
Tem um tema que anda me inquietando há um tempo, e eu pretendia compartilhar com vocês aqui. O problema era que eu não fazia ideia de como abordá-lo! Por coincidência, surgiu uma oportunidade de eu assistir pela primeira vez o filme “Edward Mãos de Tesoura” – sim, ainda não tinha visto ele completo, e eu acreditei na hora que enfim conseguiria escrever o que me afligia.
O tal tema é realmente delicado, polêmico e bastante amplo, daí a minha dificuldade de saber por onde começar. O que eu tanto queria falar, é que não acredito que as pessoas sabem conviver com aqueles considerados “estranhos”... penso que isso não é novidade para ninguém, diariamente, quem age fora de determinados padrões considerados pela sociedade, acaba sofrendo preconceito, muitas vezes explícito, violento, outras vezes silencioso – e tão prejudicial quanto. Na análise que eu procurava fazer, seria um pouco mais específica, sabe aquele “estranho” que todos querem afastar? Ou o nerd da escola que vive sofrendo bullying? Por que isso acontece? Será que você não está sendo preconceituoso (a) e nem se dá conta disto?
Foi uma doce ilusão minha pensar que assistir esse filme iria me fazer correr aqui no blog e escrever um texto brilhante, abordando tudo o que eu imaginava e não conseguia transcrever. Em primeiro lugar, a história e principalmente a trilha sonora me pegaram de jeito, terminei de ver o filme triste e sem entender direito tudo o que vi.
Antes de assistir, eu imaginava que iria encontrar um filme que mostra de forma bem clara, quando alguém é considerado estranho pela maioria (e ele é mesmo hehehe) e não é aceito, e pior, é muito bem usado até quando bem convêm as pessoas. No entanto, após assisti-lo, me pareceu pouco só disser isso sobre o filme, então eis que resolvi recorrer à internet para clarear as ideias e encontrei esse texto: http://lounge.obviousmag.org/jollyroger_80s_para_as_massas/2014/09/edward-maos-de-tesoura-uma-fabula-critica-contra-a-assustadora-normalidade.html – ele me mostrou outro aspecto importante para análise : quem é o anormal, ou até mesmo o monstruoso nessa história? Será que não podemos considerar essa população bizarramente organizada/colorida como os verdadeiros vilões do filme, e não o carinha de preto e mãos de tesoura? Gostei desse trecho que li no link acima
“No entanto, a tal sociedade "normal" retratada nos filmes de Burton é geralmente esquisita, idiota, caricata e alienada. Povoada por personagens hipócritas de valores deturpados. Exageradamente coloridos e essencialmente mais monstruosos do que os injustiçados protagonistas dos filmes”.

Para quem ainda não assistiu, tá perdendo um filmão, Edward Scissorhands é um filme de Tim Burton de 1990, estrelado por Johnny Depp e Winona Ryder, que pode tranquilamente ser considerado um dos clássicos do cinema. Um cientista cria o personagem principal, no entanto morre antes de finalizá-lo, por isso em vez de mãos, Edward tem tesouras. Ele vive isolado em um castelo ao final da rua, de uma vizinhança, no mínimo curiosa, e permanece lá até o dia em que recebe uma visita de uma vendedora da Avon. Ela o leva a sua casa e tenta inserir ele na sociedade; no começo todos se mostram muito curiosos com essa figura peculiar e logo quando percebem o seu talento com as mãos de tesoura começam a tirar vantagem dele. O personagem principal é realmente encantador, contudo ele passa a não ser visto mais assim quando as pessoas não conseguem o fazer agir como elas bem entendem, e rapidamente a multidão se organiza para perseguir e maltratar o novo vizinho.
Seria injusto da minha parte, e até um tanto estúpido, se eu falar aqui que me identifico totalmente com o Edward. Minha vida é bem normal, obrigado, sofri um bullyinzinho em alguns momentos, mas nada muito sério, e sei muito bem que tenho pessoas que sempre posso contar e vice versa, porém também já vivi várias situações de que, digamos assim, faltou encaixe – na verdade me senti deslocada mesmo!
