quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Especial de Natal


  

O Natal chegou ! E pra mim já chegou faz um tempinho...

Nas TVs só se fala nisso, os colégios finalizaram, as confraternizações e depois os recessos das empresas, as casas enfeitadas, e o comércio ?! Lá é Natal desde Novembro...

O Natal pra mim, nunca foi só a noite do dia 24 e o dia 25 : e sim o mês inteiro!

Entra Dezembro, e até o ritmo da cidade fica diferente, principalmente na minha casa, quando começamos os preparativos pra tradicional viagem de fim de ano. Desde sempre, nós passamos (pelo menos) o Natal e o Ano Novo em Recife, na casa dos meus avós maternos.

Esse ano fiz um regime visando um objetivo : primeiro diminuir, depois repor ! O último mês do ano é recheado de confraternizações e festinhas + as ceias de Natal e Réveillon; eu ainda queria muito matar a saudade dos meus restaurantes e lanchonetes preferidos, e pra botar a cereja no bolo tenho uma vó com complexo de Tia Nastácia!!Huuum!

  

A minha família tem a tradição do Natal, mas sei que muita gente não tem essa cultura, e muitos infelizmente não podem comemorar. Por um lado é uma data triste, melancólica, porque é tempo de fazer um balanço do ano que passou, e tudo o que foi realizado (ou não). A vida não é justa, pois desejamos sempre que as pessoas tenham uma família, saúde, paz, amor, um lar, mas a realidade é bem diferente, e tudo fica mais à mostra nessa época do ano.
                            

Agora, lindíssimos são aqueles que aproveitam essa época pra ajudar os que mais precisam, fazendo caridade com todas as campanhas de doação, visitas aos hospitais, lares e ajudando muito aqueles que mais precisam de carinho, atenção e cuidados.

Confesso que sou muito privilegiada, porque posso comemorar mais um ano ao lado de minha família, com muita comida gostosa, compras, ganhando presentes, presenteando, revendo pessoas queridas, a missa, a festa : tudo é o Natal !

Eu era daquelas que sempre aguardou com ansiedade a programação especial de final de Ano da TV. Assistia a tudo, os filmes, os programas, as séries.

Sou consciente que isso se deve a uma vida assistindo os filmes hollywoodianos, mas quando penso no Natal, me vem logo à mente neve e gostinho de chocolate quente.
 
                                   

Assisti vários filmes de Natal, na verdade, acho que todo mundo faz isso, porque é só começar Novembro que eles aparecem por todos os lados ! No cinema, DVD, na televisão... a maioria é legalzinho, divertem, mas só valem a pena ver uma vez. Entretanto, há filmes que são especiais, provavelmente vocês já viram, mas com certeza vale a pena conferir de novo !!

 Esqueceram de Mim 2 : Perdido em Nova York 


Esse filme está no topo da minha lista, pois além de ter feito parte da minha infância, é um verdadeiro clássico do cinema. Os dois primeiros filmes Esqueceram de Mim, marcaram toda uma geração e tem lugar garantido em qualquer lista de filmes de final de ano. Coloquei o segundo, porque considero ainda melhor que o primeiro, e com um climinha de Natal perfeito. Fica a dica esse filme de 1992, com o adorável Macaulay Culkin e o incrível diretor, Chris Columbus.
                               
                                

Um Herói de Brinquedo


                               

Eu quero um TURBO MAN!!!!

Quem nunca assistiu Um Herói de Brinquedo, tá mentindo!! Brincadeirinha...
Mas que esse filme passou muuuito na televisão, isso passou. É uma história boba, leve e divertida, tudo na pitada certa para criar um bom filme de Natal. Gosto muito dele, e assim como o filme anterior, tem seu espaço reservado na história do cinema mundial.
Jingle All The Way, 1992, com Arnold Schwarzenegger.

O Grinch



Esse filme também não poderia faltar porque tem todos os pré-requisitos : comédia, uma mensagem natalina; o típico filme pra assistir com a família. Só não aconselho quem não gosta do Jim Carrey, assistir. Ele é o ator principal e tá daquele jeito que muitos adoram, e outros odeiam.
How the Grinch Stole Christmas, 2000.

O Expresso Polar
                                   

Como não poderia faltar, um filme de animação natalino, muito bem feito e com uma história linda!
Vale a pena assistir!
The Polar Express, 2004.

