Não sou especialista em cinema, longe disso, porém na condição de frequentadora de salas de cinemas desde os três anos de idade, acho que sei de uma coisa ou outra.
Tenho uma implicância com filmes dublados, que quem me conhece provavelmente já me viu resmungando esse assunto. Quando criança assistia os meus filminhos dublado, enquanto minha mãe (outra aficionada por filmes) assistia os dela com o áudio original. Um dia, alugamos Legalmente Loira em VHS, aquelas fitas cassetes com o filme sem podermos escolher o áudio e sem todos os extras que apareceram nos DVDs. A fita veio trocada (com o filme legendado) e minha mãe disse que poderia ir trocar, mas eu topei assistir assim mesmo; essa era a oportunidade que ela tava esperando e já que deu tudo certo, ela aproveitou pra alugar os próximos filmes ( sempre que possível ) com o áudio original.
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| Reese Witherspoon em "Legalmente Loira" |
Existe um preconceito de que só assiste filme legendado quem sabe inglês. Mas vejam só, a legenda está escrita em português, você só precisa ser alfabetizado na nossa língua para se tornar totalmente capaz de acompanhar o filme com as legendas. No começo, por falta de costume, é normal ter dificuldade em ler e acompanhar as cenas ao mesmo tempo, mas se tiver vontade, é rapidinho que você pega o jeito.
Minha mãe conta que quando foi ao cinema pela primeira vez, foi para assistir o filme E.T, e mesmo sendo bem pequena, teve que ver legendado porque na época só tinha assim. Antes, os cinemas aqui no Brasil não tinham essa moleza de filmes em português, só se fosse nacional mesmo, e ninguém deixava de ver filme por causa disso.
Não, ninguém precisa saber a língua do filme pra entender um filme com legendas, o que tá faltando mesmo, é o povo deixar de ter tanta preguiça para ler, que nem legenda eles querem, quanto mais um livro. Claro, salve exceções, é isso o que geralmente acontece.
No Brasil, o grande público consome os filmes dublados. Vemos isso claramente nas banquinhas de filmes piratas, nas reuniões dos amigos, e até mesmo nas TV pagas, no qual antes predominavam as legendas, mas agora com o aumento do mercado consumidor tão cedendo o espaço para a dublagem (só acho errado porque eles estão tirando um áudio para colocar o outro, sendo que eles deveriam disponibilizar o que o cliente deseja, seja português ou inglês).
Em um cinema de Marabá, por exemplo, além de só comprarem filmes de grande público, não fazem a menor questão de disponibilizar ele legendado. Quando raramente o fazem, é cheio de problemas : uma sessão, que fica por uma semana, muitas vezes só em 3D, e depois de todas essas barreiras, já cheguei na hora da sessão pra saber que foi cancelada por problema na legenda.
Nem tudo é preto & branco.
Com cinema, tudo vira história pra mim. Coleciono há anos bilhetes de entrada, tenho recordações das idas com a família, amigos, ou um namorinho; os lanches e docinhos de cinema; nas vezes em que fui para comemorar algo, outras que fui como um passeio, e outras tantas vezes para superar um dia ruim. Risos, choros, filmes lindos e filmes péssimos.
E como não poderia deixar de ser, a dublagem também protagonizou os filmes que fazem parte da minha vida. Já assisti por curiosidade, alguns desenhos em inglês e não chegaram nem aos pés da dublagem brasileira.
A Nova Onda do Imperador, Mulan, e na verdade qualquer outro desenho, sendo das telonas ou da TV; na minha opinião, ninguém supera os brasileiros.
A dublagem de atores também não me incomoda sempre; alguns atores eu já reconheço pela própria voz, mas têm vários que eu conheço pela voz brasileira deles: Robin Williams, Adam Sandler/Ben Stiller, Jodie Foster/Nicole Kidman, Sandra Bullock, Ed Murphy, Jim Carey, Drew Barrymore... Assistir filme dublado deles nem me incomoda tanto, pois ouvi tanto essas vozes durante as tardes de Sessão da Tarde, que parece até que é a deles.
Filmes como o recente Malévola, e as animações, tem um trabalho de dublagem bem feito. Só que no geral, o áudio do dublado fica com as falas baixas e o som da ação alto, prejudicando o filme. E além do mais, com ele, nós perdemos a oportunidade de ouvir as vozes dos atores e acabamos só escutando as mesmas vozes com aquele mesmo tom artificial, para pessoas diferentes.
Eu gosto do áudio original, independentemente de qual língua seja, pois é uma oportunidade de ouvir diferentes sotaques, diferentes idiomas, reconhecer um artista por sua voz. Tendo que ler, depois que se tem a prática, além de não perder nenhum detalhe do filme, ajuda a se concentrar mais na história, desenvolve a leitura dinâmica e o mais importante : apreciamos mais a atuação do ator.
Uma vez assisti em casa o filme Menina de Ouro, o qual a atriz principal, Hilary Swank, venceu o Oscar de melhor atriz por esse personagem. A atuação dela foi incrível, e eu fiquei muito impressionada com as cenas dela na cama do hospital; ela falava com uma voz tão sofrida, sussurrando, e isso me marcou muito. No outro dia, a minha vizinha foi assistir o filme e eu fiquei vendo algumas cenas lá com o pessoal, só que dublado, e a mesma cena que eu vi no dia anterior nem de longe me emocionou.
A dubladora, não conseguiu transmitir a emoção da atriz. Mas vamos combinar que é difícil pra dublagem, né?!
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| Hilary Swank em "Menina de Ouro" |




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