quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mãos de Tesoura e a Sociedade vs os Estranhos


   Tem um tema que anda me inquietando há um tempo, e eu pretendia compartilhar com vocês aqui. O problema era que eu não fazia ideia de como abordá-lo! Por coincidência, surgiu uma oportunidade de eu assistir pela primeira vez o filme “Edward Mãos de Tesoura” – sim, ainda não tinha visto ele completo, e eu acreditei na hora que enfim conseguiria escrever o que me afligia.

   O tal tema é realmente delicado, polêmico e bastante amplo, daí a minha dificuldade de saber por onde começar. O que eu tanto queria falar, é que não acredito que as pessoas sabem conviver com aqueles considerados “estranhos”... penso que isso não é novidade para ninguém, diariamente, quem age fora de determinados padrões considerados pela sociedade, acaba sofrendo preconceito, muitas vezes explícito, violento, outras vezes silencioso – e tão prejudicial quanto. Na análise que eu procurava fazer, seria um pouco mais específica, sabe aquele “estranho” que todos querem afastar? Ou o nerd da escola que vive sofrendo bullying? Por que isso acontece? Será que você não está sendo preconceituoso (a) e nem se dá conta disto?

   Foi uma doce ilusão minha pensar que assistir esse filme iria me fazer correr aqui no blog e escrever um texto brilhante, abordando tudo o que eu imaginava e não conseguia transcrever. Em primeiro lugar, a história e principalmente a trilha sonora me pegaram de jeito, terminei de ver o filme triste e sem entender direito tudo o que vi.

   Antes de assistir, eu imaginava que iria encontrar um filme que mostra de forma bem clara, quando alguém é considerado estranho pela maioria (e ele é mesmo hehehe) e não é aceito, e pior, é muito bem usado até quando bem convêm as pessoas. No entanto, após assisti-lo, me pareceu pouco só disser isso sobre o filme, então eis que resolvi recorrer à internet para clarear as ideias e encontrei esse texto: http://lounge.obviousmag.org/jollyroger_80s_para_as_massas/2014/09/edward-maos-de-tesoura-uma-fabula-critica-contra-a-assustadora-normalidade.html – ele me mostrou outro aspecto importante para análise : quem é o anormal, ou até mesmo o monstruoso nessa história? Será que não podemos considerar essa população bizarramente organizada/colorida como os verdadeiros vilões do filme, e não o carinha de preto e mãos de tesoura? Gostei desse trecho que li no link acima


                      “No entanto, a tal sociedade "normal" retratada nos filmes de Burton é geralmente   esquisita, idiota, caricata e alienada. Povoada por personagens hipócritas de valores deturpados. Exageradamente coloridos e essencialmente mais monstruosos do que os injustiçados protagonistas dos filmes”. 


  
   Para quem ainda não assistiu, tá perdendo um filmão, Edward Scissorhands é um filme de Tim Burton de 1990, estrelado por Johnny Depp e Winona Ryder, que pode tranquilamente ser considerado um dos clássicos do cinema. Um cientista cria o personagem principal, no entanto morre antes de finalizá-lo, por isso em vez de mãos, Edward tem tesouras. Ele vive isolado em um castelo ao final da rua, de uma vizinhança, no mínimo curiosa, e permanece lá até o dia em que recebe uma visita de uma vendedora da Avon. Ela o leva a sua casa e tenta inserir ele na sociedade; no começo todos se mostram muito curiosos com essa figura peculiar e logo quando percebem o seu talento com as mãos de tesoura começam a tirar vantagem dele. O personagem principal é realmente encantador, contudo ele passa a não ser visto mais assim quando as pessoas não conseguem o fazer agir como elas bem entendem, e rapidamente a multidão se organiza para perseguir e maltratar o novo vizinho.