O Amor Não Tira Férias

                               

Não sei qual será a sua opinião sobre esse filme, mas confesso que a minha é bem exagerada porque muitos fatores abalaram o meu poder de julgamento :
Eu assisti esse filme com a minha mãe, no cinema, nas vésperas do Natal, e depois de um bom tempo sem entrar numa sala de projeção.
Achei tudo tão lindo, a paisagem, os atores, a história, que me emocionei só em tá lá assistindo o filme.

Exageros à parte, a história é realmente fofa e dá muita vontade de morar nas duas casas.
The Holiday, 2006.

Feliz Natal !!!!






quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Falando um pouquinho sobre música





Música é um tema que não poderia faltar no meu blog , pois sou apaixonada por elas, adoro diversos estilos musicais. <3 <3

Sou daquelas que escuta música em qualquer momento do dia : comendo, no ônibus, correndo, estudando, de manhã cedo antes de sair de casa, dirigindo, tirando um som no violão. Escuto música em casa, e ás vezes saio só pra ouvir música. Não importa como : DJ, cantor, dupla, banda...

A trilha sonora da minha vida é muito extensa, algumas com letras bonitas, outras nem tanto...são muitas bandas, artistas, e canções especiais que foi muito difícil decidir de qual eu iria falar primeiro. Decidi falar não classificando a primeira como a mais especial, sendo assim, vamos lá :


Alicia Keys

Já ouviram falar dessa cantora? Ela é incrível ! Tem músicas maravilhosas, como: Teenage Love Affair, Unthinkable, My Boo, We Are Here, Doesn't Mean Anything, Try Sleeping With a Broken Heart, Like You Never See Me Again, Brand New Me e as mais conhecidas : Girl on Fire, No One, Empire State of Mind.
Mas eu tenho um caso de amor com uma em especial : Fallin'

Na minha adolescência, eu ainda não tinha canal de clipes em casa, e nem uma internet rápida; as duas estações de rádio da minha cidade nunca foram muito boas, então ficava um pouco difícil ouvir uma música legal. Até porque estava fora de cogitação comprar todos os CDs pra ouvir todas as músicas que eu queria.

Hoje em dia as coisas estão muito mais fáceis, você pode escolher a música que quiser e em menos de um minuto você já tem ela salva em seu computador. Antes não era assim tão simples, sem me distanciar muito, há alguns anos atrás já levei uma hora pra baixar uma simples música!

Até pra armazenar os arquivos era mais difícil que hoje, eu ainda peguei a época do disquete, aí só depois vieram os gravadores de CD, DVD, e finalmente os pen drives que (ainda bem) baratearam muito.

Enfim, para ouvir umas músicas mais diferentes, ficava muito difícil pra quem não tinha assinatura de TV em casa, e a MTV só passava em algumas cidades na TV aberta. O youtube já existia, mas com a velocidade da internet que eu tinha, era impraticável.

Minha salvação foram os amigos que me passavam as músicas que conseguiam, e dessa forma fui formando o meu estilo musical.

Numa dessas, conheci a tal da Fallin' da Alicia Keys, e foi amor à primeira vista. Ouvia todos os dias, e corri na hora atrás das outras músicas dela.

Nunca tive a oportunidade de ver a sua performance ao vivo, mas foi muito emocionante só em ver os shows dela na abertura da Copa da África em 2010 e no Rock in Rio do ano passado.



Fallin'

Alicia Keys


I keep on fallin'

In love

With you

Sometimes I love ya

Sometimes you make me blue

Sometimes I feel good

At times I feel used

Lovin' you darlin'

Makes me so confused 



CHORUS 



I keep on

Fallin'

In and out of love with you

I never loved someone

The way that I love you


Oh, oh, I never felt this way

How do you give me so much pleasure

And cause me so much pain

Just when I think

I've taken more than would a fool

I start fallin' back in love with you


CHORUS


Oh baby

I , I , I , I'm fallin'

I , I , I , I'm fallin'

Fall


CHORUS

 

Im fallin'

In and out of love with you

I never loved someone

The way that I love you


I'm fallin'

In and out of love with you

I never loved someone

The way that I love you


What?

