terça-feira, 22 de setembro de 2015

Mas e se elas não querem saber dos plaquês de 100?



O título do texto de hoje tem papel ativo na minha crônica. Então vou fazer o inverso e começar o texto discutindo ele. Mas e se elas não querem saber dos plaquês de 100?
Um dia desses cai na besteira de ouvir, num programa de TV, essa música: “Plaquê de 100” do MC Guimê. O mais previsível seria eu começar a descer o pau nessa música, mas na verdade não é isso que vou fazer. Na verdade, vou confessar baixinho que depois que eu ouvi e fiquei com a infeliz na cabeça de tal forma, que só passava depois que eu ouvia de novo; aí tive que me render e a coloquei na minha playlist – tenho esperança de ouvi-la até ela achar suficiente e resolver me deixar em paz.
Para localizar vocês nessa minha história, vejam o seguinte trecho da letra, que por sinal é o refrão:

“Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também.”


No refrão e no restante da música, fica bem explicadinho qual é o estilo de mulheres que o cantor e seus amigos procuram, e vice versa. O cantor está visivelmente preocupado em demonstrar todo o seu arsenal de carros, motos, joias, riquezas e sex appeal para atrair as mulheres, que por sua vez, estão interessadíssimas em homens desse tipo e posso subentender que esse interesse delas por eles, é estritamente financeiro – mulheres volúveis e gostosas que só pensam em tirar vantagem do pobre rapaz endinheirado.
 

       A ideia que a sociedade faz das mulheres só pensarem em dinheiro, não é exclusiva das letras de funk. Escuto esse papinho praticamente todos os dias, em diferentes ambientes, sejam eles reais ou virtuais. Na maioria das vezes vem mascarado nas piadas (“Ah... as mulheres amam homens de caráter ($$), simpáticos ($$$) e etc), em outras são mais descarados (“ São interesseiras e ponto!”), de um jeito ou de outro estão sempre presentes.

              Essa ideia generalizada, infelizmente tem um fundo de verdade; muitas meninas não se dedicam aos estudos e ao trabalho, e outras tantas na verdade, nem chegam a ter a oportunidade. Muitas vezes o ambiente em que foram criadas influencia nessa (péssima) visão distorcida de crescimento pessoal, sendo assim, não enxergam a figura masculina como um companheiro, um amigo, um amante, e sim uma forma de ganhar a vida.
                Enquanto isso, os homens estimulam essa realidade. Muitos fatores podem explicar esse fato: o contexto histórico-social em que vivem, os ideais machistas impregnados na nossa e em tantas outras culturas, dentre outros motivos que faz com que boa parte da população masculina brasileira não aceite a igualdade de gêneros – mulheres fortes, independentes [psicológica e financeiramente], bem sucedidas e inteligentes. As mulheres se tornarem “melhores” do que eles, ou serem vistas como iguais, faz cair por terra a tradicional dominação masculina que sempre imperou na história da humanidade e amedronta muitos machistas por aí. Não é à toa que eles lutam com unhas e dentes – com piadas, exclusão social, preconceito e em alguns casos, com violência física e terror psicológico– para continuarem no posto de chefe da caverna.
A realidade que falo aqui se relaciona ao pensamento machista, que eu acredito, infelizmente ainda domina o nosso país. Isso não quer dizer que o pensamento aos poucos não veem mudando e eu sei que  [amém] já tem muita gente (homens & mulheres) lutando contra esse tipo de comportamento.
           Enfim, nem tudo está perdido.
         Pela internet, há uma série de textos sobre o desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho e no ingresso nas universidades; não precisa pesquisar muito para ver textos que apontam, hoje em dia, uma maioria feminina nas universidades, superando nossa realidade anterior.





No site do INEP tem uns materiais bons sobre a educação, dentre eles um indicador educacional que fala sobre o desempenho das mulheres na educação e o consequente melhor desempenho no mercado trabalhista.


     As mulheres ocupam cada vez mais espaço na sociedade, alcançando postos que antes não conseguiam, expondo a sua opinião e abrindo para debate o que ainda nos incomoda. Elas estudam e começam a ocupar melhores e maiores espaços no trabalho. Opa, então como é que fica a situação dos que só sabem lidar com mulheres que se deixavam inferiorizar? Como os homens irão nos conquistar? Porque agora, cada vez mais mulheres, querem mais do que plaquês de 100 e dar voltinha em carrinho bonito, não é mesmo? 
     Qualquer balada que você vai, a coisa mais fácil do mundo é achar os “reis dos camarotes”, exibindo baldes com vodka que custa 20 no supermercado, mas todo mundo sabe que ele acabou de pagar quase 200 nela para tomar com suco; vejo também os garotos com o copo numa mão e o celular em outra – quando não estão de braços cruzados – enquanto tem umas 50 meninas dançando só ou tietando o cantor do barzinho, já sem esperança de ser tirada para dançar. De vez em quando aparecem umas meninas que se impressionam com relógios caros e a chave da caminhonete pendurada na calça; são do tipo embaladas à vácuo (como uma amiga minha diz haha), mas acho que em breve elas serão peças raras.

            Então, será que os rapazes vão saber lidar com essa nova geração feminina que sabe um pouquinho mais do que fazer corte e costura, tocar piano e dizer sim senhor?! Espero que sim!
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Ah sim, e como amanhã é o niver da minha mãe, vou aproveitar e dedicar esse post a ela, minha melhor amiga, leitora crítica, backup for 24/7, e a mãe mais badass que eu conheço.

 


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