![]() |
| The Loud House da Nick |
Já perceberam que temos a mania de medir a vida dos outros com a nossa própria régua?! O que desejamos ou achamos certos para nós, muitas vezes pensamos que também é o certo e/ou adequado para o outro, o que claro, acaba dando errado.
Um exemplo que está em pauta por esses dias é a polêmica do aborto. Eu sou a favor da liberação do aborto, mas calma lá, eu não tenho a menor intenção de fazer um e espero, se Deus quiser, nunca precisar passar por uma dessas. Só que não é porque eu não concordo e não quero para a minha vida, que eu devo tomar a decisão por todas as outras mulheres. Sabe se lá quais condições físicas, psicológicas e até mesmo financeira, essa mulher está passando para tomar uma atitude tão extrema assim. Muitas vezes as coisas fogem ao nosso controle e inúmeras graves situações levam a mulher a cometer esse ato, então, para eu dizer: “Se não quer engravidar, que não abra as pernas”, além de mesquinho, pode sair muito longe da realidade.
Outra pauta é a do casamento gay e, linkado a ele, a questão da adoção por parte de casais homossexuais.
Aqui a história da régua volta a se cumprir, com um agravante: as pessoas temem fervorosamente serem influenciados, ou terem seus filhos influenciados ao homossexualismo ao ver, ou conviver, com um casal homo afetivo. Esses dias, presenciei um diálogo do tipo, e é interessante o quanto essa ideia ainda é comum.
Eu ando apaixonada por um desenho da Nickelodeon chamado The Loud House, que conta a história de Lincoln Loud, um garoto de 11 anos que tem dez irmãs. Todo episódio é bem divertido e bonitinho, e sempre conta com uma lição que a personagem aprende ao final. No que eu assisti esses dias, ele tava chateado porque os pais não conseguiam dar atenção para ele, pois as meninas exigem muito, aí o seu melhor amigo, Clyde McBride, chama ele para ir a sua casa, pois lá o seu pai poderia ajudá-lo no projeto de ciências que ele precisava terminar. Chegando na casa do amiguinho, eis que eu descubro: o Clyde tem dois pais.
Não sei se em episódios anteriores essa situação inusitada já tinha sido comentada, mas neste episódio, o caso não é nem citado. Lincoln adora a atenção que recebe na casa do amigo, que é o oposto da loucura em que convive em sua casa, e ao longo da história sempre os chama de pais do Clyde: his two dads (os dois pais dele) ou Clyde’s dads (os pais do Clyde).
Na história não tem nada fora da normalidade: Clyde é uma criança bem cuidada por seus pais, e que fique claro aos medrosos de plantão, é apaixonado pela irmã mais velha do Lincoln; no episódio, o casal dá atenção e cuida de todas as irmãs Loud, mas também quando a barra fica pesada, tratam de despachar toda aquela creche de volta para a casa deles; ninguém apresenta qualquer preconceito ou desrespeito contra a família dos Mcbrides, nem os pais do Lincoln, nem as crianças.
Moral da história: o desenho não tá fazendo nenhuma lavagem cerebral. Ele só mostra uma realidade, há muito oculta pela própria sociedade. A criança não vai desejar o mesmo sexo após ver essas situações, porque isso não é uma virose que se pega no ar. Até porque ver casais do sexo oposto também não vai influenciar ninguém. Infelizmente, não sei de estudo nenhum que explica por quê uma pessoa é ou não homossexual, meu conhecimento só vai até o senso comum, no qual é fácil perceber quando alguém é gay desde pequeno, independente de quanto a sua família tenta impedir ou negar, e quando não é.
A criança-pré-adolescente-adolescente ou algo que o valha, que estiver assistindo esse desenho, deveria aprender que casais assim como os pais de Mcbride existem na vida real, e por isso ela tem que respeitar e aprender a conviver. Ela deveria aprender que o fato deles serem gays, não vai torná-los nem melhores nem piores que ninguém, e sim normais, cheios de defeitos e cheios de qualidades. A criança que é gay, quando assistir um desenho assim, vai ver que não resta para ela um futuro de tristeza e/ou revolta, e sim que ela tem a chance de construir uma família como qualquer outro. Os pais do Clyde tão lá na TV não para mostrar que é lindo gostar do mesmo sexo e levar todo mundo para a irmandade, e sim falar que eles existem e ponto.
Não é porque eu sonho em ter um marido e criar uma família, que eu tô no direito de desejar o mesmo sonho para todo mundo: “Olha, agora todos têm que ter filho; ninguém pode ser gay; blá blá....”. O gay não tem o direito de querer que todo mundo seja gay também, só porque ele é, e o mesmo acontece com os heteros. Mas, é aquela velha história, como somos todos humanos, acabamos sempre errando e medindo com a mesma porra de régua para todos, e o ciclo nunca acaba. Então, só nos resta assistir mais desenhos como estes, porque, cá entre nós, o Lincoln é muito fofo, como também as suas dez irmãs loucas.
Fica a dica: Quem quiser, assiste esse desenho em inglês, é muito show o vocabulário que eles usam, dá pra dar uma treinada boa. É só trocar o áudio na TV por assinatura, ou ver nesse link abaixo:
![]() |
| Família do Clyde |


Sem comentários:
Enviar um comentário