Me apaixonando

Tradução


Eu continuo

Me apaixonando

Por você

Às vezes eu te amo

Às vezes você me deixa triste

Às vezes eu me sinto bem

Outras, eu me sinto usada

Amar você, querido

Me deixa tão confusa


Refrão 



Eu continuo

Me apaixonando

Por você

Nunca amei ninguém

Do jeito que amo você


Oh, oh, nunca me senti assim

Como você me dá tanto prazer

E me causa tanta dor

Quando começo a pensar

Que tirei mais do que perdi

Começo a me apaixonar de novo por você


Refrão


Oh, baby

Eu, eu, eu estou me apaixonando

Eu, eu, eu estou me apaixonando

Apaixonando


Refrão


Me apaixonando

Por você

Nunca amei ninguém

Do jeito que amo você


Me apaixonando

Por você

Nunca amei ninguém

Do jeito que amo você


O que?





domingo, 14 de dezembro de 2014

A Dublagem e o Cinema


Não sou especialista em cinema, longe disso, porém na condição de frequentadora de salas de cinemas desde os três anos de idade, acho que sei de uma coisa ou outra.

Tenho uma implicância com filmes dublados, que quem me conhece provavelmente já me viu resmungando esse assunto. Quando criança assistia os meus filminhos dublado, enquanto minha mãe (outra aficionada por filmes) assistia os dela com o áudio original. Um dia, alugamos Legalmente Loira em VHS, aquelas fitas cassetes com o filme sem podermos escolher o áudio e sem todos os extras que apareceram nos DVDs. A fita veio trocada (com o filme legendado) e minha mãe disse que poderia ir trocar, mas eu topei assistir assim mesmo; essa era a oportunidade que ela tava esperando e já que deu tudo certo, ela aproveitou pra alugar os próximos filmes ( sempre que possível ) com o áudio original.

Reese Witherspoon em "Legalmente Loira"
 
Existe um preconceito de que só assiste filme legendado quem sabe inglês. Mas vejam só, a legenda está escrita em português, você só precisa ser alfabetizado na nossa língua para se tornar totalmente capaz de acompanhar o filme com as legendas. No começo, por falta de costume, é normal ter dificuldade em ler e acompanhar as cenas ao mesmo tempo, mas se tiver vontade, é rapidinho que você pega o jeito.

Minha mãe conta que quando foi ao cinema pela primeira vez, foi para assistir o filme E.T, e mesmo sendo bem pequena, teve que ver legendado porque na época só tinha assim. Antes, os cinemas aqui no Brasil não tinham essa moleza de filmes em português, só se fosse nacional mesmo, e ninguém deixava de ver filme por causa disso.


 
Não, ninguém precisa saber a língua do filme pra entender um filme com legendas, o que tá faltando mesmo, é o povo deixar de ter tanta preguiça para ler, que nem legenda eles querem, quanto mais um livro. Claro, salve exceções, é isso o que geralmente acontece.

No Brasil, o grande público consome os filmes dublados. Vemos isso claramente nas banquinhas de filmes piratas, nas reuniões dos amigos, e até mesmo nas TV pagas, no qual antes predominavam as legendas, mas agora com o aumento do mercado consumidor tão cedendo o espaço para a dublagem (só acho errado porque eles estão tirando um áudio para colocar o outro, sendo que eles deveriam disponibilizar o que o cliente deseja, seja português ou inglês).

Em um cinema de Marabá, por exemplo, além de só comprarem filmes de grande público, não fazem a menor questão de disponibilizar ele legendado. Quando raramente o fazem, é cheio de problemas : uma sessão, que fica por uma semana, muitas vezes só em 3D, e depois de todas essas barreiras, já cheguei na hora da sessão pra saber que foi cancelada por problema na legenda.

Nem tudo é preto & branco.

Com cinema, tudo vira história pra mim. Coleciono há anos bilhetes de entrada, tenho recordações das idas com a família, amigos, ou um namorinho; os lanches e docinhos de cinema; nas vezes em que fui para comemorar algo, outras que fui como um passeio, e outras tantas vezes para superar um dia ruim. Risos, choros, filmes lindos e filmes péssimos.

E como não poderia deixar de ser, a dublagem também protagonizou os filmes que fazem parte da minha vida. Já assisti por curiosidade, alguns desenhos em inglês e não chegaram nem aos pés da dublagem brasileira.

A Nova Onda do Imperador, Mulan, e na verdade qualquer outro desenho, sendo das telonas ou da TV; na minha opinião, ninguém supera os brasileiros.