Acho que em primeiro lugar temos que ter plena consciência de quem somos, o que pensamos, e como agimos. Quem disse que ser diferente é ruim? O mundo taí para isso, se mantermos a mente aberta, podemos descobrir coisas diferentes o tempo todo, novas culturas, outras formas de agir, pensar...e podemos sim adaptar tudo isso para a nossa vida, ou evitarmos o que é ou pode ser prejudicial. Isto é, aprender, pois o mundo é mutante e temos que saber lidar com isso – acredito que isso faz parte do nosso amadurecimento.
Só que eis que existem pessoas que não pensam assim – claro! Oras, o mundo é diferente, lembra?! – todo mundo tem o direito de não querer mudar, agora, não aceitar o diferencial do outro?! É aí que nasce o problema! Ninguém tem o direito de julgar, condenar e punir outro ser humano só porque pensa diferente de você! Excluir, rejeitar a opinião só porque não é a mesma que a sua, não é a melhor atitude, e o pior ainda é que geralmente essas pessoas “mentes fechadas”, não acham que é suficiente ser contrário ao outro sozinho, elas adoram adicionar simpatizantes ao grupo e contra o tal diferentão.
Bom, se você pensa que unir forças contra alguém que não gosta não é tão grave assim, ok, não vou nem tão longe na história mundial.... que tal o King Jong Un que de fez em quando apaga um desafeto? (http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/kim-jong-un-executa-arquiteto-por-nao-gostar-de-projeto,73d1379d996cba911476ab6cb72b32bckd8qRCRD.html)
Exagerei?! Pode até ser, mas pode acreditar que não é nada agradável encontrar uma panelinha sendo formada contra alguém, pelo simples fato de estar convivendo naquele determinado grupo. Já vi muito isso contra amigos meus e até mesmo já senti na pele.
O que leva os outros a fazer isso? Eu não sei, mas a psicologia com certeza explica – só que como não detenho esses conhecimentos, só posso fazer suposições. Acho que muitas vezes é medo. É realmente complicado saber o que outro pensa, principalmente se ele age, ou fala um tanto fora dos padrões do grupo social em que se encontra – como é que alguém que só conviveu com o mesmo tipo de pessoa vai saber lidar com o diferente? Concordo, é mais fácil se proteger o rechaçando.
Confesso a vocês, demorei muitos anos para entender essas dinâmicas da vida em sociedade, e até mesmo já me senti mal por isso, mas tem uma parte boa nisso tudo : eu finalmente entendi alguns pontos fundamentais e principalmente, me entendi! Acho que esse é todo o x da questão. Quem já tentou mudar por causa de uma opinião alheia sabe que isso é a pior coisa que alguém pode fazer, simplesmente porque não tem fim. Sempre vai vir alguém querendo que você seja assim e assado, você não vai agradar ninguém, muito menos a si mesmo. Esse é o conselho mais manjado do mundo, mais realmente funciona : vale muito à pena ser você mesmo. Os outros só vão poder te aceitar, se você mesmo fizer isso. (tá muito autoajuda esse texto, né?!).
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| "Seja você mesmo. Esse é o porquê das pessoas gostarem de você". |
Eu procuro fazer um exercício diário de aceitação das diferenças, não sou hipócrita ao ponto de escrever aqui que sempre aceito numa boa as opiniões contrárias a minha, mas posso afirmar que hoje já aceito melhor do que ontem, e assim por adiante. E já vi o tanto que aprendi assim! Para todos os meus amigos que têm os seus dias de Edward, é fácil dar um tapa de luva em todos esses haters : respeitem sua própria personalidade e, pode ter certeza que se uma pessoa gosta de você assim, é porque é verdadeiro.
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| "Eu não posso ser ninguém além de mim mesma, cara." |


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