo – incluindo nossas conhecidas Corona, Budweiser, Heineken.
| The bund em Ningbo |
Aqui eu consegui melhorar meu Mandarim que consistia em apenas duas palavras: Laowai (gringo, que às vezes pode ser usado em sentido pejorativo) e Nihao (olá). Acrescentando o Kuàizi (palitinhos), agora também sei o Ganbei (tim tim) e Xièxiè (obrigado). O mais importante foi que a essa altura do campeonato, eu finalmente aprendi a realmente usar pelo menos essas, assim saí treinando e logo peguei a prática. É muito divertido falar o idioma local, eles gostam bastante, e olha que eu só ficava no “olá” e “obrigada”, mas já é suficiente para melhorar a comunicação, dava para iniciar e concluir todos os diálogos com duas palavrinhas, só bastando acrescentar algumas palavras-chaves em Inglês pelo meio e voilà, resolvido o problema quando a comunicação apertava. Pena que durou pouco, em Hong Kong e Guangzhou eles falam o cantonês, que é diferente do Mandarim. Fiquei sabendo que eles aprendem o Mandarim nas escolas e sabem falar – além dos dialetos de suas províncias. Posso falar sem medo de ser incompreendida, mas não é a mesma sensação alegre, porque eles sabem, só que não é o idioma principal, aí acabei usando cada vez menos.
Sobre idiomas, tenho duas histórias engraçadas: a primeira é que em território chinês comecei a perceber que sempre que alguém vinha me atender, eles falavam de cara “Hello”, e ficava engraçado quando eu estava em uma fila, como nos aeroportos ou estações de trem, que os atendentes cumprimentavam todos com “Nihao” e na minha vez sempre trocavam para o “Hello”, sem errar nenhuma vez. Acho que eu não consegui me misturar e passar despercebida muito bem! hahaha
Outra foi quando eu estava chegando em Ningbo, ainda no trem e morrendo de sono, aí um homem veio me perguntar se era a estação correta. Ele falou em Inglês comigo, mas por um segundo notei uma palavra familiar quando ele falou com um de seus amigos. Eu fiquei desconfiada que ele tinha falado em Português, mas o sono ainda me nublava o pensamento e desconfiei do que ouvi. Resolvi perguntar se ele falava Português (ainda usando o Inglês), e depois de sua confirmação, sorri e começamos a falar em brasileirês mesmo. É legal ouvir a língua materna no exterior, tão inusitadamente, mas logo tive que me separar do grupo de brasileiros que também estavam por lá à negócios.
Em Dubai, na volta pra casa, já no terminal em que iria pegar o voo pra sampa, fui aos poucos encontrando os brasileiros nas lojinhas, até que na frente do portão de embarque estava lotado de brasileiros, e já começava a saudade de ouvir as línguas estranhas novamente.
Ningbo é uma cidade grande, com muita coisa pra fazer, e por lá não senti o impacto da poluição do ar como nas últimas duas. Não deu para ficar o tempo que eu gostaria, mas o pouco que conheci gostei. Principalmente das amizades que por lá fiz. Foi ruim ter que me despedir.
Comi outro banquete de negócios à moda chinesa com a mesa repleta de tudo um pouco – e já bem mais acostumada aos cheiros, temperos e sabores. Encontrei com a primeira Igreja Católica da viagem, mas infelizmente estava fechada na hora.
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| Almoço em Ningbo |
Algumas vezes durante à viagem eu tentei assistir à TV chinesa, mas não curti muito a programação local. Tem filmes e telejornais, mas é incômodo ver por muito tempo sem compreender nada. A TV internacional funciona por aqui, assim como em Hong Kong, Taipei, Guangzhou...em Shanghai, que já notei ser mais fechadão, só pega TV local. Em alguns hotéis deu pra ver até mesmo HBO com áudio original e legendas em Mandarim; o que saiu um pouco dos limites foi quando eu estava em Taipei e me deparei com a propaganda da Trivago local, passando várias vezes, tal como no Brasil, é mole?! Na China (exceto Taiwan e Hong Kong) o Google é proibido, como consequência, não funciona Youtube, Gmail e outros serviços deles, além de Facebook, Twitter e Instagram. Em resumo, pega legal o Whatsapp, inclusive para chamada, mas as outras redes sociais deveriam ficar aposentadas – deveriam só, porque na prática a gente instala um VPN que essa galera volta a funcionar todinha de novo, ou é só esperar chegar em Hong Kong que por lá é liberado de novo (Taiwan também).
HONG KONG
Essa foi a cidade que mais me encantou durante toda a viagem. Me apaixonei quando estava no avião, olhei pela janela e vi o mar verde. O aeroporto, enorme e encantador, tem suas paredes de vidro, claro, para que possamos ver os seus arredores: o aeroporto fica na ilha de Lantau, e rodeado pelo mar lindíssimo da China Meridional (que faz parte do Oceano Pacífico).