 
A dublagem de atores também não me incomoda sempre; alguns atores eu já reconheço pela própria voz, mas têm vários que eu conheço pela voz brasileira deles: Robin Williams, Adam Sandler/Ben Stiller, Jodie Foster/Nicole Kidman, Sandra Bullock, Ed Murphy, Jim Carey, Drew Barrymore... Assistir filme dublado deles nem me incomoda tanto, pois ouvi tanto essas vozes durante as tardes de Sessão da Tarde, que parece até que é a deles.

Filmes como o recente Malévola, e as animações, tem um trabalho de dublagem bem feito. Só que no geral, o áudio do dublado fica com as falas baixas e o som da ação alto, prejudicando o filme. E além do mais, com ele, nós perdemos a oportunidade de ouvir as vozes dos atores e acabamos só escutando as mesmas vozes com aquele mesmo tom artificial, para pessoas diferentes.

Eu gosto do áudio original, independentemente de qual língua seja, pois é uma oportunidade de ouvir diferentes sotaques, diferentes idiomas, reconhecer um artista por sua voz. Tendo que ler, depois que se tem a prática, além de não perder nenhum detalhe do filme, ajuda a se concentrar mais na história, desenvolve a leitura dinâmica e o mais importante : apreciamos mais a atuação do ator.

Uma vez assisti em casa o filme Menina de Ouro, o qual a atriz principal, Hilary Swank, venceu o Oscar de melhor atriz por esse personagem. A atuação dela foi incrível, e eu fiquei muito impressionada com as cenas dela na cama do hospital; ela falava com uma voz tão sofrida, sussurrando, e isso me marcou muito. No outro dia, a minha vizinha foi assistir o filme e eu fiquei vendo algumas cenas lá com o pessoal, só que dublado, e a mesma cena que eu vi no dia anterior nem de longe me emocionou.

A dubladora, não conseguiu transmitir a emoção da atriz. Mas vamos combinar que é difícil pra dublagem, né?!

Hilary Swank em "Menina de Ouro"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Lixo no Lixo




 Jogar lixo no lixo

Essa é a conversa mais velha do mundo!!Tá, talvez eu esteja exagerando um pouquinho, mas que eu escuto esse papo desde criança, ah isso eu escuto.

Que o lixo pode entupir os esgotos e contribuir para as enchentes, que não temos espaço no mundo para todo o lixo que produzimos, que ele deve ser reciclado, também que esses dejectos devem ser descartados em locais apropriados para não prejudicar a saúde da população....bom, isso todo mundo já ouviu falar. Agora, e na prática? Sabemos que a realidade é beeem diferente, se não as cidades não seriam tão sujas.



As escolas tentam ensinar para os seus alunos como ter uma relação mais saudável com a natureza, mas a educação fora dela que as crianças recebem é bem diferente. Aqui no Brasil tem uma cultura terrível de acumular lixo, para depois atear fogo, com certeza dando um trabalhão muito maior do que simplesmente jogar na lixeira esse lixo. No meu bairro adoram fazer isso, e aí quem sofre é a natureza (solo, ar, animais, plantas) e a asmática aqui que vos escreve.



Tô cansada de ver no ônibus (e na rua em geral) o pessoal jogando lixo pela janela. Hoje um cara teve o maior trabalhão pra abrir a janela, pra poder jogar um lixo fora; agora se esforçar pra jogar no lugar certo ninguém quer, né?! E nem adianta reclamar que a culpa é só por não ter lixeiro suficiente nas ruas! Esse ano, colocaram lixeiras na orla aqui de Marabá, e a população muito linda, rapidinho deu sumiço nas bacias e só deixaram as tampas quebradas. Como é que pode? Simples, eles não se preocupam com a conservação dessas coisas porque já é tradição pra eles jogarem tudo no rio. Só que depois é chato quando vem a enchente trazendo o lixo todinho de volta pra casa dos mesmos que poluem.




sábado, 29 de novembro de 2014

Crônicas...Tem um lapisai?



Tem um lapisai?


Desde criança eu gosto de crônicas, meu primeiro contato com elas foi com o livro “Um país chamado infância”, de Moacyr Scliar. Achei incrível e não queria mais parar de ler, li muitas, e desde sempre o meu autor preferido é o grande Luís Fernando Veríssimo.

Uma vez, um par de anos atrás, li uma do Fernando Sabino chamada Albertine Disparue, que nem de longe é a melhor que eu já li, mas com um trecho que me chamou a atenção :


“– Você sabe escrever?

