
Sabe quando você aprende uma nova palavra e começa a usá-la o tempo todo, muito provavelmente errando o contexto, mas usando-a mesmo assim por puro prazer? Pois, estou com a sensação que aprendi a palavra “jornada” ontem – o que explicaria o fato de eu não me cansar de pensar nela.
Uma longa leitura de um livro, uma viagem particularmente cansativa, dentre outras ocupações do meu cotidiano, a meu ver, tomaram, recentemente, uma nova forma para mim e passei a encará-las como pseudo-jornadas emocionais.
Tudo começou há uns dois meses quando eu reservei um domingo inteiro para assistir um seriado, apesar de todos os compromissos e deveres pendentes. O tal se chama Big Little Lies (não, não é Pretty Little Liars!), e além da promessa de ser muito bom, soube que em apenas 8h eu poderia ver toda a primeira, e última, temporada. Elogios à parte, que não vem ao caso neste texto (É ÓTIMO GENTE, ASSISTAM!), quando acabei, fiquei com aquela sensação de vazio após a leitura de um bom livro. Toda a história e desenvolvimento dos personagens se tornam tão profundos que parecia inacreditável que tudo o que vi foi em apenas um dia. Só consegui identificar meu sentimento quando a tal palavra surgiu em minha mente e representou bem o que eu sentia: eu e todas àquelas personagens passamos por uma longa jornada, e não tem como voltar ao ponto de partida da mesma forma que a deixamos.
Desde então, ao passar por experiências transformadoras (mesmo que pequenas), que mudam, ou pelo menos abalam a minha percepção, me imagino tendo acabado de cruzar um longo caminho, e fica até engraçado quando me recordo de uma fato que aconteceu num passado tão próximo (tipo, ontem), mas que permanece aquela sensação de que ocorreu a bastante tempo.
Saindo um pouco dessas ideias viajadas e confusas, daqui para a frente trarei um papo um tanto mais exemplificado, para que vejamos se eu sou louca sozinha, ou se mais alguém sente essas vibes por aí.
Para quem tem o dia-a-dia corrido, tente imaginar o que almoçou no dia das Mães, ou ainda no Domingo de Páscoa, que tal?!Parece distante? Muita coisa aconteceu de lá pra cá, não é verdade? Ou que tal os desdobramentos na política nos últimos dois meses? Será que faz tanto tempo assim, ou é só a nossa percepção de tempo que está ligeiramente abalada pelos tombos da rotina caótica?
O que me despertou para escrever esse texto de hoje – e muito obrigada por isso, que eu já não aguentava mais de saudade daqui – foi uma leitura particularmente longa que eu fiz do livro “Eat Pray Love” (Comer, Rezar, Amar) de Elizabeth Gilbert. Antes de chegar nas últimas cinco páginas do livro, a palavrinha jornada (de novo ela) não parava de gritar na minha mente. Tudo nesse livro respira jornada. Definitivamente as viagens geográficas, emocionais e espirituais que a autora relata no livro, não receberiam melhor definição do que serem interpretadas como uma verdadeira jornada/aventura. No entanto, apesar de ser em proporção menor, para mim também foi. Mesmo já tendo o livro há um bom tempo na estante, resolvi começar a lê-lo em torno do dia 19 de maio, de 2016! Ou seja, ao encerrar suas últimas linhas ainda há pouco, levei um pouco mais de um ano para finalizá-lo. Parando dois segundos para recordar tudo o que eu vivi nesse período, e imagino que vocês também, é indiscutível dizer que todos nós passamos por uma boa e longa jornada. Nada mais justo para o livro que exala essa atmosfera, e que enfim conseguiu me deixar com a mesma sensação em mãos.
Voltando ao livro aqui em questão, o coitado foi abandonado algumas vezes e trocado por outros livros, o que justifica a minha looonga leitura. Dividido em três partes, a história se passa na Itália (comer), na Índia (rezar), na Indonésia (amar) e nas memórias da autora. Ambas a primeira e última partes são uma delícia de se ler, porém a Índia tem passagens muito densas que exploram as temáticas principais dessa história: a espiritualidade da autora, a sua reconstrução e desenvolvimento emocional. A leitura dessa etapa pode ser uma tarefa insuportável, ou proveitosíssima, depende do humor de quem está lendo, de suas crenças e do momento certo. Demorei, mas gostei muito de ter lido levando esse tempo necessário, assim consegui extrair o máximo de significado das palavras da autora. Recomendo a leitura, e espero poder dizer o mesmo do filme, que enfim poderei assistir.
Pensando mais uma vez no livro, posso destacar um grande ponto: YOGA. Esta prática, que permeia a trajetória da autora, aliada a prática de meditação, também entrou na minha vida, só que através de uma aplicativo de celular, no começo do ano passado. Apesar de eu não ter conseguido manter uma prática regular, como no começo, ela continua bem presente e já posso dizer que consegui desenvolver pontos que antes não achava possível: como quando me vi capaz de realizar (graças à muito treino de alongamento, pilates e jiu-jitsu,) cambalhotas para frente e para trás (meu trauma de infância) e posições invertidas assim:
Praticamente não sei nada sobre Yoga, e lendo o livro vi que sei ainda menos, mas não consegui deixar de acreditar nem por um minuto em toda a transformação que ocorre na vida dela graças à essa prática, além da própria medicina oriental. Do pouco que sei, me permito pensar que a yoga trabalha com o nosso corpo e pode sim ser capaz de melhorar nossa saúde, alongando e desenvolvendo músculos, controlando a respiração, regulando nossos sistemas e fazendo corpo e mente funcionarem em perfeito estado e harmonia. Acredito, pois vejo resultados na saúde e disposição diária; na minha prática de esportes; e principalmente, ando experimentando sensações de bem estar e desestresse, mesmo quando o dia não colabora, desde que comecei a realizar breves práticas de meditação (imagina se eu fizesse mais?!). Parece difícil de acreditar, mas também não sei se há explicações lógicas o suficiente para explicar o funcionamento de nosso corpo e cérebro, abrindo espaço para acreditarmos, por exemplo, que às vezes trocamos um abraço que nos deixa super feliz, e outros com personas non gratas que te deixam, logo após, a noite toda com dor de cabeça?! Fica difícil não acreditar em energias negativas/positivas circulando pelas pessoas, e que elas podem muito bem serem descarregadas no chão durante as práticas de meditação, ou recolhidas quando boas. Um amigo, há muito tempo me alertou para não fazer massagem sem ter os dois pés no chão, para a energia fluir e não sobrecarregar você. Como não irei acreditar?!
*Jornada jornada jornada jornadas*
Ufa! Com essa palavra berrando em nossos ouvidos e nos lembrando de sua presença, na trajetória pessoal que percorremos diariamente, não posso deixar de me atentar para o fato de que ela parece estar na minha cabeça só para me alertar que ainda há muito caminho a ser percorrido esse ano, que coincidentemente ou não, está se transformando em um ano recheado de grandes viagens para mim. Dessas futuras jornadas, só espero que me rendam muitos frutos fotográficos e escritos à serem compartilhados com vocês.
Namastê.


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