Aqui, todos os problemas de comunicação ficaram para trás (a não ser nos táxis que continuam difíceis, como nas outras cidades, e muitas vezes dependendo de já termos o endereço em Mandarim), pois Hong Kong foi colonizada pelos ingleses, o que fica marcado logo de cara pelo trânsito, que além de seguir a mão inglesa, tem os carros com o lado do motorista à direita, e os ônibus da cidade são os double-decker buses (ônibus de dois andares) típicos de Londres. Devido ao fluxo de trânsito estar em lados contrários ao do resto do mundo, nas esquinas têm avisos no chão apontando para qual lado o pedestre deve olhar antes de atravessar, em Inglês e provavelmente em cantonês (língua oficial daqui).
Fiquei no hotel Harbour Bay, de quartos pequenininhos, mas muitíssimo bem localizado na incrível área de Tsim Sha Tsui. Lá não tem café da manhã, mas tem muita coisa gostosa pra comer nos agora já familiares 7 eleven, inclusive uma espécie de bolo de rolo (simples ou de caramelo) e pãezinhos e croissants recheados. Assim que entrei no quarto, encontrei um smartphone na mesinha escrito Handy (https://www.handy.travel/) que o hotel fornecia para usarmos à vontade, com direito a chip local, internet free e guia de turismo. Enquanto eu estivesse hospedada no hotel, poderia usar o Handy nas ruas como um mapa e tudo mais.
Hong Kong é composto de uma série de ilhas, e eu gostei muito de ficar nesta, Tsim Sha Tsui, pois além de ser bem movimentada, com muita coisa pra fazer – inclusive um ótimo comércio, ainda tem uma vista incrível para a Ilha de Hong Kong, e foi ela que me fez ficar apaixonada pela cidade.
A primeira vez que vi a baía pela área das estátuas dos artistas (a Avenida das Estrelas está em reforma, mas o trecho das estátuas está aberto) e é lá que está o Bruce Lee em sua famosa pose de Kung Fu. Depois de ver o mar de seu denso verde e sua linda paisagem, continuei rodando pelo bairro e após ver tantas novidades me dei conta de que não recordava a imagem da baía e senti a urgente necessidade de vê-la novamente. Retornei, mas me dirigi a outro ponto de observação: o da Torre do Relógio. Foi lá que está uma das vistas mais bonitas que já vi na vida: o mar em primeiro plano, seguido por uma longa faixa de prédios moderníssimos, tendo como plano de fundo umas montanhas semicobertas por nuvens de chuva, que logo logo iriam cair. De tirar o fôlego.
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| Marcas |
| Templo |
| Igreja Anglicana |
Os táxis são engraçados na China. Quando estive em São Paulo, já achei os taxistas muito tecnológicos (até demais) com vários celulares ligados e presos no painel do carro, com aplicativos e GPS ligados. Em Taipei, essa quantidade de informação e tecnologia parece dobrar, se é que isso fosse possível. Por lá, além de vários aparelhos voltados para o motorista – e dois quais você não consegue tirar o olho, tem uma tv ligada atrás do encosto do banco do passageiro, passando umas propagandas e programas incompreensíveis. Em Shanghai, o choque: a maioria das frotas dos táxis são de Santana da Volkswagen. Santana!!! Em uma cor sem graça, um verde ou azul água sem cor. E a separação do local do motorista para o do passageiro é feito por uma armação que parece dos carros de corrida Stock Car. Em outras cidades chinesas se assemelham a esse estilo, mas sem essa divisória esquisita. Em Hong Kong, eles usam em sua maioria a frota de Toyotas Comfort!!! Comfort!! Numa cidade em que tinha uma Lamborgini topando na outra, e outras máquinas importadas – na verdade em toda a China, e acabam por usar esses táxis vintages. Até que os de Hong Kong eu gostei bastante, eles eram de um vermelho vivo, e além do que o lado do motorista fica à direita, por causa da tal mão inglesa que reina por lá, trocadilhos à parte.
Hong Kong tem uma rica tradição cinematográfica, e não sei se por vê-la retratada em alguns filmes, mas o tempo todo me vi em um filme de ficção ou aventura durante o tempo em que passei por lá. A atmosfera das ruas, apinhadas de comércio com suas fachadas e placas atrativas parecem típicas dos filmes hollywoodianos quando querem retratar a Ásia. Da vista da baia, me vi em uma refilmagem do King Kong, com suas montanhas sinistras, mar profundo, mas com prédios rasgando a paisagem selvagem (não faz sentido, mas foi o que senti, ué!)
GUANGZHOU
Guangzhou (Guandou), última parada!
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| Na Beijing Road com meu amigo |
Fiquei no fantástico “Royal Mediterranean Hotel”, que segue o padrão luxuoso chinês, com enormes proporções: o quarto, o lobby, o restaurante etc. No quarto, outra vez tive um encontro marcado com uma gostosa banheira. “Mãe, como faz pra ter uma dessas em casa?”