– Sei sim senhor – balbuciou ela.

– Veja se tem um lápis aí na gaveta.

– Não tem não senhor.

– Como não tem? Pus um lápis aí agora mesmo!

Ela abaixou a cabeça, levou um dedo à boca, ficou pensando.

– O que é lapisai? perguntou Finalmente.”


Sete letrinhas, lapisai, mas depois dessa eu nunca mais consegui ouvir alguém perguntar: “Tem um lápis aí?” sem lembrar dessa frase. Não faço ideia do resto do texto, mas essa piadinha do autor marcou bastante, e toda vez que ouço a frase não consigo evitar um sorriso.

Outra marcante foi essa, “Jenesequá : Uma Parábola”, agora do Veríssimo :

"Tenho tudo o que o dinheiro pode comprar", disse o milionário, "mas me falta não sei o quê."
Rudi cruzou as pernas, puxou o friso impecável das calças entre dois dedos manicurados e sentenciou:
"Já sei. Lhe falta je ne sais quoi."
ISSO.
O milionário pulou da cadeira. Rudi acertara na mosca. Ainda de pé, o milionário gritou outra vez:
"Isso! É exatamente o que me falta. Jenesequá. Eu quero que você me ajude a consegui-lo. Pago qualquer preço pelo jenesequá." 


 

Ás vezes quando sinto falta de um adjetivo, já sei o que usar : Jenesequá. rsrs





 


Como não poderia faltar, vou encerrar o papo de hoje com uma crônica em homenagem as professoras, que é uma das minhas preferidas :

PEÇA INFANTIL

A professora começa a se arrepender de ter concordado (“Você é a única que tem temperamento para isto”) em dirigir a peça quando uma das fadinhas anuncia que precisa fazer xixi. É como um sinal. Todas as fadinhas decidem que precisam, urgentemente fazer xixi.

-Está bem, mas só as fadinhas – diz a professora. – E uma de cada vez!

Mas as fadinhas vão em bando para o banheiro.
 

-Uma de cada vez! Uma de cada vez! E você, onde é que pensa que vai?

-Ao banheiro.

-Não vai não.

-Mas tia...

-Em primeiro lugar, o banheiro já está cheio. Em segundo lugar, você não é fadinha, é caçador. Volte para o seu lugar.

Um pirata chega atrasado e com a notícia de que sua mãe não conseguiu terminar a capa. Serve uma toalha?

-Não. Você vai ser o único de capa branca. É melhor tirar o tapa-olho ficar de anão. Vai ser um pouco engraçado, oito anões, mas tudo bem. Por que você está chorando?

-Eu não quero ser anão.

- Então fica de lavrador.

-Posso ficar com o tapa-olho?

-Pode. Um lavrador de tapa-olho. Tudo bem.

-Tia, onde é que eu fico?

É uma margarida.

A professora se dá conta de que as margaridas estão desorganizadas.

-Atenção, margaridas! Todas ali. Você não. Você coelhinho.

-Mas o meu nome é Margarida.

-Não interessa! Desculpe, a tia não quis gritar com você. Atenção, coelhinhos. Todos comigo. Margaridas ali, coelhinhos aqui. Lavradores daquele lado, árvores atrás. Árvore, tira o dedo do nariz. Onde é que estão as fadinhas? Que xixi mais demorado.

-Eu vou chamar.

-Fique onde está, lavrador. Uma das margaridas vai chamá-las.

-Já vou.

-Você não, Margarida! Você é coelhinho. Uma das margaridas. Você. Vá chamar as fadinhas. Piratas, fiquem quietos.

-Tia, o que é que eu sou? Eu esqueci o que eu sou.

-Você é o Sol. Fica ali que depois a tia... Piratas, por favor!

As fadinhas começam a voltar. Com problemas. Muitas se enredaram nos seus véus e não conseguem arruma-los. Ajudam-se mutuamente, mas no seu nervosismo só pioram a confusão.

-Borboletas, ajudem aqui – pede a professora.

Mas as borboletas não ouvem. As borboletas estão etéreas. As borboletas fazem poses, fazem esvoaçar seus próprios véus e não ligam para o mundo. A professora, com a ajuda de um coelhinho amigo, de uma árvore e de um camponês, desembaraça os véus das fadinhas.

-Piratas, parem. O próximo que der um pontapé vai ser anão.