   Seria injusto da minha parte, e até um tanto estúpido, se eu falar aqui que me identifico totalmente com o Edward. Minha vida é bem normal, obrigado, sofri um bullyinzinho em alguns momentos, mas nada muito sério, e sei muito bem que tenho pessoas que sempre posso contar e vice versa, porém também já vivi várias situações de que, digamos assim, faltou encaixe – na verdade me senti deslocada mesmo!

   Acho que em primeiro lugar temos que ter plena consciência de quem somos, o que pensamos, e como agimos. Quem disse que ser diferente é ruim? O mundo taí para isso, se mantermos a mente aberta, podemos descobrir coisas diferentes o tempo todo, novas culturas, outras formas de agir, pensar...e podemos sim adaptar tudo isso para a nossa vida, ou evitarmos o que é ou pode ser prejudicial. Isto é, aprender, pois o mundo é mutante e temos que saber lidar com isso – acredito que isso faz parte do nosso amadurecimento.

   Só que eis que existem pessoas que não pensam assim – claro! Oras, o mundo é diferente, lembra?! – todo mundo tem o direito de não querer mudar, agora, não aceitar o diferencial do outro?! É aí que nasce o problema! Ninguém tem o direito de julgar, condenar e punir outro ser humano só porque pensa diferente de você! Excluir, rejeitar a opinião só porque não é a mesma que a sua, não é a melhor atitude, e o pior ainda é que geralmente essas pessoas “mentes fechadas”, não acham que é suficiente ser contrário ao outro sozinho, elas adoram adicionar simpatizantes ao grupo e contra o tal diferentão.

   Bom, se você pensa que unir forças contra alguém que não gosta não é tão grave assim, ok, não vou nem tão longe na história mundial.... que tal o King Jong Un que de fez em quando apaga um desafeto? (http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/kim-jong-un-executa-arquiteto-por-nao-gostar-de-projeto,73d1379d996cba911476ab6cb72b32bckd8qRCRD.html)
Exagerei?! Pode até ser, mas pode acreditar que não é nada agradável encontrar uma panelinha sendo formada contra alguém, pelo simples fato de estar convivendo naquele determinado grupo. Já vi muito isso contra amigos meus e até mesmo já senti na pele.

   O que leva os outros a fazer isso? Eu não sei, mas a psicologia com certeza explica – só que como não detenho esses conhecimentos, só posso fazer suposições. Acho que muitas vezes é medo. É realmente complicado saber o que outro pensa, principalmente se ele age, ou fala um tanto fora dos padrões do grupo social em que se encontra – como é que alguém que só conviveu com o mesmo tipo de pessoa vai saber lidar com o diferente? Concordo, é mais fácil se proteger o rechaçando.

   Confesso a vocês, demorei muitos anos para entender essas dinâmicas da vida em sociedade, e até mesmo já me senti mal por isso, mas tem uma parte boa nisso tudo : eu finalmente entendi alguns pontos fundamentais e principalmente, me entendi! Acho que esse é todo o x da questão. Quem já tentou mudar por causa de uma opinião alheia sabe que isso é a pior coisa que alguém pode fazer, simplesmente porque não tem fim. Sempre vai vir alguém querendo que você seja assim e assado, você não vai agradar ninguém, muito menos a si mesmo. Esse é o conselho mais manjado do mundo, mais realmente funciona : vale muito à pena ser você mesmo. Os outros só vão poder te aceitar, se você mesmo fizer isso. (tá muito autoajuda esse texto, né?!).

"Seja você mesmo. Esse é o porquê das pessoas gostarem de você".

    Eu procuro fazer um exercício diário de aceitação das diferenças, não sou hipócrita ao ponto de escrever aqui que sempre aceito numa boa as opiniões contrárias a minha, mas posso afirmar que hoje já aceito melhor do que ontem, e assim por adiante. E já vi o tanto que aprendi assim! Para todos os meus amigos que têm os seus dias de Edward, é fácil dar um tapa de luva em todos esses haters : respeitem sua própria personalidade e, pode ter certeza que se uma pessoa gosta de você assim, é porque é verdadeiro.

"Eu não posso ser ninguém além de mim mesma, cara."


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