O título do
texto de hoje tem papel ativo na minha crônica. Então vou fazer o inverso e
começar o texto discutindo ele. Mas e se
elas não querem saber dos plaquês de 100?
Um dia desses
cai na besteira de ouvir, num programa de TV, essa música: “Plaquê de 100” do MC Guimê. O mais previsível seria eu
começar a descer o pau nessa música, mas na verdade não é isso que vou fazer. Na
verdade, vou confessar baixinho que depois que eu ouvi e fiquei com a infeliz na
cabeça de tal forma, que só passava depois que eu ouvia de novo; aí tive que me
render e a coloquei na minha playlist – tenho esperança de ouvi-la até ela
achar suficiente e resolver me deixar em paz.
Para localizar vocês nessa minha história, vejam o
seguinte trecho da letra, que por sinal é o refrão:
“Contando
os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também.”
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também.”
No refrão e no
restante da música, fica bem explicadinho qual é o estilo de mulheres que o
cantor e seus amigos procuram, e vice versa. O cantor está visivelmente
preocupado em demonstrar todo o seu arsenal de carros, motos, joias, riquezas e
sex appeal para atrair as mulheres, que por sua vez, estão interessadíssimas em
homens desse tipo e posso subentender que esse interesse delas por eles, é
estritamente financeiro – mulheres volúveis e gostosas que só pensam em tirar vantagem do pobre rapaz
endinheirado.
A ideia que a sociedade faz das
mulheres só pensarem em dinheiro, não é exclusiva das letras de funk. Escuto
esse papinho praticamente todos os dias, em diferentes ambientes, sejam eles
reais ou virtuais. Na maioria das vezes vem mascarado nas piadas (“Ah... as mulheres
amam homens de caráter ($$), simpáticos ($$$) e etc), em outras são mais
descarados (“ São interesseiras e ponto!”), de um jeito ou de outro estão
sempre presentes.
Essa ideia generalizada, infelizmente
tem um fundo de verdade; muitas meninas não se dedicam aos estudos e ao
trabalho, e outras tantas na verdade, nem chegam a ter a oportunidade. Muitas
vezes o ambiente em que foram criadas influencia nessa (péssima) visão distorcida de
crescimento pessoal, sendo assim, não enxergam a figura masculina como um
companheiro, um amigo, um amante, e sim uma forma de ganhar a vida.
Enquanto
isso, os homens estimulam essa realidade. Muitos fatores podem explicar esse
fato: o contexto histórico-social em que vivem, os ideais machistas impregnados
na nossa e em tantas outras culturas, dentre outros motivos que faz com que boa parte
da população masculina brasileira não aceite a igualdade de gêneros
– mulheres fortes, independentes [psicológica e financeiramente], bem sucedidas
e inteligentes. As mulheres se tornarem “melhores” do que eles, ou serem vistas como
iguais, faz cair por terra a tradicional dominação masculina que sempre imperou
na história da humanidade e amedronta muitos machistas por aí. Não é à toa que
eles lutam com unhas e dentes – com piadas, exclusão social, preconceito e em
alguns casos, com violência física e terror psicológico– para continuarem no posto de
chefe da caverna.
A realidade
que falo aqui se relaciona ao pensamento machista, que eu acredito, infelizmente ainda
domina o nosso país. Isso não quer dizer que o pensamento aos poucos não veem
mudando e eu sei que [amém] já tem muita gente (homens & mulheres) lutando
contra esse tipo de comportamento.
Enfim, nem tudo está perdido.
Pela internet, há uma série de
textos sobre o desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho e no
ingresso nas universidades; não precisa pesquisar muito para ver textos que
apontam, hoje em dia, uma maioria feminina nas universidades, superando nossa
realidade anterior.
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(1) http://www.jasabia.com.br/mulheres-superam-homens-na-universidade (2)https://oceanoazulresearch.wordpress.com/tag/domicilios
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No site do
INEP tem uns materiais bons sobre a educação, dentre eles um indicador
educacional que fala sobre o desempenho das mulheres na educação e o
consequente melhor desempenho no mercado trabalhista.
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As mulheres
ocupam cada vez mais espaço na sociedade, alcançando postos que antes não
conseguiam, expondo a sua opinião e abrindo para debate o que ainda nos incomoda.
Elas estudam e começam a ocupar melhores e maiores espaços no
trabalho. Opa, então como é que fica a situação dos que só sabem lidar com
mulheres que se deixavam inferiorizar? Como os homens irão nos conquistar?
Porque agora, cada vez mais mulheres, querem
mais do que plaquês de 100 e dar voltinha em carrinho bonito, não é mesmo?
Qualquer
balada que você vai, a coisa mais fácil do mundo é achar os “reis dos camarotes”,
exibindo baldes com vodka que custa 20 no supermercado, mas todo mundo sabe que
ele acabou de pagar quase 200 nela para tomar com suco; vejo também os garotos
com o copo numa mão e o celular em outra – quando não estão de braços cruzados –
enquanto tem umas 50 meninas dançando só ou tietando o cantor do barzinho, já
sem esperança de ser tirada para dançar. De vez em quando aparecem umas meninas
que se impressionam com relógios caros e a chave da caminhonete pendurada na
calça; são do tipo embaladas à vácuo (como uma amiga minha diz haha), mas acho que em
breve elas serão peças raras.
Então, será que os rapazes vão saber lidar com essa nova geração feminina que sabe um pouquinho mais do que
fazer corte e costura, tocar piano e dizer sim senhor?! Espero que sim!
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Ah sim, e como amanhã é o niver
da minha mãe, vou aproveitar e dedicar esse post a ela, minha melhor amiga,
leitora crítica, backup for 24/7, e a mãe mais badass que eu
conheço.






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