Desastre: quebrou uma ponta da Lua.

-Como é que você conseguiu isso? – pergunta a professora sorrindo, sentindo que o seu sorriso deve parecer demente.

-Foi ela!

A acusada é uma camponesa gorda que gosta de distribuir tapas entre os seus inferiores.

-Não tem remédio. Tira isso da cabeça e fica com os anões.

-E a minha frase?

A professora tinha esquecido. A Lua tem uma fala.

-Quem diz a frase da Lua é, deixa ver... O relógio.

-Quem?

-O relógio. Cadê o relógio?

-Ele não veio.

-O quê?

-Está com caxumba.

-Ai, meu Deus. Sol, você vai ter que falar pela Lua. Sol, está me ouvindo?

-Eu?

-Você, sim senhor. Você é o Sol. Você sabe a fala da LUA??

-Me deu uma dor de barriga.

-Essa não é a frase da Lua.

-Me deu mesmo, tia. Tenho que ir embora.

-Está bem, está bem. Quem diz a frase da Lua é você.

-Mas eu sou caçador.

-Eu sei que você é caçador! Mas diz a frase da Lua! E não quero discussão!

-Mas eu não sei a frase da Lua.

-Piratas, parem!

-Piratas, parem. Certo.

-Eu não estava falando com você. Piratas, de uma vez por todas...

A camponesa gorda resolve tomar a justiça nas mãos e dá um croque num pirata. A classe é unida e avança contra a camponesa, que recua, derrubando uma árvore. As borboletas esvoaçam. Os coelhinhos estão em polvorosa. A professora grita:
 

-Parem! Parem! A cortina vai abrir. Todos a seus lugares. Vai começar.

-Mas, tia e a frase da Lua?

-“Boa noite, Sol.”

-Boa noite.

-Eu não estou falando com você!

-Eu não sou mais o Sol?

-É. Mas eu estava dizendo a frase da Lua. “Boa noite, Sol.”

-Boa noite, Sol. Boa noite, Sol. Não vou esquecer. Boa noite, Sol...

-Atenção, todo mundo! Piratas e anões nos bastidores. Quem fizer um barulho antes de entrar em cena, eu esgoela. Coelhinhos nos seus lugares. Árvores, para trás. Fadinhas, aqui. Borboletas, esperem a deixa. Margaridas no chão.

Todos se preparam.

-Você não, Margarida! Você é coelhinho!

Abre o pano.


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Escrita e a falta de objetividade

Hoje resolvi mostrar para vocês um tópico em que eu provo que a matemática e a língua podem se relacionar muito bem obrigado. Duvida?

Não sei se já deu para notar, mas eu sofro de um mal (ou não), de falta de objetividade na hora de escrever( e de falar também)

Muito dificilmente consigo ir direto ao ponto. Eu tenho a sensação terrível de que o outro só conseguirá compreender o meu ponto de vista, se ele tiver uma introdução, desenvolvimento e só então uma conclusão da história. Sem poupar detalhes, claro.

Se uma jarra de leite cai no chão e quebra, eu acho ainda pior ser obrigada a dizer simplesmente: “Caiu,quebrou.” . Impossível para mim. Eu tenho que explicar que eu estava na cozinha, fazendo tal coisa, aí o telefone tocou, tive que atender, o fio do telefone enrolou....a mão bateu no copo...e por aí vai, até 10 minutos depois falar que o negócio caiu, e quebrou.

Sinto que em toda a construção de diálogo, um ponto se liga com vários outros, e o assunto vai tomando proporções enormes, e vai ficando totalmente diferente do argumento inicial. É aí que entra um raciocínio matemático brilhante:

As árvores matemáticas.


Eu sou louca por elas. Uso o tempo todo no meu dia a dia, para estudar, para conversar, para aprimorar a memória(...). Tive um contato maior com elas, durante o meu estudo na faculdade de computação, no entanto nos colégios todos já conheceram essas árvores: na matemática, biologia...



Elas são muito úteis para organizarmos os pensamentos, um ponto se liga ao outro, podendo assim sempre avançarmos sem nunca perder o “fio da meada”, voltando sempre que preciso a um ponto anterior. Não precisa de decoreba, se você entende algo fácil, descobre uma forma de memorizar e aí vai ficar difícil esquecer o resto.

Sem exemplos não dá pra entender nada :

As campanhas políticas, ou o comercial de uma loja, usam uma música da moda, ou um jingle bem chiclete, aí não tem como a gente esquecer o número do candidato ou o telefone.