Por aqui o trânsito é mais bagunçado. Tem bicicletas elétricas cruzando por todos os lados, inclusive andei na carroceria (sim, carroceria!!!) de uma delas. Show! À noite fui na famosa Beijing Road (Rd. Pequim), que conserva as pedras da rodovia original, e tem as magníficas lanternas vermelhas chinesas.
Em Shanghai, a vista dos prédios iluminados no The Bund é meio que um cartão-postal da cidade. No entanto, vi que além de Ningbo também ter um (em menor escala), ao longo do caminho de trem que fiz pela noite, passei por cidades menores que também tinham os seus prédios com luzes fortes e coloridas assim que escurecia. Ao chegar em Guangzhou e caminhar pela Beijing Road, vi a intensa iluminação do local e perguntei a um amigo o porquê dessa fascinação chinesa pelo neon nos prédios e todo esse apelo visual.
O chinês, como se era de esperar, nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, e também nunca tinha se dado conta que era tão forte assim a iluminação : para ele, os telões de LED passando imagens nas faixadas dos prédios, todo o neon, as luzes piscando, os letreiros piscando informações, é – pasmem – normal, cotidiano. Bom, para mim não é nem um pouco comum, e sim bem impressionante e diferente das noites brasileiras. Tentamos descobrir um porquê dessa iluminação “cheguei” e meio que fizemos uma teoria de que eles usam as luzes como uma forma de destaque – ora, num país em que as menores cidades tem 3 milhões de habitantes, o destaque se faz necessário para o cotidiano, para o sucesso no negócios etc.
Nessa mesma rua encontrei outro exemplo da dualidade moderno vs. tradicional que tenho encontrado pela China. Ao passar por todos os prédios modernos e seus LED’s havia um prédio ao fundo (iluminadíssimo) com a arquitetura chinesa milenar. Ao me aproximar, encontramos um templo de budas enormes na frente desse prédio. Em plena rua moderna, rodeado de comércios do século XXI, também comporta espaço para um templo de milhares de anos.
Ao todo, a China parece ter essa dualidade em diversos aspectos, no qual o moderno vem representado pela influência ocidental, se infiltrando nas tradições chinesas. A começar pelo governo, antes comunista, mas que há um tempo já abriu as portas para o capitalismo e rapidamente se espalhou (e dominou) conquistando o mundo com seus produtos, mas ao mesmo tempo recebendo o comércio exterior em suas cidades – como vemos pelas ruas espalhadas de lojas com marcas mundias (Nike, Adidas, Apple, LG, Sony); fast-food’s em todos os lugares (KFC, McDonald’s, Burguer King, Starbucks, Subway) e restaurantes de comidas de vários países (ocidentais e orientais); Coca-cola por todo lado, além de outras influências na alimentação tais como a inserção do leite de vaca, queijos, yorgut etc.
Em Taipei e Hong Kong, mais modernos e independentes, encontrei um pôster anunciando o show da cantora Ariana Grande, que está fazendo uma turnê mundial, e que inclui também os territórios chineses, oras! – apesar de que no restante da China, segundo uma amiga de Ningbo, não tem shows desses artistas internacionais, eles não vão para lá. Apesar disso, ano passado um desfile da Chanel foi realizado em Pequim, e em Ningbo vi um pôster imenso do novo filme do Tom Cruise, A Múmia, que na mesma época estreou no Brasil. E agora?! Eles tem que se decidir!
Para se aproximar do mundo ocidental, o chinês teve que se adaptar a vários novos hábitos, a começar pela própria língua, pois o Mandarim e os outros dialetos falados nas cidades e províncias são de extrema dificuldade de compreensão à um ocidental, tanto a parte escrita quanto falada, e por isso o Inglês cada vez mais é inserido na sociedade para poderem receber os turistas e realizar o comércio externo.
| Jardim no meio de Hong Kong |
O povo chinês, se mostrou bastante receptivo, tentando sempre se comunicar, interagindo, agradando, sendo solícitos, desde funcionários até os amigos que fui visitar. Em algumas cidades, o idioma Inglês é mais comum que em outras, mas mesmo sem idioma algum existe comunicação devido ao desejo de ajudar o máximo possível. Aquela imagem de uma China fechada, cheia de segredos e de policiais de cara fechada proibindo tudo foi desmanchada em minha mente. Ainda há enormes diferenças culturais e de hábitos, claro, mas também há semelhanças que acabam por também nos aproximar.
Falam muito sobre a receptividade do brasileiro, somos realmente muito festivos e acolhedores, mas senti o mesmo acolhimento dos chineses, que foram pessoas muito queridas e que do jeitinho deles, mais reservados e contidos, tão bem me receberam.
| Hong Kong |