No Facebook, Júnior tem a Ana de amiga, a Ana tem o João, daí o face presume que o João pode conhecer o Júnior. E por aí vai. O site de vídeos Youtube explora ainda mais esse recurso.

                                           

Olhem esse poema, conseguem ver uma árvore aí?


QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Nova reunião. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1985.

Voltando (antes que eu me perca nessa árvore que construi), eu quis nesse texto mostrar que a técnica das árvores, pode ser usado na construção de textos. Se você procura objetividade, fuja delas, mas se for como eu, que adora se estender na prosa, esse raciocínio é ótimo para encaixar tudo o que quer falar sem se perder e ainda construir um história ao mesmo tempo.

É melhor eu encerrar por aqui, se não me empolgo e já vou puxar outro assunto com os fiozinhos soltos que sempre sobram, e aí não termino nunca esse papo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Nem tão bons assim...

Da série : filmes que são melhores que os livros.

Todo mundo concorda que os livros sempre são melhores que as suas adaptações para o cinema. Eu também acho, até porque nos livros se tem muito mais liberdade para escrever; nos filmes além do limite da tecnologia e dos atores, há também a censura e faixas etárias que podam muito os filmes. Um exemplo clássico de livro melhor que o filme, é com a série "Harry Potter", que não teve toda sua genialidade transportada para os cinemas.

Eu também vi esse exemplo claro com "P.S Eu Te Amo", um livro lindo e engraçado, mas se você tiver a intenção de ver o filme, aconselho assistir primeiro e ler depois, do contrário a decepção é enorme.

Mas indo contra essa maré, eu já li dois livros que não chegam nem aos pés dos seus respectivos filmes.

O primeiro é "O Silêncio dos Inocentes".

 

Li o livro um tempinho atrás. Tenho um grande amor pelo cinema, mas nunca tinha assistido esse clássico apesar de toda minha curiosidade. Quando eu era criança, vivia nas locadoras e tinha pavor do cartaz desse filme (por causa da máscara do Hannibal), e até pouco tempo não tinha superado esse medo. Decide assistir o filme, mas primeiro teria que ler o livro, pois assim eliminava o fator surpresa, e ficaria mais tranquila assistindo o filme.

Acabou que não precisava nada disso, minha idade e os efeitos não tão assustadores (pra quem é da nova geração de efeitos especiais, claro, se eu visse na época seriam outros quinhentos) me fizeram aproveitar bastante o suspense, adorei, as atuações, tudo. Assisti mais de uma vez, e cai até na besteira de ver os outros filmes da série (péssimos por sinal, mas essa história fica pra depois).

Depois de ver o filme, vi que o livro era muito fraco. O suspense não envolveu tanto quanto no filme, e não gostei da forma como ele escreveu, ele mal descreve a personagem principal...

Anthony Hopkins e Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes, 1991.
Outro exemplo, e desse eu posso até falar melhor porque terminei de ler hoje, foi o "Elite da Tropa".

Wagner Moura em Tropa de Elite, 2007.


Passei anos sem querer assistir o filme "Tropa de Elite", achava muito violento, e olha que foi uma febre no país. Assisti inclusive o segundo nos cinemas, e ainda não tinha visto o primeiro.

Muitos anos depois, zapeando na TV, vi que tava passando o filme e resolvi assistir. Foi uma ótima experiência, passei dias refletindo sobre o filme, fiquei com um gostinho de quero mais, de querer mais para o meu país.

Já o livro não foi tão bom assim. A violência e as histórias contadas (muitas vezes revoltantes) do início do livro me deixaram estressada/nervosa, e acabei transferindo isso pro meu dia. Depois, a história que o livro conta é diferente da contada no filme, e eu tinha ido com a expectativa errada de que seriam as mesmas. É interessante, mas um pouco burocrática, falta um pouco de ação que era constante no início do livro, fora que senti falta de um final, encerrando a situação e mostrando o que aconteceu com todos.

O livro também me despertou sentimentos, só que o grande impacto eu sofri com o filme.Além do que, eu tenho o péssimo hábito de: se não gosto do final, acabo desanimando com a história toda.




domingo, 16 de novembro de 2014

Cineminha

    Ontem fui ao cinema. Esse é um dos meus programas favoritos, vou ao cinema desde que me entendo por gente. Antes era mas difícil, só dava pra ir durante as férias porque na minha cidade não tinha cinema, mas agora que temos, as coisas ficaram bem mais fáceis.

    Hoje não vou falar dessa minha paixão não, se não vou escrever 30 páginas e ainda não vai ser o suficiente. Resolvi usar esse espaço pra fazer um alerta para o pessoal. Sim, um alerta, porque eu prefiro acreditar que as pessoas realmente não percebem o tanto que incomoda o uso do celular nas salas de cinema.


    É chato e sempre incomodou a todos quando o celular toca, e a pessoa ainda por cima atende e fica conversando. Mas o problema de hoje talvez seja ainda pior.

    Ás vezes por alguma emergência, outras só pela questão de vício, as pessoas cada vez mais estão ligando o celular durante a sessão, aí acende aquela luz que incomoda todo mundo e você nem consegue mais olhar para o filme, pois a luz do aparelho fica chamando a sua atenção.


     Não tem uma vez que eu não vá ao cinema e alguém não acende aquele farol incômodo. E é sempre mais de um. O toque do celular é terrível, mas a luz parece ser ainda pior, porque nem todos são atingidos por esse foco de luz, e muitas vezes o cidadão está sentado muitas fileiras à frente, ficando difícil para a gente fazer uma reclamação. Quando é do seu lado ou na fileira da frente, dos males o menor, dá pra dar um chute na cadeira, chegar pertinho e fazer alguma reclamação “delicadamente”, mas quando tá longe muitas vez o remédio é deixar para lá.

    Ontem eu vi de tudo, além das tradicionais fotos, o pessoal ficava jogando jogo (!!), mas quando começou o filme, a maioria até que respeitou e acalmaram seus celulares. Só que ainda assim, tiveram uns que insistiram em dar uma checada teimosa nas redes sociais durante o filme.

    Mas vamos lá, problema explicado, e não é nada muito difícil de se ver hoje em dia, vou agora deixar uns pontos para os teimosos que gostam de olhar o celular durante o filme:
  • Atrapalha o outro. 
  • É constrangedor ser chamado à atenção por causa de uma besteira dessas, no meio de uma sala lotada. Evite isso, deixando o seu aparelhinho no bolso. 



     Aparelhinho é só jeito de falar mesmo, porque hoje em dia os aparelhos estão cada vez maiores e a luz ainda mais forte. Nesse ambiente escuro, que são os cinemas, (ainda bem!Já pensou ver um filme no claro?!) é pior ainda. Se quiser faça um teste em seu quarto, com as luzes apagadas e você usando o celular, dá só uma olhadinha atrás, e veja na parede o efeito que dá.

    Aparelhos celulares são maravilhosos, e basicamente todo mundo tem. Ele é uma ferramenta pra facilitar as nossas vidas, não deixe ele dominar a sua vida, e te excluir do mundo real. Respeite a sétima arte que é o cinema, e respeite ainda mais o seu colega que tá lá, querendo se divertir, curtir um filminho, e não tá nem um pouco afim de ter uma luz alta estragando tudo.









sábado, 15 de novembro de 2014

Grafite

Grafite na UNIFESSPA - CAMPUS I


Taí uma coisa que eu sempre gostei. A Grafitagem.

É uma arte linda, delicada, cheia de detalhes, mas mesmo assim pode ser apreciada em meio ao corre-corre do nosso dia a dia. Algumas são feitas sem compromisso, outras para passar uma mensagem profunda em seus traços expressivos. O que todas têm em comum? Embelezar a paisagem necessitada das cidades.

A Grafitagem tem uma irmã, ovelha negra, que é a Pichação. Pichações são feias, desrespeitosas, têm uma aparência suja e não possuem significado/objetivo algum. Pelo menos não positivo. Pode parecer estranho, mas muitos confundem essas duas, e acaba sobrando para a grafitagem, que muitas vezes,por ignorância, são má classificadas e colocadas na mesma conotação ruim.

Não me lembro de ter visto muitas grafites em Marabá, mas me chamaram muita à atenção essas nas quais eu esbarrei esses dias. Lindas. Descobri que essas abaixo são do Luhan Gaba, mas a primeira lá em cima, ainda não sei...

Por favor,autores revelem-se. E quem achar mais dessas belezas, me mostrem que eu tô louca para admirar mais.

Arte na Velha Marabá


Velha Marabá